Em uma demonstração de prioridades, no mínimo, questionáveis, a Câmara Municipal de Ibiporã selou o destino de sete lotes públicos e de uma década de arrecadação de impostos. Com a aprovação definitiva do Projeto de Lei nº 029/2026, de autoria do prefeito José Maria, o município entregará patrimônio público e concederá uma generosa isenção de IPTU por 10 anos à MCO Loteadora e Incorporadora Ltda. Tudo isso sob a justificativa de expandir a área de lazer do Lago dos Tucanos.
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A proposta, que passou pelo crivo do Legislativo com o voto contrário solitário do vereador Hugo Furrier, levanta um questionamento inevitável: em tempos de vacas magras e constantes reclamações sobre as finanças municipais, como o Poder Executivo se dá ao luxo de abrir mão de receitas tributárias por uma década inteira?
O negócio consiste em uma permuta: a prefeitura repassa sete imóveis do patrimônio dos cidadãos para receber uma área de pouco mais de 10 mil metros quadrados da incorporadora. Mas o verdadeiro "bônus" para a empresa privada está no benefício fiscal embutido no pacote. Ao garantir a isenção temporária do IPTU sobre outro imóvel da loteadora, a administração pública escolhe deliberadamente esvaziar os cofres municipais que deveriam custear serviços essenciais, como saúde, educação e infraestrutura urbana básica.
Tratar uma expansão de área de lazer como prioridade absoluta a ponto de sacrificar receita de longo prazo soa como um acinte ao contribuinte de Ibiporã. O cidadão comum, que vê o carnê do seu próprio IPTU chegar pontualmente todos os anos sem qualquer chance de anistia, agora assiste à prefeitura estender um tapete vermelho tributário para o setor imobiliário.
A aprovação desse projeto escancara uma inversão de valores na gestão pública local. Enquanto o caixa do município amarga dificuldades e a população cobra melhorias que nunca chegam por "falta de verba", para as grandes corporações, a prefeitura sempre encontra um jeito de viabilizar acordos altamente vantajosos — e com o carimbo de aprovação da maioria dos vereadores. E você, cidadão de Ibiporã que paga seus impostos anualmente: _O que acha disso?
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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