Esta não é a primeira vez que abordamos este assunto. E também não deve ser a última. O sistema de saúde pública em Ibiporã enfrenta hoje um paradoxo asfixiante: enquanto as filas de espera para especialistas se alongam, cerca de 30% das consultas agendadas terminam em salas vazias. O impacto dessa inadimplência social é devastador, especialmente em áreas críticas como fisioterapia e neuropediatria — serviços que possuem alto custo operacional e cujas faltas representam um desperdício direto de recursos públicos e uma barreira para quem aguarda uma chance de tratamento.
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Este é um ponto a ser discutido hoje, e assunto para uma séria reflexão da população. Quando um cidadão ignora uma consulta de neuropediatria, ele não está apenas perdendo um horário; ele está, na prática, retirando o direito de outra criança de ser assistida. Esse descaso gera um efeito cascata que infla as demandas reprimidas e sobrecarrega o sistema. Entretanto, culpar exclusivamente a população é olhar apenas para o sintoma, ignorando a doença que corrói a base da administração local.
Desde que reassumiu o mandato em 2021, o prefeito José Maria promoveu um corte drástico na lista de medicamentos ofertados pelo município, gerando grande descontentamento da população necessitada. Isto gerou um grande descrédito na saúde e com o passar dos anos seguintes, acabou por tornar-se um reflexo de uma gestão decadente.
A falta de engajamento da população em reuniões de saúde e o alto índice de faltas podem ser lidos como um sintoma de descredibilidade. Uma administração que, logo em seu início, promove o corte de medicamentos essenciais nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), envia uma mensagem clara de desinvestimento. O cidadão, ao perceber que o "básico" lhe foi retirado, perde o senso de pertencimento e a confiança nas instituições.
Ao perceber isso, a administração municipal tentou reverter o quadro no ano passado com a atualização da Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME) através do Decreto nº 717 de 28 de novembro de 2025 que alterou normas para a "confecção, monitoramento, avaliação e execução" indicando uma revisão periódica. A luz da administração, o que ocorreu não foi necessariamente um corte. Mas a população sentiu.
O modelo "Rafael da Farmácia" foi adotado com o título de "remédio em casa", atividade desenvolvida pelo vereador pelo menos há três décadas, quando assistia (e ainda assiste) a população carente com medicamentos que recebia em doação de laboratórios e particulares. Desta forma, a Câmara aprovou em dezembro de 2025 o programa "Remédio em Casa - Ibiporã" para a entrega domiciliar gratuita de medicamentos de uso contínuo, visando melhorar o acesso.
À partir de março de 2026, através de portaria a prefeitura continua com processos de compra e licitação para a Central de Abastecimento Farmacêutico (CAFI), incluindo medicamentos manipulados. Na tentativa de reorganização, uma nova lista de medicamentos foi aprovada. Porém o corte de insumos lá atrás já havia rompido a confiança entre o usuário e o posto de saúde. (leia-se administração da saúde).
Desta feita, o desestímulo à participação é patente: Por que participar de conselhos ou reuniões se as decisões parecem tomadas contra o bem-estar do povo? Uma consulta de 200 reais perdida (neuropediatria) é um prejuízo financeiro que se soma à má gestão do orçamento municipal.
Conclusão
O combate ao absenteísmo exige educação em saúde e consciência cidadã, mas também requer uma gestão que dê o exemplo. Não se pode exigir compromisso de uma população que se sente desamparada pela falta de medicamentos básicos. A saúde pública só funciona como um pacto: o governo garante o acesso e a qualidade, e o cidadão honra a vaga que lhe é ofertada. Sem essa reciprocidade, o sistema continuará a sangrar recursos enquanto as filas permanecem estáticas.
Situação Atual dos Medicamentos em Ibiporã
- Novas Licitações: Em março de 2026, a prefeitura abriu processos licitatórios (como o Pregão 11/2026 e 17/2026) para a compra de medicamentos para a Central de Abastecimento Farmacêutico (CAFI) e medicamentos manipulados.
- Programa "Remédio em Casa": A Câmara Municipal aprovou recentemente a Lei nº 3435/2025, que institui a entrega domiciliar gratuita de medicamentos de uso contínuo para pacientes cadastrados, visando facilitar o acesso e reduzir filas.
- Receitas Externas: Foi aprovado um projeto de lei que permite à rede pública municipal fornecer medicamentos (restritos à lista RENAME) mesmo com receitas emitidas por médicos particulares ou de convênios.
- Falta de Itens Específicos: Embora existam relatos pontuais de escassez muitas vezes relacionados a problemas de repasse estadual ou federal para medicamentos de "alto custo" — uma fonte na saúde afirma que não há uma política de corte deliberado por parte da prefeitura. Pelo menos que esteja oficialmente documentada até o dia de hoje, quando consultado por esta reportagem.
Apesar dos esforços, a má gestão na saúde é um dos principais fatores que podem comprometer a sucessão administrativa do prefeito, pois a área é frequentemente a maior preocupação da população e um gargalo financeiro municipal. Falhas na atenção primária, filas para exames/cirurgias e falta de transparência geram alta rejeição, prejudicando a imagem do gestor e sua suposta candidata a sucessão.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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