A “dança das cadeiras” em Ibiporã virou um verdadeiro drama com tintas de comédia. O prefeito José Maria Ferreira (PSD), que contava com a lealdade cega de sua base, agora assiste à debanda de aliados. Dos nove pré-candidatos a deputados neste pleito, três são de sua própria base, incluindo seu filho. O motivo? O descaso com os vereadores.
A política local parece ter saído de um roteiro de farsa onde o feitiço vira contra o feiticeiro. O paizão, José Maria, achava que governar a cidade seria como gerir um feudo particular. Confiante no seus vereadores, planejava usar sua base de apoio como grande cabo eleitoral para o filho, e posteriormente ungir o mesmo como seu sucessor. Isso é, se não ficarem inelegível por cinco anos.
O plano, no entanto, esbarrou em um detalhe inconveniente: a soberba cobra o seu preço. Afinal, para que serve um “prefeito-rei” se ele não atende às pequenas e grandes demandas dos vereadores que o sustentam? Cansados de bater na porta do Executivo e encontrar apenas portas fechadas, alguns já reclamam publicamente até mesmo em plenário. Outros edis em silêncio, decidiram pular do barco. O resultado é um êxodo político que deixou o chefe do Executivo praticamente falando sozinho.
O cenário da sucessão virou um verdadeiro “vale-tudo” com nove pré-candidatos disputando a atenção do eleitor ibiporanense. O mais curioso — e sintomático — é que a própria base do prefeito lançou três nomes para a disputa. Entre eles, adivinhem quem? O próprio filho do prefeito, Rafel Eik Ferreira (Avante) que atualmente ocupa o cargo de presidente da Câmara de Vereadores.
Os demais da base do prefeito são Pedro Chimentão (Republicanos) e Augusto Semprebom (Solidariedade). Somando-se a estes, o vereador Hugo Furrier (MDB), a professora Ângela Garcia (Solidariedade), e ainda os ex-candidatos a prefeito Diogo Andrade Fenti e Emerson Petriv, o Boca Aberta.
Para o jovem presidente do Legislativo, a estrutura da Câmara parece ter virado um grande comitê de campanha particular. Usar a máquina pública e o cargo de presidente para autopromoção é, no mínimo, um uso questionável do suado dinheiro do contribuinte.
Enquanto o aprendiz de vereador passeia com os holofotes da Casa de Leis para inflar o próprio ego, a população de Ibiporã observa tudo de camarote, perguntando-se até quando a estrutura pública servirá de trampolim familiar.
Para coroar a insatisfação geral, a disputa municipal ganha contornos de traumáticos, já que o pequeno príncipe ainda não engoliu ter feito menos votos que Furrier na última eleição o que gerou um clima de animosidade na última sessão. A sombra de Furrier no resultado das urnas, já deve tirar o sono, e possivelmente, os votos que pretende arrancar em Ibiporã.
Sem falar nos demais da base aliada e concorrentes de peso fora da órbita palaciana: a professora com seu prestígio e votação expressiva na última eleição, e o próprio Chimentão, até então aliado do alcaide. Para este, o fundão eleitoral falou mais alto.
Já os ex-candidatos a prefeito, farejaram o sangue na água e viram a oportunidade perfeita para capitalizar em cima do desgaste da atual gestão na mira da Justiça. Outros aliados que cogita-se para candidatos são André Vargas e Pastor José Fermino Vilande Neto.
Resta saber se o prefeito, outrora o grande articulador, conseguirá colar os cacos da sua base ou se a “República de Ibiporã” assistirá ao fim de uma dinastia. A única certeza é que a eleição promete capítulos ainda mais ácidos, e a população, atenta, não esquecerá quem confundiu a prefeitura com a extensão da própria sala de estar.
Que destino se espera dos demais da bancada. Dieguinho da Furgão já acenou que vai trabalhar para a deputada Cloara Pinheiro. Rafael da Farmácia já declarou que vai trabalhar para o deputado Cobra Repórter, caminho que também deverá ser seguido pelo último dos moicanos: vereador Ilseu Zapelini.
Ao prefeito restará contar com os cumpanheros não menos satisfeitos, professores Mohamed El Kadri e José de Abreu. A conta da ingratidão política chegou, e o troco veio em moedas de isolamento. De uma bancada governista que ostentava robustos oito vereadores, restaram apenas dois “gatos pingados”.
Será que estariam dispostos a carregar o piano do filho do prefeito? O restante da base fez o que qualquer náufrago sensato faria diante de um capitão que ignora a tripulação: pularam do barco antes que ele afundasse de vez.
Ver a bancada governista encolher de oito para apenas dois apoiadores é um atestado público de incompetência na articulação política. Mostra que o prefeito faliu como líder de grupo. Os seis parlamentares dissidentes cansaram de ser tratados como meros carimbadores de projetos do Executivo e decidiram que não vão queimar capital político para inflar o ego do filho do chefe.
A debandada de 75% da base não é apenas uma derrota numérica; é um vexame moral. Ibiporã assiste ao espetáculo de um prefeito isolado, um filho desidratado politicamente antes mesmo da campanha oficial e uma rejeição interna que escancara a arrogância de uma gestão que acreditava ser intocável. Este é o raio X dos bastidores da política em Ibiporã nos dias de hoje.

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