A disparidade entre as necessidades básicas da população e o ritmo de atuação do poder público em Ibiporã ganha mais um capítulo. Recentemente, os moradores do bairro Domingos Moya recorreram ao vereador Rafael da Farmácia (PSD) para cobrar investimentos urgentes em áreas de lazer, convivência e atividades físicas, expondo uma realidade comum às regiões periféricas da cidade: o sentimento de abandono.
As reivindicações da comunidade local — que incluem a construção de uma praça, uma academia ao ar livre e uma quadra esportiva — foram oficializadas pelo parlamentar. Na justificativa do pedido, destaca-se o impacto óbvio e necessário dessas estruturas: a promoção de hábitos saudáveis, a integração comunitária e a valorização imobiliária e social do bairro. Contudo, em uma análise mais crítica, a necessidade de intervenção do Legislativo para cobrar o óbvio evidencia uma gestão municipal que parece falhar no planejamento urbano básico e na distribuição igualitária de recursos.
Publicidade
Essa assimetria na atenção governamental fica ainda mais escancarada quando olhamos para outros pontos críticos de Ibiporã. Enquanto o Domingos Moya luta por espaços de lazer, bairros como o Balneário Tibagi sofrem com problemas estruturais severos, chegando ao extremo do isolamento geográfico. O recente transbordamento de um córrego local durante fortes chuvas, que cobriu completamente a ponte de acesso e ilhou os moradores, é o retrato de uma periferia que não é apenas esquecida no quesito bem-estar, mas negligenciada em sua segurança e mobilidade mais elementares.
Perigo sobre rodas na porta da igreja
Paralelamente às demandas por infraestrutura social, a segurança viária surge como outro gargalo administrativo. O fluxo intenso de veículos motorizados em frente à Igreja Nossa Senhora de Guadalupe motivou o vereador a solicitar estudos técnicos para a melhoria da sinalização e a viabilidade de instalação de redutores de velocidade.
A iniciativa atende ao clamor dos pedestres e frequentadores do templo, que diariamente enfrentam o perigo da velocidade incompatível com vias urbanas de grande circulação de pessoas. No entanto, a necessidade de "estudos técnicos" para mitigar riscos já consolidados e visíveis levanta o questionamento sobre a proatividade dos órgãos de trânsito do município, que frequentemente agem de forma reativa, apenas após a pressão popular ou a ocorrência de acidentes.
O cenário apresentado em Ibiporã reforça o desafio crônico das cidades médias paranaenses: garantir que o desenvolvimento urbano e a atenção do poder público cheguem de forma justa a todos os cidadãos, rompendo a barreira que historicamente separa o centro assistido das periferias invisibilizadas.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

Comentários: