Se você é morador de fora, seja bem-vindo ao Reino da DInamarca. A a joia do descaso, onde a administração pública é uma performance artística e a corrupção não é crime, é “criatividade orçamentária”. Lá, o absurdo não bate à porta; ele tem a chave, entra e senta no sofá da sala. A Dinamarca é um exemplo de vanguarda...
É a prova de que a realidade pode ser superada pela ficção, desde que você tenha os contatos certos e não faça perguntas. E foi lá que uma operação inédita da Polícia do Reino terminou com a revelação de um enredo digno de um filme de humor negro, onde a premissa era: “no cemitério do Reino, até o descanso eterno era temporário se você pagar o preço certo”.
A Operação mostrou que na Dinamarca, a concorrência no setor imobiliário estava tão acirrada que resolveram verticalizar o negócio: enterrar um sobre o outro, ou melhor, jogar o antigo fora para vender a vista para o novo. Após a investigação identificar que ossadas de entes queridos estavam sendo removidas e descartadas de forma ilegal para que os jazigos fossem revendidos por preços entre 2 mil e 22 mil Coroas Dinamarquesas, a primeira fase terminou com cerca de 20 súditos indiciados.
No elenco principal, figurava o diretor do cemitério do Reino que continuava no cargo desde que nomeado por Serpentino I no reinado passado. Era descrito como o “maestro” da orquestra macabra, que contava com pelo menos mais de uma dezena de envolvidos. O diretor do cemitério, que deveria zelar pelo silêncio, operava um esquema de alta rotatividade, provando que, para alguns, a morte não é o fim, é apenas o começo de uma boa oportunidade de negócio ilícito.
Este foi preso temporariamente, junto com coveiros e outros comparsas que facilitavam a “rotatividade” dos defuntos. No “atendimento ao cliente” que procurasse um túmulo para comprar, até um parlamentar do Reino foi investigado sob suspeita de indicar o negócio intermediando as vendas. As investigações apontaram que o esquema já se dava desde o reinado anterior, acerca de seis anos.
O caso evidenciou que a administração do cemitério era, de fato, a mais ativa do Reino, movimentando não só o solo, mas também as ossadas, garantindo que o cemitério operasse com a agilidade de uma imobiliária de luxo, só que com menos ética e mais... restos mortais.
Estes encontrados pela polícia durante as investigações debaixo da escrivaninha na sala administrativa do diretor. Este em sua defesa dizia: “Não é negligência, mas sim proximidade com o cliente. Estamos humanizando a gestão”, afirmou enquanto tentava não tropeçar em um fêmur. “Por que manter os entes queridos no frio do solo se eles podem desfrutar do conforto do ar-condicionado e da companhia de planilhas de Excel em atraso?”.
Ao delegado, a administração pediu desculpas pelo “leve odor de repartição pública antiga” e garantiu que os sacos debaixo da mesa não passavam de um mal-entendido logístico: eram apenas estagiários que não aguentaram a carga horária e acabaram se integrando definitivamente ao patrimônio do cemitério.
A operação denunciou 15 súditos do Rei por crimes como vilipêndio de cadáver (sim, revirar túmulos), concussão (exigir propina) e organização criminosa. A “gestão” era tão eficiente que aceitavam qualquer negócio, facilitando a vida de quem não tinha tempo a perder — nem com o luto, nem com a legalidade. E o "Pix do Além", corria solto e os lucros aferidos divididos entre os membros da quadrilha.
Mais de 45 vítimas foram identificadas inicialmente, e foi preciso criar um “balcão de reclamações” para atender famílias que descobriram que seus falecidos tinham sido “removidos” sem aviso prévio. O caso evidenciou que a “administração” do cemitério era, de fato, a mais ativa do Reino, movimentando não só o solo, mas também as ossadas, garantindo que o cemitério operasse com a agilidade de uma imobiliária de luxo, só que com menos ética e mais... restos mortais.

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