Voltamos a ser vítimas do loteamento de nossas rodovias pelo poder público estadual. Trocaram as fantasias mas os palhaços são os mesmos neste circo onde impera as concessões onde o cidadão comum, pagador de impostos jamais saberá o que de fato está contido nestes contratos.
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Fato é que à partir da zero hora de segunda feira, percorrer rodovias de nossa região voltar a ser dilema com a taxa de pedágio especialmente em Jataizinho (eixo de ligação Paraná/São Paulo) volta a ser uma das mais caras do país.
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Falou-se tanto em modernidade e praticidade como sem precisar parar nas praças de pedágios ou reduzir a velocidade nas cancelas de cobrança automática em um feriado prolongado, por exemplo, mas a economia proposta na dispensa de servidores não reverteu em alívio no bolso do contribuinte.
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A expectativa de uma experiência nova com o sistema de passagem ou fluxo livre – o chamado pedágio free flow, realidade no primeiro mundo como em países da Europa e América do Norte, e, aqui na América Latina, no Chile, o Brasil é o único país em que se copia o modelo pela metade. Ou seja, tecnologia para baixar custos, aqui não existe como acontece lá fora onde as tarifas de pedágio são bem quistas em relação a contrapartida que as concessionárias oferecem: "Estradas de primeiro mundo"!
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Ainda temos que considerar que no Brasil, esse tema ainda segue em discussão, em especial quando o assunto é a redução de custos para usuários das rodovias federais onde acreditar nisso é utopia. Mais fácil termos aumento de tarifa a cada seis meses.
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Segundo dados da ARTESP, as rodovias Engenheiro Constâncio Cintra e a rodovia Santos Dumont foram as primeiras a experimentarem o sistema em 2012 no estado de São Paulo. Depois, em 2013, o primeiro ponto a ponto aberto para o tráfego de veículos foi a rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros. Na sequência, em 2014, também foi instalado um sistema ponto a ponto para testes na rodovia Professor Zeferino.
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Este modelo basicamente não é novo, e em mais de dez anos de uso, ainda há dúvidas sobre sua funcionalidade na prática. O funcionamento de um pedágio free flow simplificou, é verdade. Trocaram as cabines de concreto nas praças por antenas são instaladas em pórticos e viadutos ao longo daa rodovias.
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Na praça de Jataizinho, fica o "elefante branco" servindo de anteparo para acidentes com morte.
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E a cobrança? Ah, esta é ávida para faturar em duas maneiras: a primeira delas através de tags semelhantes às já existentes em sistemas de cobrança automática, como o "Sem Parar" muito utilizadas por caminhoneiros. Essas tags são obrigatoriamente instaladas nos veículos, que são cobrados automaticamente durante a passagem pelos pórticos.
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Isso será feito por meio de um sistema de RFID, composto por uma antena, um transceptor, que faz a leitura do sinal e transfere a informação para um dispositivo leitor, e também um transponder ou etiqueta de RF (rádio frequência), que deverá conter o circuito e a informação a ser transmitida. É seguro? Só o tempo dirá pois há questionamentos sem respostas.
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Uma outra maneira que deram jeito para realizar essa cobrança e, ao mesmo tempo, combater a evasão, é por meio de equipamentos de captura e processamento de imagens das placas dos veículos em movimento, similar ao sistema de controle de evasão de pedágio presente nas concessionárias de rodovias. Se o sujeito usa uma placa clonada, o dono do veículo que nunca passou por ali, sifu!
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Dizem que a "vantagem" não fica só agilidade, uma vez afirmam que o usuário passa a transitar pela estrada sem ter que interromper a viagem. Destacam que vantagens também são operacionais e estão relacionadas à segurança dos motoristas.
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Quais vantagens em relação ao "custo benefício"? O que já ofereciam antes, acabou como os pontos de descanso, por exemplo. Serão mantidas apenas para "receber a tarifa", caso algum motorista resolva parar no local para fazê-lo pessoalmente.
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O assunto é só faturar já que o modelo moderniza as vias e traz praticidade durante o trajeto. Os preços "mais justos", há esse não convenceu mesmo considerando que a tarifa seja feita por pontos de medição.
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A concessionária apresenta um exemplo no mínimo confuso. "Se um motorista trafega em um trecho pedagiado por 30 quilômetros pagando um valor de R$ 15,00 referente a uma concessão com trecho maior, no pedágio free flow, ele pagaria somente o proporcional ao trecho percorrido de 30km, o que é geralmente muito menor, além de transitar mais rapidamente sem a necessidade de reduzir velocidade ao passar pela praça. A grande diferença entre os sistemas é que as praças estão a uma longa distância, e os pontos de free flow podem ser mais frequentes. Então, a tarifa pode estar mais distribuída no decorrer do trecho".
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Este é o discurso na teoria. Mas onde estão os pórticos entre trechos? Quem sai de Ibiporã para ir até Assaí comer um peixe frito na Estância Félix, cerca de 28 km e passa pela praça de Jataizinho, precisa pagar cerca de R$ 35 reais de pedágio. Ou seja, cerca de R$ 1,20 por km rodado. Onde está o desconto, tanto para quem vai ou para quem vem de Assaí para Ibiporã?
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A informação ao usuário está estritamente voltada a arrecadação e a segurança infinitamente na proteção da concessionária contra possíveis fraudes no sistema, senão vejamos.
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"Para reforçar o sistema e garantir que toda a cobrança seja feita de forma adequada aos usuários das pistas automáticas, há também uma solução chamada NEVADA, que foi desenvolvida em 2016 pela Pumatronix e está presente em 90% das concessionárias de rodovias do Brasil. Por meio deste sistema, todo o monitoramento das placas é realizado e validado com o sistema de cobrança, que confere se o veículo possui uma tag válida ou não para seguir o curso de forma livre. Caso negativo, ele envia um alerta ao sistema da concessionária para que as providências cabíveis sejam tomadas".
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E tem mais. "Há também equipamentos que processam esses dados na borda e operam com diferentes conexões, como Wi-fi, 4G e GPS. É o caso da ITSCAM 600, também desenvolvida pela Pumatronix, que foi pioneira neste segmento. Tal solução é capaz de realizar entregas ainda mais assertivas e rápidas ao sistema de pedágio free flow."
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Para piorar ainda mais a situação para o usuário, há um projeto de lei que solicita uma alteração para que a evasão de pedágios seja uma infração grave, permitindo que o valor da multa seja destinado às concessionárias. Ou seja, penalidades previstas para engordar ainda mais os cofres das mesmas.
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Por questões políticas, por investimentos ou outros motivos, não há previsão de quando esse sistema se tornará realidade nas rodovias brasileiras, que contam atualmente com 303 praças de pedágios, depois de São Paulo, a maioria é aqui no Paraná. O fato é que, se a promessa de investimentos será em cerca de R$ 60 bilhões de reais, ficamos a imaginar aqui, qual será o real faturamento destas empresas.

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