Caros cidadãos e eleitores caros. Tenho avaliado até onde vale a pena debrucar-me neste teclado e o tempo disposto nele a expressar aqui os efeitos que a política produz no comportamento ético do ser humano. E nem Sigmund Freud talvez conseguisse explicar tais mudanças. Quem sabe talvez por viver num tempo em que a corrupção não era tão escancarada, e que a palavra dada era o ponto final no fio do bigode.
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Ao confrontar as manifestações públicas anteriores do vereador Professor Mohamed El Kadri (PL) com o seu recente alinhamento ao pacote de endividamento da Prefeitura, o que se observa é uma nítida mudança de prioridades políticas e fiscais.
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O parlamentar, que construiu parte de sua imagem pública sob a promessa de exercer um mandato rigoroso e focado no zelo pelas normas institucionais, agora adota um discurso que flexibiliza as contas do município em nome da governabilidade. Senão vejamos sua postura do rigor técnico à flexibilização fiscal.
O Discurso de Ontem (Defesa Pró-Arrecadação e Legalidade): Em pronunciamentos anteriores na tribuna da Câmara Municipal de Ibiporã — como na discussão sobre a revisão da Planta Genérica de Valores do IPTU —, o Professor Mohamed subia ao púlpito para defender posições impopulares sob o argumento técnico de que o Legislativo “não está aqui para agradar ninguém, mas para fazer a coisa certa”.
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Naquela oportunidade, seu foco estava voltado para evitar a “renúncia de receita” e garantir que o município seguisse rigidamente as notas técnicas e orientações fiscais dos órgãos de controle. Muito bem!!!
A Prática de Hoje (Aval para o Endividamento): Ao dar voto favorável ao Projeto de Lei nº 014/2026, que autoriza um empréstimo de até R$ 23 milhões junto ao Banco do Brasil, esse mesmo rigor com o futuro financeiro da cidade foi colocado em segundo plano.
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O argumento da “coisa certa” e da prudência contábil foi substituído pela chancela a um modelo que compromete as receitas correntes do município como contragarantia, elevando a dívida consolidada autorizada nesta gestão para patamares preocupantes.
A Troca da Fiscalização pela Agenda de Obras
Outro ponto de forte contraste reside no foco de sua atuação legislativa. Enquanto em seus discursos institucionais o vereador enfatizava pautas estruturais, inclusão social e políticas para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), suas manifestações recentes passaram a orbitar fortemente em torno de cobranças por pequenas obras de zeladoria urbana e agradecimentos públicos ao Poder Executivo — como os registros de gratidão pela agilidade na roçagem de espaços públicos como temos visto. Motivos de chacota, anos atrás...quando era simples eleitor...
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Essa transição da postura de um auditor crítico para a de um parlamentar que celebra o cronograma de asfalto e manutenção do prefeito ajuda a explicar sua complacência com o endividamento. Para este colunista que o admirava antes de assumir a cadeira, restou a decepção.
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Ao priorizar a entrega rápida de melhorias viárias e a compra de áreas de terra, o Professor Mohamed acabou sendo absorvido pela mesma cartilha política que antes criticava veladamente: a de que obras visíveis justificam qualquer preço financeiro, mesmo que esse preço seja uma conta de quase R$ 100 milhões a ser herdada pelos futuros prefeitos e cidadãos de Ibiporã. Na política de favores, quem se imposta com isso?
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A reação da oposição local e da sociedade civil diante do endividamento que chega a R$ 98 milhões em Ibiporã expõe uma forte indignação com o contraste entre o endividamento acelerado e a lentidão dos serviços básicos.
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Enquanto o parlamento opera em ritmo de quase unanimidade para aprovar novos créditos, as ruas, portais locais e redes sociais começam a ecoar as críticas contra o que chamam de “paralisia administrativa” e falta de resolutividade.
A Ofensiva da Oposição: Alerta de Colapso Orçamentário:
A oposição política encontrou voz ativa nos pronunciamentos e dados levantados pelo vereador Hugo Furrier (MDB). Ele atua como o principal canal institucional desse descontentamento e detalha os impactos reais da dívida apontando uma grave incoerência institucional: a prefeitura é extremamente veloz e eficiente para contrair dívidas, mas se arrasta de forma inaceitável para resolver demandas históricas e básicas da população.
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A comunidade e a mídia local começaram a expor publicamente a fragilidade de vereadores governistas, agora incluindo o Professor Mohamed. Os demais já vinham compromissados desde a eleição. Estes mesmo que hoje reclamam não serem atendidos, como Rafael da Farmácia que trocou o certo pelo duvidoso. E ainda ficou rotulado como "traíra" do partido que o acolheu!
