O GAECO - Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e o Ministério Público do Paraná (MP-PR) após deflagrar uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de vender terrenos clandestinos em Ibiporã e movimentar um esquema de lavagem de dinheiro que arrecadou mais de R$ 3,5 milhões de 62 vítimas, prendeu três pessoas.
A identidade dos envolvidos no entanto, não foram divulgados. Mesmo após a prisão dos três principais envolvidos, as investigações não param. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos alvos e bens deles foram bloqueados para ressarcir as vítimas.
De acordo com o Ministério Público , o loteamento clandestino Recanto Água Bonita abrangia uma área de 68.100 m², dividida ilegalmente em 62 lotes de cerca de 1.000 m² cada. Já o loteamento Recanto dos Sonhos ocupava uma área de 36.300 m², subdividida em 23 lotes.
O promotor Jorge Barreto destacou que os empreendimentos eram anunciados como produtos prontos para venda, mas eram comercializados sem licenças ambientais ou alvarás urbanísticos. Os compradores assinavam contratos sem validade legal, o que resultou na perda dos valores investidos por terrenos que não poderiam ser utilizados.
O esquema ilegal
Os líderes do esquema implantaram e venderam lotes em áreas rurais sem qualquer autorização legal . Quando as contas bancárias do grupo foram bloqueadas judicialmente no início do ano e eles foram proibidos de receber quantias pelas vendas, a quadrilha passou a utilizar táticas fraudulentas para continuar extorquindo as vítimas.
Os compradores eram instruídos via comunicados falsos que alegavam “instabilidade bancária” . Eles então direcionavam os pagamentos das parcelas via Pix para o CNPJ de uma empresa de fachada — aberta em nome da irmã do líder do grupo — ou para o escritório de advocacia da investigada. O rastreamento financeiro do MP revelou que os valores depositados pelos clientes eram rapidamente transferidos e integrados ao patrimônio pessoal da advogada.
Operação e Ameaças
A investigação conduzida pelo GAECO revelou ainda um cenário grave de intimidação e ameaças contra autoridades . Em perícia realizada em telefones celulares apreendidos, o líder do esquema chegou a ameaçar “sumir” com o promotor responsável pelo caso e o grupo monitorou familiares de autoridades, além de cogitar atos violentos contra fiscais e o Fórum da cidade.
Como resultado das apurações, a Justiça determinou a prisão preventiva dos três principais investigados — dois empresários e uma advogada — e bloqueou até R$ 3,5 milhões para garantir o ressarcimento das famílias lesadas.
Detalhes da Investigação
Vítimas: Mais de 60 pessoas foram identificadas como compradores dos terrenos clandestinos.
Prejuízo Estimado: O volume financeiro arrecadado ilegalmente supera a marca de R$ 3,5 milhões.
Envolvidos: Dois empresários, a advogada do grupo e uma “laranja” (irmã do líder).

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