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Domingo, 14 de Junho de 2026
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Palanque ou Púlpito? A Linha Tênue entre a Fé e a Política em Ibiporã

A credibilidade de uma liderança se mede pelo peso de sua palavra, ou de suas ações contraditórias?

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Palanque ou Púlpito? A Linha Tênue entre a Fé e a Política em Ibiporã
📸Redes Sociais: Pastor Vilande entre os demais pré candidatos pelo Estado do Paraná no Instagram pessoal
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    IBIPORÃ — Até onde vale a palavra de uma liderança comunitária? Em Ibiporã, o cruzamento de caminhos entre a liderança espiritual e a ambição político-institucional transformou-se em debate público inflamado. Há alguns anos, o pastor José Vilande — conhecida liderança da igreja Assembleia de Deus e presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg Ibiporã) — assegurava que se um dia ingressasse na disputa eleitoral ou em cargos públicos, poderia renunciar ao ministério pastoral.

   A suposta promessa tinha uma base clara: a premissa bíblica de que “ninguém pode servir a dois senhores”.  Contudo, a recente movimentação para reativar o Conseg com forte apelo midiático, somada à transformação das redes sociais do religioso em uma vitrine de agendas institucionais, gerou desconfiança. O fato de os conselhos municipais historicamente acelerarem reuniões e metas justamente em anos de eleição acendeu o alerta na cidade. Um exemplo recente disso ocorre com a Saúde e Educação.

   Diante da sua discreta atuação pública no Conseg até aqui, é de se estranhar que no perfil das suas redes sociais, seu apelo pessoal para que a comunidade acompanhe seus próximos passos no projeto de disputar uma  eleição para deputado, cheira a oportunismo. Por outro lado ganha mais visibilidade de que sua própria "colaboração voluntária" frente ao Conselho.  

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    Embora tente justificar que sua atuação no Conseg não é política partidária, mas de “colaboração social”, estar à frente do conselho não seria uma pretensão de seu papel usar do cargo em nome do “bem de Ibiporã”, para capitanear um palanque eleitoral? E como fica os  preceitos éticos e o compromisso com a igreja? Sucumbiu com a nomeação da esposa num cargo oferecido pelo prefeito após tentar mudar uma Lei Municipal para colocá-lo numa secretaria?

Histórico de Articulação Política
     Esta não é a primeira vez que a atuação do pastor se choca com a barreira da política institucional no município. Em 2021, o prefeito José Maria Ferreira tentou alterar a legislação municipal para remover a obrigatoriedade de um assistente social de carreira no comando da Secretaria de Assistência Social, visando acomodar o pastor José Vilande. 

   A Folha Regional denunciou na época esta articulação que após forte reação popular e polêmica na Câmara, o pastor abriu mão do cargo por motivos de “foro íntimo”.    Agora, a “ressurreição” do Conseg recoloca a mesma figura central sob os holofotes. Resta saber se o discurso voluntário e comunitário resistirá ao teste das urnas ou se o Código de Ética da Igreja sucumbe sob o calor das conveniências políticas já recebidas.  Para quem andou dizendo por aí, que nossa opinião não soma, buscamos a opiniões na visão técnica de quem tem propriedade no assunto.

A Visão Técnica: Dra. Clarissa Mendes, Cientista Política e Especialista em Relações Institucionais
Folha Portal: É comum vermos conselhos comunitários ganharem força e visibilidade às vésperas do calendário eleitoral? Como o eleitor deve analisar isso?
Dra. Clarissa Mendes: “Infelizmente, no Brasil, o ativismo seletivo em conselhos comunitários — como segurança, saúde e educação — em anos eleitorais é uma estratégia clássica de construção de capital político. O líder ganha espaço na mídia tradicional e digital defendendo pautas legítimas e populares, como o combate à criminalidade. Isso gera uma exposição blindada contra críticas, pois ele se apresenta sob o manto do ‘voluntariado’ e da ‘boa colaboração’, ocultando, muitas vezes, pretensões eleitorais legítimas, mas dissimuladas.”

