Que a prestação de serviços de transporte público nas linhas internas de Ibiporã é deficiente, toda a população já sabe. Grande intervalos entre uma viagem em outra desestimula o cidadão a utilização do serviço que muitas vezes tem como única opção, cruzar a cidade a pé. Quando não utilizar-se de veículos por aplicativo ou táxi. Vai da emergência e do poder aquisitivo do cidadão. Na outra ponta do problema, o transporte coletivo que, justamente por esta demora, a empresa deixa de ter passageiros e reclama prejuízos.
Mas quando aproxima-se o período eleitoral, aparecem as magias solucionáveis e ideias que produzem milagres advindas de quem? De quem tem interesse político nas medidas que propõe. E lá se vão anos sem ninguém se incomodar com a situação precária do atendimento, e a necessidade de melhorar o serviço. Ninguém se importa, e a questão dos detalhamentos no contrato de concessão das linhas simplesmente não existem e não são cobrados. Quer dizer, até aqui...véspera de campanha eleitoral.
É o momento em que o “milagre acontece”...
Se desde 2021, como bem frisou o vereador Rafael Eik Ferreira em sessão plenária, a Câmara Municipal tem debatido a qualidade do serviço prestado pela empresa que atende o Município e que não há contrato de concessão estruturado com linhas e pontos definidos para o sistema interno.
Muito bem. Porque só agora, passados mais quatro anos o tema volta a discussão? Se de fato é de conhecimento do legislativo que a empresa demonstra pouco interesse em linhas menos rentáveis no perímetro urbano, porque até agora ninguém fez nada a respeito durante todo este tempo? Será que a população só merece atenção em véspera de pleito eleitoral? Será que a iniciativa proposta pelo vereador Rafael Eik Ferreira em defender estudos para “tarifa zero” para o transporte público municipal não leva o rótulo de politiqueiro, considerando que a medida gera alta visibilidade e apelo popular que pode reverter em votos numa campanha eleitoral?
E o jovem vereador, justifica com o discurso veterano do pai prefeito com mais de 50 anos de vida pública: “Fica um custo para o Município? Fica. Mas até onde isso é custo? Até onde isso é investimento? A saúde é custo ou é investimento? A educação é custo ou é investimento?”, questionou num bom politiques.
Em contextos de eleições municipais e, mais recentemente, em debates para cargos estaduais e federais, milagres bancados com dinheiro público, vai sair do bolso do contribuinte. Alguém vai pagar a conta e o dinheiro tem que sair de algum lugar. Revisão da planta genérica de valores, por exemplo, aumento no IPTU, e vai por aí o baú da felicidade. “Graças ao vereador fulano, agora teremos ônibus de graça”, suspira e almeja a população desinformada.
E é passivo que a visibilidade do milagre venha decorrer de vários fatores: A gratuidade do transporte público impacta diretamente o orçamento familiar de milhares de pessoas, tornando-a uma proposta de grande interesse público e fácil comunicação com o eleitorado. Até mesmo os afortunados que saíram da faixa da miséria salvas pelo milagre do desgoverno petista.
Não a toa, o tema ganhou força no debate nacional, com discussões na Câmara dos Deputados e no Senado, e menções por figuras políticas proeminentes como o Presidente Lula e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Isso coloca a proposta em evidência na mídia, naturalmente associando os defensores da ideia ao tema.
Mas aqui, no cantinho de Ibiporã, pode ser apenas mais uma bandeira sem mastro, como o caso da ex-vereador Maria Galera que fez de sua causa, palanque eleitoral comprado pela população que hoje se sente enganada e os animais continuam sem assistência devida e prometida. Cadê o Centro de Zoonoses? Cadê o Canil Municipal? Ficou só no blá-blá-blá... mas deu resultado...a candidata foi eleita!
Logo, usar o transporte coletivo como bandeira política, é ousado, mas possível, desde que o cidadão pague a conta sem saber. Em um cenário de crise no sistema, propor uma solução estrutural ousada como a tarifa zero, onde o prefeito pode entrar como chave central na decisão, permite ao filho, pré candidato, demarcar uma posição de vanguarda e sensibilidade social em detrimento dos demais possíveis candidatos não tem a “máquina pública na mão”, o que sugere ao Ministério Público Eleitoral ficar de orelhas em pé!
Ibiporã, ... não se admire se amanhã ou depois seja convidada a participar de Audiência Pública sobre o assunto; não se admire se a matéria ganhar espaço nas mídias pagas pelo município garantindo espaço e visibilidade ao candidato; não se admire se alguém ligados a movimentos sociais ou ativistas, vierem compartilhar do milagre em apoio ao propositor; e não se admire se o discurso ganhar corpo até ser implantado.
Fosse outro o momento, seria de bom grado! Em resumo, a “tarifa zero” funciona como uma bandeira de campanha eficaz que pode diferenciar um candidato dos demais e atrair a atenção do eleitorado para suas propostas na área de mobilidade e política social. É voto garantido na urna, mas fica a dúvida se não será outro caso “Maria Galera”... resultado nas urnas e ficar só no discurso.

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