Mais de 20 dias. Esse é o tempo que a Vila Rural de Ibiporã está experimentando uma nova e exótica modalidade de decoração urbana: montanhas de sacos plásticos, aromas intensos e um verdadeiro safári de insetos, pestes e pragas. O caos está instalado, a saúde pública corre perigo, mas o cidadão pode respirar fundo (se conseguir aguentar o cheiro) e lembrar do lindo lema do prefeito José Maria: "Não deixar ninguém para trás".
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De fato, o lema está sendo cumprido à risca. Ninguém ficou para trás. O lixo também não ficou para trás — continuou exatamente onde foi deixado, acumulando-se nas calçadas e servindo de banquete para os mosquitos.
A justificativa de bastidores para esse cenário digno de um filme pós-apocalíptico? O contrato com a empresa de coleta está chegando ao fim e todos aguardam uma nova licitação. É uma lógica fascinante: o contrato ameaça acabar, a coleta simplesmente tira férias coletivas antecipadas, mas adivinhe o que não tira férias? A taxa de lixo!
Essa segue pontual, descontada mensalmente do bolso do contribuinte, provando que a burocracia da prefeitura funciona muito bem na hora de receber, mesmo que esqueça a parte do recolher. Como se não bastasse o lixo na porta, o morador de Ibiporã vive outros dramas "sem ninguém ficar para trás":
- IPTU Inflacionado: Impostos com preços de condomínio de luxo, mas com a entrega de uma infraestrutura básica que beira o zero.
- Apagão do Transporte: Ônibus sumindo das linhas, horários alterados sem explicação e tarifas com reajustes misteriosos. Quem precisa ir ou voltar de Sertanópolis aos domingos descobriu que o direito de ir e vir virou artigo de luxo extinto.
- Abandono Industrial: Trabalhadores de cooperativas e empresas do parque industrial foram deixados sem transporte, sem aviso prévio e sem explicações, tendo que adivinhar como voltar para casa depois de um dia duro de trabalho.

Diante disso, o silêncio reina. O prefeito não se pronuncia. Os vereadores parecem ter entrado em um voto coletivo de silêncio e cegueira seletiva. Nenhum defende o povo. Resta ao cidadão indignado buscar alternativas criativas. O que fazer com o lixo acumulado de quase um mês?
- Despejar tudo nos lagos da cidade para ver se flutua?
- Organizar um mutirão e jogar os sacos diretamente no espelho d'água da prefeitura, transformando-o em um monumento à atual gestão?
- Ou quem sabe apelar para a última esperança do município?
O clamor da população chega as redes sociais até em tom de ironia. No facebook do ex-vereador Kleber Machado, uma página ilustra o descaso com várias fotos de amontoados de lixo e a tarifa da taxa descontada pelo Samae. Sim, porque quando o poder público desaparece e deixa a população abandonada à própria sorte, só nos resta olhar para o céu e gritar: "Oh! E agora, quem poderá nos defender?". Infelizmente, o Chapolin Colorado era apenas um personagem de TV. Já o descaso com a Vila Rural e com os trabalhadores de Ibiporã é uma triste e fedorenta realidade que por sinal, já foi dado ciência ao Ministério Público.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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