Carlo leitor e eleitor levado no bico. Diz o ditado popular que "a prática leva à perfeição".
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No mundo ideal, isso significaria que um gestor público, após anos de carreira, dominaria as minúcias do orçamento e a eficiência das políticas sociais.
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No entanto, o cenário político brasileiro frequentemente subverte essa lógica, transformando a experiência em uma espécie de PhD em sobrevivência ilícita.
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Na política, a "perfeição" de muitos veteranos não está no serviço ao cidadão, mas na sofisticação do erro.
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Onde o novato é descoberto por um deslize primário, o profissional da velha política opera nas sombras do tráfico de influência, utilizando o peso do cargo para abrir portas que deveriam estar trancadas pela ética.
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A experiência, aqui, atua como um verniz: aprende-se a maquiar planilhas, a lotear o Estado com precisão cirúrgica e a criar mecanismos de improbidade administrativa que são quase invisíveis aos olhos menos treinados dos órgãos de controle.
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O ponto mais crítico dessa "profissionalização" é a construção da certeza de impunidade.
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O político experiente conhece os atalhos do sistema judiciário, os prazos de prescrição e as brechas regimentais.
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Para ele, o crime não é um desvio, mas um cálculo de risco onde o benefício do poder quase sempre supera o custo de uma eventual punição.
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Assim, a máxima da experiência revela seu lado sombrio: em vez de estadistas mais sábios, o sistema muitas vezes recicla operadores mais eficientes no abuso.
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A perfeição, nesse caso, é o silêncio dos esquemas bem montados, onde o interesse público é a única peça que nunca se encaixa na engrenagem.
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Você acredita que a renovação política total é a solução para quebrar esse ciclo, ou o problema é a falta de mecanismos de controle mais rígidos? Pense a respeito!
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a opinião de nosso Portal.

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