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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2026
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Ministério Público investiga suspeita de cartel em plantões médicos contratados pelo prefeito José Maria junto ao CISMEPAR

"Modus Operandi" investigado aqui, podem estar ocorrendo também em outras sete cidades de nossa região

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Ministério Público investiga suspeita de cartel em plantões médicos contratados pelo prefeito José Maria junto ao CISMEPAR
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   O município de Ibiporã voltou a entrar no radar das autoridades de fiscalização e controle do patrimônio público. Uma investigação minuciosa conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) apura a existência de um suposto cartel formado por empresas privadas de saúde responsáveis pela prestação e gerenciamento de plantões médicos na região.
 
  O procedimento investigatório está a cargo da 26ª Promotoria de Justiça de Londrina. O foco central das apurações recai sobre o Chamamento Público nº 007/2024 promovido pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (CISMEPAR), que é a entidade responsável por credenciar as prestadoras de serviços médicos para atender a diversas localidades do Norte do estado.
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   Além de Ibiporã, o consórcio em questão gerencia contratos em outros sete municípios que podem ter sido afetados pelo esquema: Londrina, Cambé, Jataizinho, Sertanópolis, Cafeara, Tamarana e Primeiro de Maio.
 
Origem da investigação e indícios encontrados
   De acordo com os registros oficiais coletados pelo Folha Portal, o caso teve início a partir de uma denúncia anônima apresentada em março deste ano. Após a realização de diligências preliminares promovidas pelos promotores de Justiça, o MPPR identificou uma série de coincidências e cruzamentos suspeitos de dados cadastrais e operacionais entre as empresas participantes do chamamento público.
 
   A análise técnica detectou o compartilhamento incomum de informações estruturais básicas que deveriam ser restritas a concorrentes independentes, tais como: Sócios em comum ou ocultos, mesmos escritórios de contabilidade e contadores, números de telefone e contatos eletrônicos idênticos e endereços comerciais coincidentes. Já vimos esse filme antes?
 
   A forte suspeita levantada pela Promotoria de Justiça aponta que empresas que se apresentam formalmente como concorrentes distintas e autônomas atuem, nos bastidores, de forma coordenada e sob uma mesma estrutura unificada de controle de mercado.
 
Crise na saúde local e o fantasma do GAECO
   A nova investigação da Promotoria chega em um momento de extrema fragilidade e seguidos reclames da população de Ibiporã em relação à saúde pública. Sob a gestão do prefeito José Maria Ferreira, os moradores enfrentam um cenário crítico de descontentamento que se arrasta pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
 
   Recentemente, o município chegou ao ponto extremo de registrar a falta de dentistas para atendimento, obrigando os cidadãos a serem transferidos para a vizinha cidade de Rolândia para conseguir tratamento odontológico.
   Além disso, a debandada de profissionais de saúde — como o caso recente de uma enfermeira e de outros técnicos que pediram exoneração — expõe o descontentamento interno com as diretrizes e pressões da atual administração.
 
   Paralelamente, o Executivo é alvo de duras críticas por tentar empurrar a culpa da má gestão para a própria população, justificando falhas nas filas de espera com o índice de ausência de pacientes em consultas no Centro de Atenção Integrado à Saúde (CAIS/CREMI), enquanto gasta cifras vultosas em contratos paralelos, como a licitação de R$ 291 mil para um sistema de software em ambiente web que repete um pregão mal-sucedido anterior.
 
   Para observadores políticos e juristas da região, o modus operandi desse suposto cartel de plantões médicos sob a administração de José Maria Ferreira acende um sinal de alerta vermelho, pois reproduz caraterísticas idênticas a escândalos recentes investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) no Paraná.
 
   O cruzamento de dados de empresas de fachada e o direcionamento de plantões terceirizados para um mesmo núcleo familiar ou econômico tem sido a assinatura de esquemas criminosos desmantelados pelo GAECO em outras prefeituras do estado, levantando o questionamento se a saúde de Ibiporã virou um "saco sem fundo" de contratos suspeitos em detrimento do atendimento básico ao cidadão.
 
Práticas sob apuração
   Informações complementares publicadas na imprensa dão conta de que a investigação atua em frentes que vão além da formação de cartel. Estão sendo minuciosamente analisadas as práticas de:
  • Direcionamento ilegal de contratações públicas para favorecer determinados grupos empresariais.
  • Utilização de empresas interpostas (conhecidas popularmente como "laranjas") para burlar vedações legais de participação.
  • Concentração irregular de plantões médicos, gerando monopólio na prestação dos serviços de saúde e potencial prejuízo aos cofres dos municípios conveniados ao consórcio.
    A investigação segue em andamento por parte da Promotoria, que analisa os contratos firmados e a prestação efetiva das jornadas de trabalho médico contratadas. Diante da gravidade, a cobrança se estende também ao Legislativo municipal, presidido pelo vereador Rafael Eik Ferreira — filho do prefeito —, pressionado a romper a omissão e fiscalizar com rigor os desmandos financeiros e estruturais que sufocam a saúde de Ibiporã. 
 
   A omissão de um vereador em fiscalizar ou cobrar transparência do Poder Executivo pode configurar crime de prevaricação, ato de improbidade administrativa e infração político-administrativa.
 
Esfera Penal: Crime de Prevaricação
  De acordo com o Artigo 319 do Código Penal, a conduta de "retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício [...] para satisfazer interesse ou sentimento pessoal" constitui o crime de prevaricação. 
  • Onde se aplica ao vereador: Se ficar comprovado que o vereador ignorou denúncias formais de corrupção, segurou pedidos de investigação ou blindou fiscalizações com o dolo específico (intenção clara) de proteger aliados políticos, garantir vantagens pessoais ou resguardar o prefeito de forma ilícita, ele comete o crime funcional. A pena prevista é de detenção (de 3 meses a 1 ano) e multa.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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