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Sabado, 29 de Agosto de 2026
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Mudança no Executivo de Ibiporã Levanta Questionamentos sobre Uso da Máquina Pública em Período Eleitoral

A vice-prefeita de Ibiporã, Maricélia Soares de Sá, assume o comando do Executivo municipal nesta segunda-feira (31)

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Mudança no Executivo de Ibiporã Levanta Questionamentos sobre Uso da Máquina Pública em Período Eleitoral
📸Reprodução/Instagram
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   A manobra política em pleno período eleitoral levanta suspeitas sobre o uso da estrutura pública para beneficiar a campanha a deputado estadual de Rafael Eik Ferreira, filho do prefeito e presidente da Câmara Municipal.  Em um movimento inédito em sua trajetória política recente, o prefeito de Ibiporã, José Maria Ferreira, oficializa nesta segunda-feira (31), às 17h, a transmissão temporária do cargo para a sua vice, Maricélia Soares de Sá.

   O afastamento por 30 dias justifica-se, formalmente, pelo gozo de férias anuais remuneradas. No entanto, a decisão de se ausentar justamente em pleno período de campanha acendeu o debate nos bastidores políticos locais.  Informações de bastidores apontam que as férias do chefe do Executivo têm como objetivo principal dar total liberdade para que ele encorpe a campanha de seu filho, o presidente da Câmara Municipal Rafael Eik Ferreira, que concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná.

   Há relatos, inclusive, de que servidores em cargos comissionados cogitam solicitar licença para cumprir compromissos políticos em arregimentação de votos para o candidato da família. Isto porque alguns vereadores da base, não vão trabalhar para o filho do alcaide dado aos compromissos assumidos anteriormente com outros deputados.  Este seria o motivo pelos quais o prefeito deixou de atender a demanda de alguns, criando um clima de animosidade que poderá se reverter após o período eleitoral.

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   Pelo menos dois vereadores da base, descontentes com as solicitações de demandas ignoradas, e não atendidas pelo prefeito, relataram a nossa reportagem que pode mudar o cenário político no restante deste mandato de José Maria e seu relacionamento com o Legislativo. "O que o prefeito vem fazendo desde que teve ciência que já tínhamos candidato, é pura retaliação! Ele tem que estar ciente que o seu mandato ainda não terminou", relatou um deles. 

O Alerta Jurídico: Os Riscos do Uso da Máquina Pública
   Embora o prefeito esteja legalmente amparado ao gozar férias, o cenário exige vigilância extrema das autoridades e da sociedade civil. A legislação eleitoral brasileira proíbe estritamente o uso da máquina pública para favorecer candidaturas, sob o risco de configuração de abuso de poder político e econômico.  
A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina regras rígidas para esse período:
  • Conduta de Comissionados: Servidores em cargos de confiança que queiram atuar ativamente em campanhas devem fazê-lo estritamente fora do horário de expediente ou formalmente licenciados, sem remuneração. O uso do aparato público ou a coerção de subordinados para fins eleitorais é crime.
  • Princípio da Impessoalidade: Recursos, bens móveis, imóveis ou canais de comunicação oficiais do município não podem, sob hipótese alguma, ser vinculados a candidatos.
   As punições para o descumprimento dessas normas variam desde multas pesadas até a cassação do registro do candidato beneficiado e a inelegibilidade dos envolvidos por oito anos.
 
Sujeira nas Ruas: Derrame de "Santinhos"
   Paralelamente às movimentações políticas internas, moradores e pedestres que circularam pelo centro de Ibiporã neste sexta-feira relataram um expressivo acúmulo de material impresso de campanha — os populares "santinhos" — espalhados pelas calçadas. Curiosamente, o material associado ao candidato da situação foi o único visto em grande volume pela cidade até o momento.
 
   O derrame de santinhos, além de causar poluição visual e ambiental, flerta com a ilegalidade. A distribuição de material impresso é permitida até a véspera da eleição, mas o descarte em massa em vias públicas, especialmente na noite anterior ou no dia do pleito (conhecido como "vôo da madrugada"), é considerado crime eleitoral, passível de detenção e multa.
 
   A cidade de Ibiporã entra em uma fase de transição sob os olhares atentos da Justiça Eleitoral e do Ministério Público, que deverão fiscalizar se a linha entre o direito à militância do cidadão José Maria e o uso indireto da estrutura pública da prefeitura não será ultrapassada.
 
 
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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