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Triste para não dizer cômico, é o absurdo de parlamentares votarem a favor de empréstimos milionários enquanto simultaneamente reclamam que suas próprias indicações de melhorias urbanas são ignoradas pelo prefeito. Vão vendo como a banda toca. A postura do Executivo só pode ser interpretada como "retaliação" aos nobres já declarados que possuem seus candidatos a deputados e não vão com o filho do prefeito!
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Carta queimada!...revelou um dos vereadores, referindo-se ao escândalo da compra e venda milionária de imóveis envolvendo o prefeito e os filhos denunciados pelo Gaeco e o Ministério Público do Paraná.
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Lideranças comunitárias começam a questionar a viabilidade técnica e a real prioridade das linhas de aplicação defendidas pelo Executivo, que misturam asfalto e aquisição de terras com promessas vagas de fomento econômico. A passividade da maioria da Câmara Municipal de Ibiporã diante do salto da dívida pública para quase R$ 100 milhões transformou o gabinete de Hugo Furrier no único polo de resistência institucional.
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Contudo, a pressão popular nas redes e as cobranças por serviços básicos não entregues indicam que o discurso de “obras a qualquer custo” começa a enfrentar forte resistência dos pagadores de impostos da cidade. Ninguém engoliu a tal Planta Genérica de Valores a não ser os vereadores que por motivos óbvios, cada um teve "seu motivo" para votar!
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A reação da oposição local e da sociedade civil diante do endividamento que chega a R$ 98 milhões em Ibiporã expõe uma forte indignação com o contraste entre o endividamento acelerado e a lentidão dos serviços básicos. O novo empréstimo de R$ 23 milhões não é visto como uma “doação”, mas como um dreno financeiro que compromete diretamente a receita corrente do município.
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A crítica central da oposição denuncia que as parcelas e juros futuros vão confiscar recursos que deveriam manter postos de saúde abastecidos, escolas funcionando e a folha de pagamento dos servidores municipais em dia.
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A comunidade e a mídia local começaram a expor publicamente a fragilidade de vereadores governistas, incluindo o Professor Mohamed. Críticos destacam o absurdo de parlamentares votarem a favor de empréstimos milionários enquanto simultaneamente reclamam que suas próprias indicações de melhorias urbanas são ignoradas pelo prefeito.
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Quando o Legislativo funciona como um mero "carimbador" de projetos do Executivo, ocorre uma grave distorção da democracia representativa. O vereador, eleito para defender os interesses da comunidade e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos , abdica do seu papel constitucional em troca de uma falsa proximidade com o gestor municipal.
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O problema se agrava no momento em que esses parlamentares precisam de respostas para demandas básicas da população — como melhorias na saúde, infraestrutura ou educação — e recebem o silêncio ou a recusa em retribuição.
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Esse descaso evidencia que, para o prefeito, que tem o filho na presidência, o apoio irrestrito na Câmara é tratado como obrigação, e não como uma parceria de igual para igual. O vereador passa a ser visto apenas como um mero instrumento para garantir a governabilidade, sendo descartável no que tange à execução de suas próprias propostas.
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Já vimos isso ocorrer lá atrás e vai acontecer de novo. A primeira grande lição é que bajulação política não se converte em conquistas para a cidade. Vereadores que abrem mão de sua independência política perdem força de barganha e a capacidade real de transformar as necessidades de seus eleitores em políticas públicas efetivas. Torna-se somente um "pau mandado"!
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O episódio reforça que o papel fiscalizador não é opcional. Quando o Legislativo não cobra o Executivo de forma rigorosa e transparente, abre-se espaço para a ineficiência administrativa e o distanciamento entre os governantes e a sociedade. O parlamentar que vota em todas as pautas do prefeito (muitas vezes impopulares) e não consegue entregar melhorias para o seu reduto eleitoral, sofre um desgaste político irreversível. A população percebe a falta de autonomia e o descumprimento de promessas de campanha.
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Fica evidente que o mandato do vereador deve estar atrelado às demandas da sociedade, e não aos interesses de ocasião do prefeito. A independência e o diálogo com os cidadãos são ferramentas mais sólidas de sustentação política do que o alinhamento cego ao gabinete do prefeito.
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Mas isso, por mais inteligente que o vereador pareça, ignorar apostando na memória curta do eleitor é um risco. O eleitor só é trouxa até onde lhe convém! Acorda, Ibiporã!

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