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Terça-feira, 05 de Maio de 2026
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O tribunal da transparência: Quando a carapuça serve na política

O afastamento da política é o único caminho para quem não deseja se expor às consequências da corrupção

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O tribunal da transparência: Quando a carapuça serve na política
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   A vida pública é, por definição, uma existência sob o microscópio. No entanto, em um ambiente de alta corrupção e desvio de recursos públicos, que afeta diretamente o desenvolvimento seja do município, ou seja da nação afetando a eficiência dos serviços à população, a exposição social transforma-se em um mecanismo de “justiça” — muitas vezes cruel e desproporcional, mas quase sempre um reflexo das próprias condutas dos agentes.

   Este foi um tema abordado por alguns vereadores esta segunda feira na Câmara Municipal de Ibiporã. Em situações distintas, o vereador Hugo Furrier (MDB) e Pedro Chimentão (Republicanos) abordaram temas como o "fenômeno do linchamento virtual”. Este tipo de "julgamento antecipado" faz parte da "cultura de fiscalização" a qual atinge severamente a saúde mental de alguns políticos. Porém a indignação da sociedade não surge em um vácuo, mas de rastro deixados nas entrelinhas das atividades parlamentares.

   Frequentemente, ela é o resultado acumulado de denúncias de corrupção, “rachadinhas”, lavagem de dinheiro ou prevaricação.  Esta é a questão principal e não aquela focada na vida particular do parlamentar que infelizmente, por motivos políticos, também acaba sendo alvo como ocorre com o vereador Hugo Furrier, que deixou claro que sua vida pública não é pautada nos "esquemas" entre as relações políticas.

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O Repúdio Incoerente
   É comum observarmos agentes políticos repudiando com veemência acusações, alegando perseguição ou “fake news”, mesmo quando as provas são públicas e robustas. Essa postura, muitas vezes, serve como uma carapuça: o político grita mais alto não para defender sua honra, mas para ocultar a falha em sua integridade moral. 

   A aversão à exposição é, contraditoriamente, proporcional à profundidade do seu envolvimento com práticas ilícitas, geralmente descobertas nas entrelinhas de investigações "mais a fundo" em determinadas ações que o cargo lhe impõem, como na presidência do legislativo, por exemplo. É este personagem geralmente a ferramenta principal, ou a chave que abre a aporta para a chamada 'improbidade administrativa".

   A história política no país já evidenciou que parlamentares receberam grande quantia no bolso para mudarem de partidos, para votarem o que não interessa a população, mas favorece chegados de prefeitos, quando não familiares, e até vultuosos recursos para fazer campanha eleitoral.  Na ciranda da corrupção, a maioria sempre leva um por fora e acredita que sociedade não tem conhecimento disso. É político que compra carro novo para patroa, outro compra chácara para fazer loteamento, outro monta um negócio e por aí vai... para exemplificar.

    Um perfil de político que quando atingido, mesmo que indiretamente, acaba “vestindo a carapuça”, busca o desabafo num teatro público, desenhando a imagem de vitimismo. Porém a máxima do velho ditado não deixa dúvida. "Diga-me com quem andas e te direi quem és"!

A Exposição como Consequência e a Saída Honrosa
   A política brasileira, marcada por altos índices de percepção de corrupção, exige uma distinção clara entre perseguição e responsabilização. Quando a corrupção contamina o ambiente político e prejudica os direitos fundamentais do cidadão, a exposição pública atua como um mecanismo de defesa social.

   É aí que entra o papel do jornalista, a pedra no sapato do político sem vergonha, cara de pau. Portanto, a reflexão é necessária: se um agente político não consegue suportar a pressão, o escrutínio e a “exposição” decorrentes de suas próprias decisões — ou das decisões de seu círculo de influência —, a única conduta digna é a renúncia.  Este negócio de ficar recitando em plenário que "tem hora que dá vontade de deixar a política"... é piada. O político corrupto não larga o osso. E quem reclama, deve ter a sensibilidade que já passou da hora... e vai tarde!

   Se a carapuça da corrupção serve, o lugar do agente não é na gestão pública, mas fora dela. A vida pública exige transparência e a capacidade de responder pelos atos. Se o comprometimento com o desvio é insuportável para a imagem pública, o afastamento da política é o único caminho para quem não deseja se expor às consequências da corrupção.

   Acusações de corrupção geralmente iniciativas do Ministério Público quando chegam ao indivíduo, ao agente político, esta já passou pelo crivo de minuciosa investigação, não fosse assim, a Justiça estaria sendo leviana.   Após investigações e  impactos severos e irreversíveis em suas reputações, muitas vezes resultando em ostracismo, mesmo antes de condenações definitivas. 

   Políticos que rejeitam tais denúncias enquanto se beneficiam de esquemas ilícitos ignoram a transparência exigida pelo cargo; se a exposição social é insuportável, a renúncia à vida pública é a única saída ética para quem se compromete com a ilegalidade. Então senhores, antes do choro, que venham a reflexão!

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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