A máquina pública de Ibiporã parece ter se transformado em um moedor de engenheiros e técnicos que ousam discordar do modus operandi imposto pelas chefias. O episódio mais recente envolvendo o afastamento de um engenheiro civil da municipalidade não é apenas um erro burocrático isolado: é o retrato de uma violenta e ilegal engrenagem de gestão de pessoas que opera ao arrepio da lei, sob as ordens diretas de figuras carimbadas nos tribunais de contas.
O enredo assume contornos de tortura psicológica e assédio institucional. Após contrapor-se às diretrizes e métodos da chefia imediata na fiscalização de obras, o profissional foi empurrado ao colapso mental. Diagnosticado com Síndrome de Burnout, o engenheiro foi afastado por expressa recomendação médica.
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Contudo, a resposta da prefeitura veio na forma de uma canetada arbitrária: a exoneração sumária de um servidor respaldado por atestado médico vigente. Percebendo o tamanho da ilegalidade cometida — dado que a legislação veda expressamente a demissão ou dispensa punitiva de funcionários incapazes temporariamente por doença ocupacional —, a administração recuou.
Em um intervalo de 24 horas, o servidor foi readmitido. Todavia, o que parecia a correção de uma injustiça revelou-se uma nova e ultrajante ilegalidade: o engenheiro foi rebaixado à função de coordenador. O rebaixamento de cargo e o desvio de função no serviço público violam flagrantemente os preceitos da Constituição Federal e configuram claro assédio moral organizacional. Em respeito ao servidor, estamos omitindo sua identidade. Porém o episódio gerou uma vez mais mobilização jurídica.
O Fator Julio Dutra e as Obras sob Suspeita
No centro dessa tempestade burocrática e política está o "encarregado" da pasta de Planejamento Urbano, Julio Cesar Dutra. Trata-se do mesmo gestor que carrega no currículo uma expressiva condenação ratificada pela Justiça para restituir mais de R$ 600 mil aos cofres públicos por graves irregularidades em contratos.
Que o chefe do planejamento e fiscalização municipal seja alguém punido por burlar licitações já é um acinte à moralidade administrativa; que sob sua tutela ocorram "vistas grossas" a supostas improbidades em pelo menos cinco obras públicas é um prenúncio do caos urbanístico e financeiro. A informação vem de uma fonte dentro da secretaria que também não entende porque o prefeito mantém em cargo de responsabilidade, quem detém condenação por improbidade.
A pressa em calar, rebaixar ou afastar engenheiros rigorosos coincide, sintomaticamente, com o avanço de denúncias sobre atrasos crônicos, aditivos contratuais suspeitos e falhas estruturais em projetos conduzidos pela municipalidade. Quem fiscaliza com rigor técnico vira alvo; quem assina sem olhar ganha sobrevida. É assim que a banda toca em Ibiporã, com a conivência do prefeito, relatou um dos engenheiros.
Histórico Sombrio e Passado Recente
O terror psicológico que adoeceu o atual engenheiro não é novidade em Ibiporã. As estruturas administrativas do município já vinham balançando com a recente saída forçada de outro profissional da engenharia que se recusou a compactuar com o sistema vigente e o "modus operandi" que administra secretários e prefeito.
Mais estarrecedor ainda é lembrar que, há pouco tempo, a mesma administração chocou o estado ao nomear oficialmente um engenheiro civil falecido para compor uma comissão municipal ao lado do próprio Julio Dutra — uma "lambança" justificada na época como erro técnico, mas que escancarou o desleixo absoluto no setor de recursos humanos. Soma-se a isso o trágico e misterioso acidente que ceifou a vida de outro técnico da área, criando uma atmosfera de medo e desconfiança que assombra os corredores do paço municipal.
Ibiporã não pode continuar sendo gerida como um feudo onde as leis trabalhistas, estatutárias e penais são ignoradas para blindar gestores condenados e acobertar irregularidades em canteiros de obras. O Ministério Público e o Poder Judiciário precisam intervir urgentemente nesta pasta, antes que o colapso moral e a perseguição destruam mais vidas de servidores dedicados à legalidade.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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