A Prefeitura de Ibiporã, via Secretaria Municipal de Saúde, abriu o calendário das Pré-Conferências Municipais de Saúde. O convite é pomposo: reunir lideranças e moradores para construir, a quatro mãos, as diretrizes da saúde pública local. No papel, um exercício de cidadania. Na prática, um monólogo autoritário travestido de debate.
De que serve convocar a comunidade se, ao primeiro sinal de manifestação, a voz do cidadão é silenciada pelo bordão "isso nós já sabemos"? Se a gestão já tem pleno conhecimento das falhas e gargalos, a existência de uma conferência torna-se um contrassenso lógico. Ou a prefeitura sofre de uma inércia deliberada — sabendo dos problemas e optando por não resolvê-los — ou o evento não passa de uma encenação institucional.
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Relatos de participantes e até de membros da comissão apontam para um rito engessado. São as famosas reuniões "pro forma", onde pautas chegam prontas, atas são redigidas previamente e a participação popular é reduzida a um figurante de luxo. Quando o planejamento é "podado" antes mesmo de florescer, a democracia é a primeira a morrer na sala de reunião. E nas reuniões dos conselhos municipais não é diferente onde a presença da imprensa não é "bem vinda".
É um desrespeito flagrante com o cidadão que abdica de seu tempo para contribuir com a gestão pública. O sentimento de quem sai dessas reuniões é de decepção frente a uma política centralizada e avessa ao contraditório. É irônico — e triste — que em um ano cujo tema central é "Saúde, Democracia, Soberania e SUS", a prática local caminhe na contramão de cada uma dessas palavras.
O que se vê em Ibiporã não é a ampliação do diálogo com os profissionais da ponta ou com os usuários do sistema. É a manutenção de uma redoma de vidro que protege uma gestão questionável. Se o objetivo é apenas manter as aparências e sustentar cargos, de maus profissionais blindados pelo gestor, que não gastem o tempo do povo.
Cuidar da saúde em Ibiporã começa por ouvir, de verdade, quem vive a realidade do posto de saúde, e não por silenciar quem tem a coragem de apontar as feridas que a secretaria se recusa a curar. A voz que ecoa das ruas de Ibiporã não pede apenas por reformas pontuais ou novos softwares; ela exige uma mudança de comando.
O clamor pela substituição da atual diretoria de Saúde tornou-se o ponto central das críticas populares, especialmente durante as recentes Pré-Conferências Municipais de Saúde, onde não se pode tocar no assunto.
A população tem manifestado um profundo descontentamento com o que classifica como uma gestão insensível e técnica demais, em detrimento do atendimento humano. Começa com intimidação no cartaz "Desacato ao servidor público é crime"!
Pois digo e repito aqui a célebre frase muitas vezes proferidas pelo zootecnista Paulo Licursi. "Servidor público é empregado do povo. Não bajule...cobre serviço. São pagos para isso!"
A crítica é que a diretoria atual, liderada pela secretária Leiliane de Jesus de Martini Lopes Vilar, prioriza processos burocráticos e investimentos em tecnologia — como o polêmico novo software de saúde de R$ 291 mil — enquanto as queixas sobre a falta de médicos e medicamentos são ignorados no silenciamento da comunidade nas conferências que persistem num roteiro teatral.
A frase "isto nós já sabemos" tornou-se o símbolo de uma diretoria que, no entendimento dos moradores, ouve apenas por obrigação legal, sem abertura real para mudanças sugeridas pela comunidade. Há um questionamento direto sobre a capacidade técnica da equipe em resolver problemas crônicos. O argumento é que, se as falhas são conhecidas há tanto tempo e nada muda, o problema reside em quem planeja e executa as ações.
Num ano que celebra a "Saúde e Democracia", a manutenção de uma diretoria vista como autoritária é apontada como um retrocesso político e uma contradição ao já manjado discurso oficial do prefeito.
Até o momento, a administração municipal tem mantido a equipe, focando em responder às críticas através de ajustes administrativos menores, como o remanejamento de servidores e a atualização de planos para o quadriênio 2025-2028.
No entanto, a pressão popular sugere que, sem uma renovação nos cargos de confiança, a confiança do cidadão no Sistema Municipal de Saúde continuará em queda livre. E isto não é apenas uma opinião critica. É constatação da triste realidade onde cargos de confiança é moeda de pagamento de favores eleitorais (quando não é coisa mais séria)!
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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