O comportamento do vereador de Ibiporã, Pedro Chimentão expõe uma contradição flagrante que flerta com o puro oportunismo eleitoral. Ao subir à tribuna para manifestar "preocupação" com cobranças indevidas em mutirões de castração "em municípios da região", o parlamentar adota uma postura perigosamente vaga e conveniente.
Se o vereador tem conhecimento de irregularidades que ocorrem fora de Ibiporã e decide focar seu mandato nelas, ele está claramente legislando no lugar errado. O compromisso prioritário de um vereador deve ser com o cidadão que o elegeu e com a fiscalização dos recursos do seu próprio município.
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Por outro lado, ao exigir publicamente uma fiscalização mais rígida sobre esses convênios, Chimentão planta uma semente de desconfiança: ele suspeita ou sabe de algo ilícito ocorrendo na própria cidade? Se sim, por que não dá nomes aos bois? O papel do legislador não é lançar suspeitas genéricas ao vento para criar pânico ou engajamento; é investigar, apresentar provas e denunciar formalmente aos órgãos competentes.
Disparar falas ambíguas que sugerem problemas "em algum lugar" serve apenas para confundir a população. O timing dessa súbita e nebulosa preocupação com a causa animal também não esconde sua real motivação. Às vésperas do período eleitoral, ostentando sua pré-candidatura a deputado federal, o vereador parece mais interessado em cavar espaço na mídia e construir uma narrativa de "salvador dos animais" do que em resolver problemas reais.
A proteção animal é uma pauta nobre, mas usá-la como trampolim político através de discursos vazios e sem alvo definido é uma afronta à inteligência do eleitor. Ibiporã não precisa de palanque para ambições federais; precisa de vereadores que fiscalizem o próprio quintal com seriedade e transparência. Já tivemos esta experiência no passado e nada em definitivo que não seja paliativo foi feito pela causa animal em Ibiporã, muito embora o atual prefeito tenha recebido dinheiro para isso. (R$ 1 milhão de reais devolvidos pela Câmara).
A omissão voluntária e o jogo de palavras do vereador Pedro Chimentão ganham contornos ainda mais graves quando analisados sob a ótica do cenário político de Ibiporã. Ao preferir o conforto de um discurso genérico sobre "municípios da região" em vez de apontar diretamente as falhas no serviço de castração local, o parlamentar trai a função precípua para a qual foi eleito: fiscalizar o Executivo municipal e zelar pelo dinheiro do contribuinte ibiporãense. Não se tem notícia de que cobre do prefeito um centro de zoonoses.
Ao sugerir uma fiscalização preventiva sem apontar fatos concretos, Chimentão adota uma estratégia comum na velha política local: cria-se uma fumaça de desconfiança para desgastar adversários ou posar de paladino da moralidade, mas sem assumir o ônus de uma denúncia formal e fundamentada.
Se há indícios de cobrança indevida nos convênios de Ibiporã, o silêncio obsequioso do vereador em relação a nomes e locais o torna cúmplice da falta de transparência. Se não há, ele usa a tribuna da Câmara para importar problemas alheios, esvaziando a relevância do debate público local.
Essa postura de "atirar para todos os lados sem acertar nenhum alvo" tem endereço certo: a busca por holofotes na imprensa regional e o fortalecimento de sua imagem para a disputa a deputado federal. Ibiporã deixa de ser a prioridade do mandato e passa a ser tratada meramente como um palanque provisório, um trampolim político.
O eleitor local, que convive diariamente com as demandas reais e estruturais da cidade, não pode aceitar que a causa animal seja instrumentalizada como peça de propaganda eleitoral por quem já está com os olhos voltados para Brasília ou apenas engordando o leitão com fundo eleitoral.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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