Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a Covid-19 como pandemia, em março de 2020, essa emergência de saúde pública se converteu na principal causa de óbitos no mundo e tornou o seu enfrentamento uma prioridade inquestionável. A vacinação do cardiopata contra Covid-19: as razões da prioridade, mostra que o novo coronavírus fez aumentar o número de óbitos por doenças cardiovasculares (DCV) no ano passado, abordando também a importância da imunização contra o SARS-CoV-2 e apresenta as razões para vacinar os paciente cardiopatas, mostrando o quanto eles merecem prioridade na fila dos grupos de risco no cronograma da vacinação contra a Covid-19.
Se a infecção pelo novo coronavírus é a novidade pandêmica, a DCV é a realidade endêmica, consolidada e irresoluta. Ambas comprometem a saúde em todos os aspectos, individuais e coletivos, físicos, psíquicos, sociais e econômicos. Em comum, ceifam vidas produtivas e promissoras.
Estudos científicos que até o momento evidenciaram que a resposta inflamatória gerada pela Covid-19 é ainda mais grave do que a observada nos casos de influenza, além de estar associada ao risco de trombose.
Também já se sabe que desde as primeiras manifestações da infecção pelo SARS-CoV-2 na China e na Itália, portadores de doenças crônicas não transmissíveis foram inseridos no grupo de risco. Por conta disso, no Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) enfatiza, desde o início, que pacientes com insuficiência cardíaca (IC) indiscutivelmente são grupo de risco.
Como se trata de uma doença nova e que não se tem vivência especificamente sobre ela, é necessário utilizar as evidências mais aproximadas para definir as melhores estratégias de combate. Por isso, fundamenta-se nos preceitos da vacinação contra a influenza, que é indicada aos cardiopatas devido aos relatos históricos do aumento de mortalidade e pelos estudos epidemiológicos.
A imunização contra influenza é uma medida eficaz por reduzir as internações hospitalares por IC, acidente vascular cerebral (AVC) e síndrome coronariana aguda (SCA), além de reduzir o número de mortes de forma mais expressiva do que intervenções e medicamentos diversos.
Vacinar contra a Covid-19 trará impacto na redução de mortes e internações em um intervalo curto, pois, apesar do esforço da comunidade científica, ainda não há um tratamento específico para bloquear a replicação viral, e que, por isso, programas de vacinação são poderosos aliados.
Alguns desses imunizantes – como as vacinas apoiadas pela Pfizer, Moderna e AstraZeneca – incluíram em seus testes clínicos idosos, cardiopatas, diabéticos, obesos graves, afrodescendentes e latinos, o que nos permite inferir a segurança e a eficácia nesses subgrupos. E os efeitos cardiovasculares observados, como hipertensão, bradicardia, taquicardia, fibrilação atrial, SCA ou tromboembolia pulmonar tiveram frequência menor do que 0,1% e foram semelhantes entre os vacinados e os que receberam placebo.
O Brasil firmou parcerias, desde maio de 2020, para pesquisa e desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19, que incluem transferência de tecnologia, por intermédio da Fundação Oswaldo Cruz e do Instituto Butantan; que o país tem uma das mais avançadas legislações sanitárias do mundo; e políticas públicas de saúde seguras, eficazes, efetivas e custo-efetivas fazem parte do mínimo existencial de cada brasileiro, devendo ser ofertadas de maneira universal, integral e gratuita. Enquadram-se aqui as campanhas de vacinação.
A conclusão que se chega, é que a sociedade está diante de uma doença nova, que cursa com inflamação sistêmica, com insuficiência respiratória aguda e renal aguda, com estado pro-trombótico. Assim, com base em todas essas evidências, na ciência e no histórico de saúde que acumulado ao longo dos anos, podemos supor que a vacina contra a Covid-19 também é segura para os cardiopatas e eles estarão mais seguros se vacinados com prioridade.
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