Há exatamente oito anos, o vereador Professor Abreu protocolou uma indicação cirúrgica e visionária ao Exmo. Senhor Prefeito Municipal. O parlamentar sugeria uma providência de competência exclusiva do Executivo: a realização imediata de um estudo de viabilidade para a aquisição de um novo terreno destinado à construção de um cemitério municipal.
O argumento era matemático e humanitário: o Cemitério São Lucas já não dispunha de espaço físico para novos sepulcros, deixando dezenas de famílias sem um local digno para enterrar seus entes queridos. Oito anos se passaram, e o alerta do nobre vereador continua sem a devida atenção do governo municipal. O que era uma previsão técnica transformou-se em uma crise social crônica. A omissão do Poder Executivo não apenas saturou o campo santo, mas também abriu margem para o caos e a criminalidade.
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A Escassez como Combustível para o Crime
A falta de espaço físico no Cemitério São Lucas gerou consequências macabras no passado, que hoje ganham contornos ainda mais dramáticos. À época da primeira indicação do Professor Abreu, a escassez de jazigos já alimentava um mercado negro subterrâneo e cruel. Investigações apontavam para a prática criminosa de desvio de cadáveres e a venda camuflada de sepulcros.
O modus operandi refletia o desespero de uma cidade sem vagas: corpos eram removidos clandestinamente para que covas fossem comercializadas ilegalmente por valores astronômicos. Essa realidade sombria, denunciada nos bastidores e combatida pelo vereador, era o sintoma mais claro de que o sistema funerário local havia colapsado. Sem um novo cemitério, o próprio direito ao luto foi transformado em mercadoria ilegal.
Diante do cenário de inércia majoritária, inclusive nos dias de hoje, a figura do vereador Professor Abreu se destaca como um farol de responsabilidade pública e empatia popular. Sua atuação legislativa não se limitou ao cumprimento de ritos burocráticos; representou a voz das famílias mais humildes que, no momento mais doloroso da vida, encontravam as portas do cemitério municipal fechadas.
Indicar ao Prefeito a necessidade de um novo terreno foi um ato de coragem política e visão administrativa. Professor Abreu enxergou o problema antes que ele se tornasse a tragédia atual. No entanto sua persistência em cobrar o Executivo, mesmo após quase uma década de silêncio governamental, ainda não teve seu pedido atendido, nem como membro importante da base do autal prefeito. Entretanto sua proposição consolida seu papel como um defensor intransigente da dignidade dos cidadãos, tanto na vida quanto na memória.
A Urgência de uma Resposta
A história deu razão ao Professor Abreu. A construção de um novo cemitério não é mais uma sugestão de planejamento urbano, mas uma obrigação civilizatória urgente que deve ser cobrado com veemência por todo o legislativo do atual prefeito que só pensa em lago. Resta saber até quando o Executivo Municipal continuará ignorando o clamor das ruas e o aviso lúcido gravado nos anais da Câmara pelo Professor Abreu.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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