website page view counter

Folha Regional Online

Quinta-feira, 11 de Junho de 2026
laboratório
laboratório

Local

Do Púlpito ao Palanque: Quando a Palavra de Deus é trocada pelo projeto de poder

Ensinamentos dos grandes mestres, sucumbem ante a troca de favores nos bastidores sujo da política

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Do Púlpito ao Palanque: Quando a Palavra de Deus é trocada pelo projeto de poder
📸Imagem meramente ilustrativa
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

    O envolvimento de pastores evangélicos em disputas político-partidárias como candidatos é um tema que gera debates fervorosos.  Pouca gente sabe, mas tenho como formação e pós graduação em Filosofia e Teologia numa das maiores instituições de educação da América do Norte. Tive o privilégio de ter como professor,  o sociólogo e teólogo Delfino Brunelli, pupilo do missionário e teólogo Karl-Erik Samuel Nyström (1891–1960) que foi um dos pioneiros e principais líderes históricos da Assembleia de Deus no Brasil. 

   Enviado pela Igreja Filadélfia de Estocolmo (Suécia), ele desembarcou em Belém (PA) em 1916 junto com sua esposa, Lina Nyström. Ele teve um papel fundamental na estruturação e expansão da denominação no país ao lado de Daniel Berg e Gunnar Vingren que chegaram ao Brasil pouco antes em 1911. 

    Logo, minha formação como cristão, não veio de qualquer lugar, ou de gente que apenas ouviu falar nestes ícones do evangelismo nacional.
Venho de uma escola de pastores que jamais admitiriam, que um membro que lidera uma campo missionário ou até mesmo a presidência de uma congregação da Assembléia de Deus, dividisse seu chamado pastoral com atividade política partidária.

Publicidade

Leia Também:

    Os pioneiros e seus pupilos, e me incluo entre eles em entender e defender que a vocação pastoral exige dedicação exclusiva, apontando que a política terrena pode comprometer o chamado sagrado de apascentar almas e afastar o líder religioso da essência espiritual do Evangelho.

   E o perigo acontece principalmente quando o líder religioso começa a se envolver com políticos dado a corrupção a ponto de mesmo conhecendo a realidade do submundo, vale-se de favores a familiares para justificar apoio, quando não entrar para o mesmo meio neste caminho perigoso e desaconselhável, do ponto de vista cristão.

   O argumento teológico central que defendemos contra a candidatura de pastores baseia-se na advertência de Jesus registrada no Evangelho de Mateus: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro”. Nas Escrituras Sagradas, essa passagem denuncia a impossibilidade de manter duas lealdades absolutas e concorrentes.

   O ministério pastoral exige entrega total e renúncia. Enquanto o pastor é comissionado para semear valores espirituais, cuidar das ovelhas e promover o Reino de Deus, a política partidária opera sob a lógica das disputas de poder, negociações mundanas e interesses materiais geralmente escusos.  Dentre esses, um carguinho de favor, o que o torna refém do sistema a ponto de se filiar e disputar uma eleição para pagar a conta. 

   Já não é mais uma liderança Cristã que merece respeito, assim como o Advogado do Diabo. O livre-arbítrio é a nossa maior responsabilidade. A política monta o cenário e oferece a tentação, mas as escolhas e as consequências de nossas ações são sempre de nossa inteira responsabilidade. O sucesso, o poder e a riqueza não devem ser buscados a ponto de corromper a moral, a ética e a integridade de alguém que um dia colocou-se na condição de servir apenas um. 

   O ensinamento bíblico sobre agradar a um e desagradar o outro adverte que tentar conciliar a pureza do púlpito com as concessões e mazelas inerentes à esfera política pode resultar não só no esfriamento da fé e na perda da autoridade moral e espiritual. O perigo vai além disso. Que moral pode ter um pastor que caminha ao lado de um grupo sabidamente envolvido em ações condenáveis pela justiça?

   Fico admirado como alguns com anos de liderança cristã ao relacionar-se com políticos, acaba por abrir mão do propósito da consagração pastoral e do cuidado exclusivo das almas e o ensino da Palavra.  O apóstolo Paulo, ao instruir a Timóteo, enfatiza que o soldado de Cristo não se embaraça com os negócios desta vida para agradar àquele que o alistou. 

  A política, portanto, é considerada parte das distrações “mundanas” que competem pelo coração e pelo tempo do obreiro.   Quando um pastor abandona ou negligencia o rebanho para se dedicar ao que é mundano — como a busca por mandatos, votos e alianças políticas —, corre-se o risco de desvirtuar a natureza da Igreja. 

   A instituição eclesiástica perde o seu caráter de santuário quando passa a ser utilizada como palanque eleitoral. Nesse sentido, a transição do púlpito para a política não representa uma evolução na vocação, mas uma divisão de foco. Servir a Deus e ao mundo exige prioridades opostas.

   O cristão pode e deve exercer sua cidadania e influenciar a sociedade com princípios éticos, mas o líder espiritual deve reconhecer que o seu maior poder transformador reside no Evangelho, que cuida da dimensão eterna do ser humano.  O sucesso, o poder e a riqueza não devem ser buscados a ponto de corromper a moral, a ética e a integridade de alguém. A vaidade, meu caro pastor nessa condição é o maior gatilho para a queda humana, pois ela cega os nossos próprios erros.

   A parábola “se um cego guiar outro cego, ambos cairão no buraco” (Mateus 15:14) é um alerta contra o perigo de seguir líderes sem discernimento. Para o cristão, essa máxima exige discernimento e integridade na esfera pública: alinhar-se a políticos corruptos é o mesmo que caminhar rumo à ruína moral e espiritual.

   Quando um líder cristão se alia a figuras corruptas em busca de poder ou vantagens, ele perde sua autoridade moral e coloca em risco toda a comunidade que o segue. Ambos se desviam dos valores do Reino. Na nossa humilde opinião, a fé cristã exige oposição ao que é injusto.             Princípios como honestidade e justiça não são negociáveis, e caminhar ao lado de quem promove a corrupção é compactuar com práticas que destroem a sociedade.  Aliar-se a este tipo de gente, é o mesmo que advogar para o diabo!

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
Comentários:
Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )