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Brasil comemora 40 anos do primeiro título mundial da categoria

Há exatos 40 anos, Nelson Piquet tinha o desafio de superar Carlos Reutemann e conquistar o título

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Brasil comemora 40 anos do primeiro título mundial da categoria
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O automobilismo brasileiro está comemorou ontem os 40 anos do título mundial de Fórmula 1 conquistado pelo piloto  Nelson Piquet em 17 de outubro de 1981. Os bons tempos da velha Fórmula 1. O ano anterior tinha terminado numa briga pelo título encerrada com abandonos nas duas últimas corridas.
Alan Jones e a Willians levaram a melhor na frente de Nelson Piquet e a Brabham, mas as equipes não encerrariam as rivalidades por alí. O ano de 1981 estava na esquina e entregou uma nova briga. Desta vez, entretanto, o desfecho seria diferente. Há exatos 40 anos, num domingo 17 de outubro, Piquet conquistou o primeiro de seus três títulos mundiais de Fórmula 1 para o Brasil.
Fórmula 1 viva momento político de mudanças e muitas aspirações sobre o controle para o futuro, mas na pista tudo começou sem mudança: Jones venceu a abertura do campeonato, no GP do Oeste dos Estados Unidos – Mundial começaria e terminaria no país. Carlos Reutemann, companheiro de Jones na equipe de Frank Williams, ganhou a segunda corrida, no Brasil. Piquet venceu as duas seguintes, Argentina e San Marino.
Apesar do desenho de Williams e Brabham, Alain Prost e Jacques Laffite, então pilotos de Renault e Ligier, ainda tinham aspirações de título após 13 corridas das 15 corridas válidas pelo campeonato. Reutemann liderava com três pontos de vantagem para Piquet, 49 a 46; Prost e Jones tinham 37 e Laffite, 34. Eram outros tempos, e cada vitória valia nove tentos. O Mundial estava de partida para a América do Norte, correr no Canadá e em Las Vegas.

No Canadá, Laffite venceu, Piquet foi quinto colocado e os outros três sequer pontuaram. Prost e Jones deixaram a briga matemática antes do GP de Caesars Palace, mas o título ainda estava para o jogo nas ruas iluminadas do deserto de Mojave. O calendário imaginava uma ida a Watkins Glen, mas a pista passava por séria crise financeira e deixou de fazer parte do campeonato. A pista de Vegas foi estabelecida em menos de dois meses. Tão jovem era o circuito que jamais tinha recebido nada parecido a um evento de corrida: tanto que houve um treino livre extra, na quarta-feira – é preciso recordar que a corrida foi num sábado, então todo o calendário do evento foi adiantado em um dia com relação ao normal.

A largada em Las Vegas 1981 – Reutemann vem à frente (Foto: Reprodução/Pinterest)

A sexta-feira terminou com Reutemann na pole-position e Jones em segundo, trancando a primeira fila para a Williams. Mas os dois não tinham relacionamento positivo: Jones estava deixando a Fórmula 1 e ainda guardava ressentimento do fato de Reutemann ter ignorado ordens de equipe para ceder a vitória no Brasil, o que começou a afirmação interna do argentino de que não trabalharia como segundo piloto por mais uma temporada. A questão é que essa proteção era apenas teórica.

Villeneuve fez largada agressiva – mais tarde seria desclassificado da corrida por formar fora do colchete, para a esquerda – e ultrapassou Reutemann: ‘Lole’ caiu da pole após a saída lenta e viu o companheiro de equipe Jones assumir a dianteira com Gilles em segundo. Alguns metros depois, Prost e Bruno Giacomelli também passaram por ele – e Piquet. Era um começo terrível para o líder do Mundial, mas com Piquet e Laffite seguiam atrás e o campeonato estava ainda nas mãos dele. A largada foi bastante movimentada fez com que a primeira volta terminasse com Lole em quinto, Laffite e Piquet em sétimo e oitavo, respectivamente.

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Jones sobrava na frente e Villeneuve não conseguia acompanhar, formando uma fila de carros até que começou a ser ultrapassado algumas voltas depois. Os primeiros colocados se moldavam e os abandonos apareciam: Patrick Tambay deixou a corrida após uma pancada de Andrea de Cesaris e os problemas de confiabilidade surgiram para Elio de Angelis, René Arnoux e Eddie Cheever. Continuariam aparecendo ao longo da prova.

Mas o primeiro grande momento pensando em campeonato veio na volta 17 de 75: Piquet ultrapassou um lento Reutemann, que mostrava enormes dificuldades, e assumiu a sétima colocação. Em 1981, entretanto, a sétima colocação não rendia ponto. Nelson tinha de tirar um de desvantagem para o piloto da Williams. O primeiro ponto surgiu logo em seguida, quando Villeneuve rodou e abandonou muito antes de ser desclassificado. O que não significava que a corrida estava mais fácil: Mario Andretti logo ultrapassaria, mas o estadunidense logo ajudou o brasileiro ao pressionar Giacomelli e empurrá-lo para o lado.

Carlos Reutemann terminou atrás de Nelson Piquet na corrida e perdeu o título (Foto: Williams)

Em seguida, também ficaria pelo caminho com uma quebra de suspensão. Uma decepção para a transmissão e o público locais. Após 30 voltas, Piquet era quarto colocado e estava atrás do Líder Jones, de Prost e Laffite. Prost teve problema com o desgaste de pneus e perdeu tempo, mas andava bem rápido e recuperou as posições. Piquet sabia que estava fazendo o suficiente para o título e evitou se defender com mais energia do que era prudente.

As coisas foram ficando ainda melhores quando Giacomelli finalmente voltou aos pontos e ultrapassou Reutemann pelo sexto posto. O argentino não tinha ritmo para se recuperar e tinha de contar apenas com a sorte de lá para a frente. E a sorte chegou a esboçar um sorriso: Nigel Mansell e Giacomelli passaram o brasileiro e o empurraram para o sexto lugar. Em sexto e sem Lole nos pontos, os dois empatavam e as vitórias garantiam o título a Piquet. Reutemann vinha em sétimo, é verdade, mas quase 20s atrás.

John Watson ultrapassaria Carlos mais tarde, novamente tirando o líder do Mundial dos pontos – neste momento, o desgaste dos pneus da Ligier também fez Laffite cair, mas o francês se recuperaria e voltaria a passar Reutemann.

Prost tirou boa margem da frente de Jones, mas não chegou: o campeão de 1980 ainda venceu e o francês ficou em segundo. Apesar da recuperação impressionante, Giacomelli não chegou até Prost e ficou com a Alfa Romeo na posição final do pódio. Mansell foi quarto, o melhor resultado da carreira até ali. Piquet, em quinto, confirmou o que se desenhava: o título mundial de 1981. Laffite foi sexto e Reutemann, oitavo.

Àquela altura, Piquet tinha seis vitórias e se tornava campeão aos 29 anos no que era apenas a terceira temporada completa na Fórmula 1. Ao longo dos próximos dez anos, quando saiu do Mundial, venceu mais 17 corridas e conquistou dois outros títulos: 1983, ainda com a Brabham, e 1987, com a antes rival Williams. Quando saiu de cena, no fim de 1991, tinha 204 corridas e estava consolidado como um dos maiores pilotos de todos os tempos.

 
 
 
 
 
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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