CAMINHO PARA O APRIMORAMENTO
Paredes mudas e as horas passando incolores.
Silêncio... porém muitos ruídos ao redor.
Ruídos que nada fazem para melhorar
o contínuo marchar das horas
marcadas pela indiferença das paredes mudas
e janelas tediosas,
dos tetos sem estrelas e sem refrigérios.
Essa sim é vida contemplativa feita de rotina
gritante.
Simplesmente sim... é vida de parasitosa beatitude
e contemplação!...
Sem finalidade na trajetória.
E o ser frágil que vive entre as paredes
de um aposento frio e hostil
quase já curvando-se diante da imobilidade
em que está o seu pensar, o seu sentir.
Não... não existe vislumbre algum de modificação.
O panorama permanece carregado de pensamentos
embotados,
de mãos inoperantes.
Pensamentos... mãos que tateiam no vazio surdo,
no escuro país do âmago profundo...
Tão perto... e tão longe!...
Perto, porque sente-se o seu real pulsar.
Longe, porque a cada momento torna-se
Incompreensível.
E o ser frágil está jogado dentro
desse labirinto...
As vezes tão misterioso, as vezes tão solitário,
as vezes tão alegre, as vezes tão cheio de paz!...
E bem mais vezes tão insuportáveis de aguentarem-se
os seus ecoares ferindo, infiltrando-se,
e impregnando-se nos moveres do caminho para o aprimoramento.

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