A assunção temporária de Mari de Sá ao comando da prefeitura de Ibiporã, durante as "férias eleitorais" do prefeito José Maria (PSD), trouxe à tona o clássico espetáculo do marketing político descolado da realidade. Em apenas 24 horas no cargo, a prefeita em exercício correu para as redes sociais para registrar o "primeiro dia de trabalho", posando estrategicamente no gabinete e em visitas técnicas. As redes sociais foram inundadas com a clássica cartilha do oportunismo eleitoreiro: fotos posadas no gabinete, promessas de "mostrar serviço" e visitas estratégicas a canteiros de obras.
O que seria uma rotina administrativa virou um espetáculo de relações públicas que beira o cômico — para não dizer o trágico. O objetivo é claro: vender a imagem de dinamismo e proatividade para um mandato relâmpago de apenas 30 dias. No entanto, a tentativa de mostrar serviço esbarrou em uma contradição flagrante.
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A grande ironia da encenação reside na escolha do cenário. Entre as inúmeras obras municipais travadas, atrasadas e esquecidas que castigam Ibiporã, a prefeita em exercício ignorou solenemente dar qualquer tipo de satisfação ou justificativa sobre a lentidão crônica da gestão da qual faz parte. E o titular da cadeira Executiva frequentemente evita esclarecer os entraves sem qualquer justificativa ou plano de ação. Será que vai seguir assim por parte da nova comandante?
O símbolo máximo desse descaso e da morosidade administrativa está na própria sede do Executivo. A reforma do prédio da Prefeitura de Ibiporã arrasta-se há quase quatro anos. O que deveria ser uma modernização ágil transformou-se em um canteiro interminável de promessas acumuladas, prazos estourados e adiamentos sucessivos, fazendo com que a estrutura pública siga sem qualquer previsão real de reinauguração. Diante de um elefante branco desse tamanho dentro da sua própria casa administrativa, o silêncio da prefeita interina é ensurdecedor. Isto sem falar nas denúncias de irregularidades que já chegaram ao Gepátria.
Em vez de enfrentar o desgaste, dar satisfação à comunidade sobre os gargalos locais ou justificar a paralisia do Paço Municipal, a vice-prefeita optou pelo caminho mais confortável da conveniência política. O ápice do deslize ético foi a escolha da obra visitada para ilustrar seu "compromisso".
Mari de Sá fez questão de exibir justamente o único canteiro que avança rigidamente dentro do cronograma. A ironia é gritante: o empreendimento não é de responsabilidade da prefeitura. Trata-se de um investimento de R$ 8,3 milhões do Governo do Estado do Paraná, planejado e coordenado pela Fundepar (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional).
Ao focar seus holofotes em um projeto estadual de sucesso para camuflar o marasmo da infraestrutura municipal e o fracasso cronológico da reforma da própria prefeitura, a chefe interina do Executivo incorre em uma tática oportunista. Buscar notoriedade e autopromoção em cima de realizações e cifras alheias é um desserviço à transparência. Governar exige mais do que capturar a eficiência dos outros em fotos de redes sociais; exige a coragem de assumir e destravar o que está parado sob a sua própria responsabilidade.
Ao que parece, a seriedade da vice, apresentada enquanto vereadora pode ter se sido contaminado com "vírus da mídia fake" já que é prática comum nesta administração, fazer festa com chapéu dos outros. Um caminho perigoso para quem pretende ser candidata a sucessão do atual prefeito. A dúvida é... com esta forma de fazer política, será que emplaca? A história já mostrou por duas vezes que, aqui... não! Definitivamente, falta uma assessoria de imprensa que enxergue além do arroz com feijão e não exponha a chefe do executivo ao ridículo.
Pegar carona em realizações estaduais para faturar dividendos políticos locais não é apenas uma falha de contextualização; é uma confissão velada de incompetência na gerência das próprias demandas da cidade. Ao tentar angariar notoriedade com o chapéu alheio e silenciar sobre o cemitério de obras municipais emperradas, a prefeita interina subestima a inteligência do cidadão de Ibiporã, que sabe muito bem distinguir o que é trabalho sério da prefeitura e o que é mera propaganda de conveniência.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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