Dizem que a fé remove montanhas, mas em Ibiporã ela parece ter o superpoder de acelerar a burocracia municipal e unir o Executivo e o Legislativo em uma harmonia digna de um coral de anjos.
A mais nova "pérola" da política local envolve a cessão de um bem público para o recém-chegado Instituto Missionário Cristo Rei, fundado em fevereiro de 2024. Uma velocidade administrativa que faria qualquer cidadão na fila da saúde chorar de emoção.
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O roteiro desse milagre administrativo ganha contornos de humorismo político quando observamos o calendário e a árvore genealógica local.
Em pleno período eleitoral, o prefeito decide dispor do patrimônio público com a devida e costumeira conivência da Câmara de Vereadores.
Coincidentemente, o presidente da Casa de Leis é ninguém menos que o filho do prefeito. Uma verdadeira gestão familiar do bem comum, onde o interesse público e os dividendos eleitorais parecem comungar na mesma hóstia.
Para uma entidade com apenas dois anos de ancoragem no município, conseguir tamanho prestígio e patrimônio do dia para a noite é um feito e tanto. Fica a pergunta que não quer calar: isso é imoral, ilegal ou engorda?
No banquete da politicagem, certamente engorda — e muito — as pretensões políticas e o capital de apoio da "família real" da cidade.
O uso de estruturas e concessões públicas para angariar apoio religioso na véspera do pleito não é apenas uma estratégia manjada; é uma afronta à laicidade do Estado e à moralidade administrativa.
Enquanto o Executivo e o Legislativo operam em benefício de interesses estritamente privados e familiares, o contribuinte assiste ao patrimônio da cidade ser fatiado como herança de família.
Resta saber se o eleitorado vai engolir mais esse "santo" arranjo ou se vai exigir que a política local passe por um severo exorcismo ético de preferência com atuante presença da digna Promotoria do Patrimônio Público!
Afinal, Ibiporã virou Casa de Mãe Joana? Terra sem Lei? E população sem representação?
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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