A Visão Teológica: Reverendo Marcos Aurélio Silva -Teólogo e Observador do Diálogo Fé e Política
Folha Portal: Qual é o limite ético para um pastor que usa suas redes sociais e liderança comunitária misturando fé e pautas de segurança pública?
Reverendo Marcos Aurélio: “O púlpito exige compromisso com o Evangelho, que é universal e acolhedor. Quando a página de um pastor passa a se parecer mais com um panfleto de realizações governamentais ou institucionais do que com uma mensagem de fé, há uma distorção. A liderança perde a autoridade espiritual e passa a ser vista como cabo eleitoral. O princípio de não servir a dois senhores serve exatamente para proteger a Igreja de ser usada como balcão de negócios políticos. Quem empenha a palavra diante do rebanho precisa sustentá-la.”

   Vale ressaltar que a Convenção de Pastores enriquece o caráter deste artigo ao trazermos aqui as regras éticas da própria denominação. Nossa cobrança por coerência não parte apenas da opinião pública, mas também das normas eclesiásticas vigentes.

   O Código de Ética da CIEADEP (Convenção das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Estado do Paraná), em seu artigo 4º, inciso IX, veda expressamente que os ministros utilizem o cargo ou a função ministerial como “instrumento de manipulação de pessoas ou obtenção de favores pessoais, econômicos, políticos e familiares”. O regramento visa preservar a neutralidade da igreja.  

   Pelos anos de Ministério, e décadas de berço na Assembleia de Deus conduzida pela família Vilande, era no mínimo de se esperar que conhecessem o estatuto da instituição. Especialmente o pretenso candidato que possui um nível cultural de indiscutível competência. Mas, na política, a primeira coisa que passa a ser ignorada, é a ética, depois disso a palavra empenhada e nessa linha, troca de favores até chegar na condição de corrupção. É um caminho sem volta.  

   Já dizia o sociólogo Edwin Sutherland, que a criminalidade de colarinho branco, caracteriza-se por desviou de conduta e corrupção cometidos por indivíduos de alta respeitabilidade e status socioeconômico. Na política, esses "marginais" se escondem atrás de cargos de poder, legislações flexíveis e burocracias complexas, tornando a identificação e a punição de seus atos extremamente difíceis. Daí entendemos porque certos corruptos de profissão respondem a dezenas de processos e nunca vão para a cadeia. E continuam no poder! Um Conselho de Segurança não deveria focar especialmente nisso, cobrando das autoridades uma punição exemplar? Ou improbidade administrativa (palavra bonita para desvio de conduta) não é assunto de segurança?

   Nossa vivência de anos nesses bastidores revela que o poder não transforma uma pessoa honesta em um marginal; ele apenas remove a máscara, permitindo que a verdadeira índole do agente público seja escancarada para a sociedade. E o pior cego, é aquele que se recusa a ver.

Raio-X da Segurança: Os Dados de Ibiporã vs. O Discurso
    Embora o Estado do Paraná apresente uma tendência histórica de queda em homicídios, a realidade dos municípios da Região Metropolitana de Londrina (RML) exige atenção.

   Operações integradas da Polícia Civil seguem combatendo ocorrências graves na região. Aqui estão alguns indicadores criminais mais comuns que balizam as discussões de segurança no município, com base no mapeamento da Secretaria de Segurança Pública (SESP-PR):

Infográfico de Dados Criminais:

Furtos e Roubos Urbanos: Lideram as queixas nos bairros centrais e periféricos de Ibiporã, impactando o comércio local.

Crimes Violentos (Latrocínio/Homicídio): Casos pontuais, como investigações recentes no bairro San Rafael, mobilizam a ação rápida da PCPR. 

Crimes Patrimoniais Residenciais: Roubos cometidos contra vulneráveis (como idosos no interior de residências) geram forte comoção e cobram respostas do Conseg.

Criminalidade Rural: Embora a Patrulha Rural da PMPR tenha reduzido roubos no campo em 34% no Estado, pequenas propriedades no entorno de Ibiporã ainda sofrem com o furto de insumos e fiação.

E aí? Vamos ver uma atuação dinâmica e de resultados no Conseg, ou uma campanha eleitoral antecipada?

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
Comentários:
Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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