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Sabado, 04 de Julho de 2026
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O lema do prefeito diz uma coisa, mas o caminhão da coleta faz outra

Sumiu e deixou todo mundo para trás, soterrado em sacos de lixo.

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O lema do prefeito diz uma coisa, mas o caminhão da coleta faz outra
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    Mais de 20 dias. Esse é o tempo que a Vila Rural de Ibiporã está experimentando uma nova e exótica modalidade de decoração urbana: montanhas de sacos plásticos, aromas intensos e um verdadeiro safári de insetos, pestes e pragas. O caos está instalado, a saúde pública corre perigo, mas o cidadão pode respirar fundo (se conseguir aguentar o cheiro) e lembrar do lindo lema do prefeito José Maria: "Não deixar ninguém para trás".
 
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   De fato, o lema está sendo cumprido à risca. Ninguém ficou para trás. O lixo também não ficou para trás — continuou exatamente onde foi deixado, acumulando-se nas calçadas e servindo de banquete para os mosquitos.
 
    A justificativa de bastidores para esse cenário digno de um filme pós-apocalíptico? O contrato com a empresa de coleta está chegando ao fim e todos aguardam uma nova licitação. É uma lógica fascinante: o contrato ameaça acabar, a coleta simplesmente tira férias coletivas antecipadas, mas adivinhe o que não tira férias? A taxa de lixo!
   Essa segue pontual, descontada mensalmente do bolso do contribuinte, provando que a burocracia da prefeitura funciona muito bem na hora de receber, mesmo que esqueça a parte do recolher.   Como se não bastasse o lixo na porta, o morador de Ibiporã vive outros dramas "sem ninguém ficar para trás":
  • IPTU Inflacionado: Impostos com preços de condomínio de luxo, mas com a entrega de uma infraestrutura básica que beira o zero.
  • Apagão do Transporte: Ônibus sumindo das linhas, horários alterados sem explicação e tarifas com reajustes misteriosos. Quem precisa ir ou voltar de Sertanópolis aos domingos descobriu que o direito de ir e vir virou artigo de luxo extinto.
  • Abandono Industrial: Trabalhadores de cooperativas e empresas do parque industrial foram deixados sem transporte, sem aviso prévio e sem explicações, tendo que adivinhar como voltar para casa depois de um dia duro de trabalho.

    Diante disso, o silêncio reina. O prefeito não se pronuncia. Os vereadores parecem ter entrado em um voto coletivo de silêncio e cegueira seletiva. Nenhum defende o povo.  Resta ao cidadão indignado buscar alternativas criativas. O que fazer com o lixo acumulado de quase um mês?
  1. Despejar tudo nos lagos da cidade para ver se flutua?
  2. Organizar um mutirão e jogar os sacos diretamente no espelho d'água da prefeitura, transformando-o em um monumento à atual gestão?
  3. Ou quem sabe apelar para a última esperança do município?
    O clamor da população chega as redes sociais até em tom de ironia. No facebook do ex-vereador Kleber Machado, uma página ilustra o descaso com várias fotos de amontoados de lixo e a tarifa da taxa descontada pelo Samae.  Sim, porque quando o poder público desaparece e deixa a população abandonada à própria sorte, só nos resta olhar para o céu e gritar: "Oh! E agora, quem poderá nos defender?". Infelizmente, o Chapolin Colorado era apenas um personagem de TV. Já o descaso com a Vila Rural e com os trabalhadores de Ibiporã é uma triste e fedorenta realidade que por sinal, já foi dado ciência  ao Ministério Público.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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