Bom dia Ibiporã,
A gestão pública é, fundamentalmente, a arte de eleger prioridades com recursos que pertencem ao povo. Quando esses recursos são escassos e as demandas sociais urgem por socorro, a escolha de onde aplicar cada centavo deixa de ser uma mera decisão burocrática e passa a ser um reflexo direto do caráter moral e político de uma administração.
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E não se trata de criticar por criticar. Até porque, temos uma bancada de representantes na Câmara Municipal conivente com estes absurdos.
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Em Ibiporã, o mais recente edital lançado pela gestão do prefeito "que não deixa ninguém para tráz" desenha um cenário alarmante de desconexão com a realidade e inversão de valores.
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Enquanto a saúde pública municipal agoniza em uma UTI virtual, o governo se prepara para torrar quase meio milhão de reais em decoração natalina.
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O edital em questão estabelece a contratação de serviços de engenharia para a implantação da chamada “Rua dos Anjos”, uma alegoria que integrará a programação oficial do Natal do município.
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O valor máximo total fixado para a empreitada é de impressionantes R$ 427.837,38. A disputa de lances está marcada para o dia 21 de setembro de 2026, às 09h00.
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O projeto prevê a fabricação, o transporte, a montagem e a instalação de seis pórticos metálicos decorativos, com direito a bases de concreto armado, esculturas iluminadas, infraestrutura elétrica e um moderno sistema de iluminação em LED.
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Tudo isso sob um prazo de execução de 90 dias e vigência contratual de um ano. Para o cidadão que aguarda meses por uma consulta com especialista, que enfrenta madrugadas frias em busca de atendimento ou que se depara com a crônica falta de medicamentos básicos nas farmácias municipais, a leitura desse edital soa como um deboche.
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Quase R$ 430 mil convertidos em ferro, concreto e lâmpadas piscantes para adornar uma única via pública por poucas semanas.
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Pergunta-se, sem meias-palavras: até quando a pirotecnia visual e o marketing político das festividades sazonais serão colocados em primeiro plano, enquanto a integridade física e o direito constitucional à saúde da população permanecem relegados ao segundo escalão de importância?
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Não se trata de ignorar o valor cultural ou o potencial de fomento ao comércio que as festas de fim de ano possuem. Trata-se de senso de proporção e urgência humana. Anjos de metal não salvam vidas, não estancam dores e não suprem a ausência de médicos nos postos de saúde.
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Para que se compreenda a gravidade da escolha da administração de José Maria Ferreira, é preciso traduzir a dinheirama dos portais de LED para a linguagem das necessidades básicas da população.
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O montante de R$ 427.837,38 não é apenas um número abstrato em um diário oficial; ele representa recursos reais que poderiam transformar o cotidiano de quem sofre nas filas de atendimento.
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Se esse quase meio milhão de reais fosse integralmente revertido para a saúde, o município de Ibiporã poderia, por exemplo, financiar: Mais de 10.000 consultas com médicos especialistas (considerando o valor médio pago via consórcios públicos de saúde).
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Cerca de 4.000 exames de alta complexidade, como ressonâncias magnéticas e tomografias computadorizadas, reduzindo drasticamente as longas e dolorosas filas de espera que travam diagnósticos vitais.
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Mais de 15.000 frascos de medicamentos essenciais ou caixas de antibióticos para abastecer as farmácias básicas dos postos de saúde, que frequentemente deixam os pacientes de mãos vazias e receitas inúteis no bolso.
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Colocado sob a luz fria da realidade, o cálculo da prefeitura se torna ainda mais cruel: cada anjo de metal instalado na rua equivale a milhares de exames negados ou postergados na mesa da Secretaria de Saúde.
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O prefeito valoriza mais o monumento estéril ao alívio da dor alheia. Isto é pensar Ibiporã? É zelar pelos seus cidadãos?
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O brilho artificial do LED, por mais reluzente que seja, é incapaz de mascarar as sombras que pairam sobre a gestão da saúde em Ibiporã.
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O veredicto que se extrai de mais este absurdo administrativo é claro. Na balança de prioridades da administração José Maria Ferreira, a maquiagem urbana e o espetáculo efêmero pesam mais do que a dignidade diária do munícipe.
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Resta saber até quando a sociedade civil e os órgãos de fiscalização aceitarão passivamente que o dinheiro do contribuinte seja queimado em futilidades estéticas, enquanto o essencial padece à míngua.
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Acorda Ibiporã!

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