A cena de pessoas dormindo em praças e calçadas deixou de ser exclusividade de metrópoles para se tornar um desafio diário em Ibiporã. Moradores e comerciantes relatam que o aumento desse contingente tem gerado insegurança, desordem e, em casos mais graves, servido de fachada para o consumo de entorpecentes e o tráfico de drogas.
A região central, na Rua Getúlio Vargas, em frente ao ex-supermercado Supersul na chamada Galeria Edilaine tem sido um exemplo cuja cobertura tem servido de abrigo para moradores de rua, viciados em drogas e desocupados que antes se instalavam em parte das instalações onde deveria ser um terminal urbano, recentemente demolido pela prefeitura na Praça Eugênio Esperandio.
Diante deste cenário, surge o debate sobre a responsabilidade do município e a necessidade de políticas que não apenas ofereçam abrigo, mas devolvam essas pessoas às suas famílias e cidades de origem.
O Modelo “Recomeçando”: A Proposta de Londrina
Em Londrina, a vereadora Jessicão (PP) apresentou o projeto de lei “Recomeçando com Dignidade”, que prevê a reintegração social através do retorno assistido. A ideia é simples, mas estratégica: identificar o município de origem do cidadão e, por meio de uma ação conjunta entre a Assistência Social de ambas as cidades, viabilizar o transporte e a acolhida familiar.
O argumento central é que muitos chegam a Londrina (e Ibiporã) vindos de outras regiões por falta de amparo em suas cidades natais, acabando por se fixar onde há maior oferta de caridade, o que sobrecarrega também os cofres públicos locais.
Impacto em Ibiporã e Medidas Locais.
A prefeitura de Ibiporã já demonstrou preocupação com o tema, realizando audiências públicas na Câmara Municipal para discutir ações voltadas a essa população. Embora o município já conte com programas de acolhimento e projetos de profissionalização, a pressão popular por uma solução que resolva o “efeito imã” — quando a cidade recebe pessoas de fora sem ter estrutura para mantê-las — cresce a cada dia.
Segurança e Social: O Caminho do Meio
Críticos e defensores da medida concordam em um ponto: a situação atual é insustentável. A proposta de solsusção ecoa pelos grupos de whatsApp nas redes sociais. A cidade simplesmente está tomada por desocupados, especialmente o centro. A cobertura do banheiro da praça Pio XII está praticamente alugado para os moradores de rua que fazem da estrutura prateleiras para colchões, cobertores, caixas de papelão contendo roupas e calçados doados, e à noite, as mesas de jogatina, viram camas.
A veredora Jessicão defende que a responsabilidade deva ser compartilhada envolvendo o município de origem e o receptor no cuidado com seu cidadão. Uma solução conjunta contribuirá com a redução da criminalidade, lembrando que em Ibiporã já ocorreu um assassinato onde houve a demolição. Desarticular pontos de aglomeração que podem ser usados para o tráfico como a praça central e seu entorno dve ser prioridade. A vereadora de Londrina também defende a dignidade real cujo projeto foca na reintegração familiar em vez da permanência precária em vias públicas.
Enquanto Londrina avança com leis que proíbem o uso de praças como moradia e regulamentam a internação humanizada, Ibiporã deve observar atentamente os resultados desses dispositivos legais para decidir se seguirá o mesmo caminho rumo à ordem e segurança pública. Porque do jeito que a cidade está, não dá mais.

Comentários: