Faltando exatos três meses para a eleição de 6 de outubro, cerca de 29 mil eleitores de Ibiporã vão às urnas escolher as pessoas que irão ocupar os cargos de prefeito e vereadores pelos próximos quatro anos. O eleitor já deve ter a informação de que os titulares das prefeituras são eleitos pelo sistema majoritário, ou seja, vence quem for mais votado. Entretanto, para a eleição dos vereadores, o sistema adotado é o proporcional, que considera os quocientes eleitoral e partidário, além de sobras e médias.
Já há articulações nos bastidores e muitas contas nas fórmulas mais mirabolantes que a matemática permite, o que gera expectativas positivas para uns, e para outros nem tanto. No sistema proporcional, as vagas são destinadas aos partidos e federações, e não a candidatas e candidatos. Esse modelo é utilizado para eleger representantes para a casa legislativa, ou seja uma cadeira na Câmara Municipal.
Pesquisas de bastidores, conhecidas como "enquete", ( já que não têm registro no TRE) e portanto não possuem "peso legal", mas serve como parâmetro para avaliar o momento político, a intensão de voto, a avaliação dos candidatos e seus potenciais. Estes dados por vezes escondidos, é o ponto de partida para se traçar estratégias de campanha e até mesmo uma definição do partido sobre em quem vale apena investir para vencer, em detrimento dos demais que só vão carregar o piano em nome do bom e velho "companheirismo partidário".
Foi assim e sempre será. A diferença é que agora o cenário do legislativo junto à opinião pública não é dos melhores. Mas ainda assim, a expectativa de uma votação expressiva do atual Prefeito José Maria Ferreira que, excluindo Emerson Petriv, o Boca Aberta, do cenário eleitoral não tem adversário. Pensar ao contrário, competir com a máquina pública sem um nome de expressão convenhamos é Utopia.
Os números apontam que Boca Aberta é o único pré-candidato que pode surpreender junto à população da periferia uma vez que já é tida como certa, a desistência de Roberval dos Santos (de novo) de disputar a prefeitura. Não é novidade que já há uma certa decepção de alguns que o apoiam, dado ao fato de considerar que não agrega grupo, não cresce nas pesquisas e não inspira confiança política embora seja um exímio administrador.
A dificuldade de emplacar um vice, e pré candidatos a vereadores com potencial de cerca de 600 votos, seria um dos fatores que poderiam em tese, sacramentar sua desistência do pleito. Ou compõe com o grupo do atual prefeito pleiteando algum cargo ou sua única chance seria voltar a disputar uma cadeira na Câmara, é o que lhe reserva a sorte com base na matemática e nos números levantados nas enquetes.
Na eleição proporcional, quando for votar na urna eletrônica, o eleitor pode registrar voto de legenda – isto é, no partido ou na federação, digitando somente os dois primeiros números da agremiação – ou voto nominal – ou seja, diretamente para uma candidata ou candidato. No caso de votação para vereador, como a deste ano, o voto nominal tem cinco dígitos.
Considerando a votação de José Maria na última eleição, o PSD desponta a possibilidade de eleger pelo cálculo do quociente partidário pelo menos três vereadores. Depois, dentro das agremiações, será verificado quem foram os mais votados nominalmente. Assim, é possível saber os nomes que vão ocupar as vagas destinadas às legendas. O cálculo para encontrar os eleitos em eleições proporcionais é feito a partir dos chamados quocientes eleitoral (QE) e partidário (QP). Neste quesito o grupo do prefeito pode eleger até quatro vereadores.
Quociente eleitoral: é obtido pela soma do número de votos válidos dividida pelo número de cadeiras em disputa. Para o cálculo, despreza-se a fração, se igual ou inferior a 0,5 (meio), ou arredonda-se para 1, se superior. Quociente partidário: é o resultado do número de votos válidos obtidos pelo partido dividido pelo quociente eleitoral (desprezada a fração). O total corresponderá ao número de cadeiras a serem ocupadas pela legenda.
A partir dos cálculos, o partido ou federação verifica os candidatos mais votados nominalmente. Serão eleitas e eleitos somente aqueles que obtiverem votos em número igual ou superior a 10% do QE. Esses são os eleitos que vão ocupar as cadeiras a que o respectivo partido ou federação tem direito. Após conhecer a quantidade de vagas a que cada legenda tem direito com a aplicação do QP e a exigência de votação nominal mínima, no caso de sobras de vagas, elas serão distribuídas pelo cálculo da média de cada partido ou federação.
Essa média é determinada pela quantidade de votos válidos recebidos pela legenda dividida pelo QP acrescido de 1. Ao partido ou federação que apresentar a maior média caberá uma das vagas a preencher, desde que tenha atingido 80% do QE e que tenha em sua lista candidata ou candidato que atenda à exigência de votação nominal mínima de 20% do QE.
Essa operação deverá ser repetida para a distribuição de cada uma das vagas restantes e, para o cálculo das médias, serão consideradas, além das vagas obtidas por QP, as sobras de vagas que já tenham sido obtidas pelo partido ou pela federação em cálculos anteriores, ainda que não preenchidas. Em caso de empate de médias, considera-se o partido ou federação com maior votação. Se ainda ocorrer empate, será considerado o número de votos nominais recebidos por quem disputa a vaga.
Se ainda assim ficar empatado, deverá ser eleita a pessoa com maior idade. Quando não houver mais partidos ou federações que tenham alcançado votação de 80% do QE e que tenham em suas listas candidatas ou candidatos com votação mínima de 20% desse quociente, todas as legendas, federações, candidatas e candidatos participarão da distribuição das cadeiras remanescentes, aplicando-se o critério das maiores médias.
Essa última divisão das sobras de vagas foi alterada em fevereiro deste ano pelo Supremo Tribunal Federal - STF, para compatibilizá-la com a Constituição, garantindo a participação de todos os partidos e federações na distribuição. Ibiporã continua com o número mínimo de nove cadeiras de vereador na Câmara Municipal, norma que obedece ao critério de proporcionalidade em relação ao número de habitantes da cidade.
E, voltando as questões de bastidores, e os nomes pretensos na intensão de votos HOJE, somados a matemática insana da política, poderíamos ter na Câmara Municipal ano que vem, Rafael Eik Ferreira, Rafael da Farmácia, Ilseu Zapelini, Victor Carreri, Professor Abreu, Cai Cai, Roberval dos Santos, Gilson Mensato, e Hugo Furrier. É claro que estes números refletem apenas um panorama de momento mas dado ao pouco tempo que resta para a eleição, pouca coisa pode mudar com a eleição de uma vereadora por exemplo que pode ser do MDB, Dra. Carolina Sacca, ou Ângela Garcia que nos números não oficiais de bastidores, perde para Mensato, assim como Chimentão perde para o professor Abreu. Nos demais partidos, raros são os candidatos com potencial para atingir quociente eleitoral satisfatório como Miro Despachante e que hoje configura-se na casa de 500 a 600 votos cada um. Mas urna eleitoral é uma caixinha de surpresas onde tudo pode acontecer. E pelo panorama que se tem, a chamada mudança que parte da população clama, parece estar longe de acontecer.

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