O funcionalismo público de Ibiporã está em pé de guerra com a Administração Municipal. Sob forte rejeição da categoria, a Câmara de Vereadores sedia nesta terça-feira (3), às 19h, uma audiência pública crucial para debater a proposta de alteração no Fundo de Aposentadoria dos Servidores Municipais (IBIPREV). O projeto de lei, enviado pelo prefeito José Maria Ferreira (PSD), vem sendo amplamente apelidado nos bastidores e pelas lideranças sindicais como a "Lei da Maldade", devido aos duros impactos financeiros e previdenciários que promete impor à classe.
A indignação dos servidores não se restringe apenas ao texto atual da reforma, mas carrega o peso de um histórico de desrespeito com o fundo previdenciário municipal. Críticos e opositores relembram que a atual crise e o rombo atuarial do instituto têm raízes profundas em gestões passadas do próprio prefeito José Maria. Em todos os seus mandatos, houve comprometimento do Fundo e o rombo deixado pelo prefeito da competência chegou ao ápice!
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O Executivo é acusado de ter passado longos períodos retendo na fonte os descontos previdenciários dos salários dos servidores sem efetuar o devido repasse patronal e legal ao IBIPREV. Para agravar o cenário, os sucessivos acordos de parcelamento firmados pelo próprio alcaide para rolar a dívida com o fundo frequentemente deixavam de ser honrados, transformando os compromissos em letra morta mais conhecida como "calote".
Na linha de frente da fiscalização, os vereadores da oposição prometem endurecer o discurso durante a audiência. O vereador Hugo Furrier, conhecido por cobrar rigorosamente a transparência nos gastos públicos e a regularidade das contas previdenciárias, vem alertando sobre os riscos de transferir o custo de erros administrativos históricos para o bolso do servidor.
Paralelamente, o vereador Rafael da Farmácia, que tem pautado seu mandato por uma atuação comunitária próxima aos anseios da periferia e dos trabalhadores da base, manifestou forte contrariedade à proposta, classificando-a como uma injustiça contra a categoria que move a máquina pública municipal.
Aliado a isso, o funcionalismo contesta a justificativa de "austeridade" apresentada pela gestão, apontando uma gritante incoerência de prioridades. Enquanto o prefeito ofereceu um reajuste salarial considerado irrisório de apenas 0,5% aos trabalhadores da base, o Diário Oficial e o Portal da Transparência revelam gastos exorbitantes em outras áreas.
Entre os alvos de forte crítica popular estão os aditivos e a extrema demora nas obras de reforma do prédio da prefeitura, cujos valores estimados chegam à casa dos R$ 13 milhões, além da recente criação de cargos em comissão de alto escalão com salários superiores a R$ 10 mil mensais.
A audiência pública desta terça-feira promete ser um termômetro da resistência do funcionalismo. Representantes dos servidores prometem lotar o plenário da Câmara para cobrar explicações e exigir que os vereadores barrem as perdas de direitos, transformando a sessão em um dos debates políticos mais tensos do ano na cidade.
O histórico fala por si.
Durante anos, a receita do Executivo para fechar as contas incluiu uma prática inaceitável: reter os descontos previdenciários diretamente dos salários dos servidores e não efetuar o devido repasse legal ao fundo. Para mascarar o rombo gerado por essa ausência de aportes, a gestão de José Maria especializou-se em firmar sucessivos acordos de parcelamento de dívidas. O problema principal é que esses compromissos recorrentemente deixavam de ser honrados, transformando-se em promessas vazias na mídia e empurrando uma bola de neve financeira impagável para as futuras gerações.
O contraste dessa postura fica evidente quando se resgata a história recente de Ibiporã. Coube ao ex-prefeito João Toledo Coloniezi assumir a complexa e hercúlea tarefa de solucionar o problema deixado por seu antecessor. Em sua gestão, Coloniezi adotou uma postura de responsabilidade e transparência com o dinheiro público: cortou privilégios, organizou as finanças municipais e priorizou a retomada dos aportes necessários para estancar o sangramento atuarial do IBIPREV, devolvendo a dignidade e a segurança ao funcionalismo sem precisar punir a categoria com a retirada de direitos. Infelizmente, só agora os servidores admitem reconhecer a diferença entre um político populista (que viveu a vida toda de cargos públicos) de um administrador de fato.
Agora, ao retornar ao comando do município, José Maria demonstra novamente a mesma incapacidade técnica de gerir o fundo de forma sustentável. Em vez de cortar despesas com cargos comissionados abusivos e salários de marajás, ou auditar a milionária e arrastada reforma do prédio da prefeitura — estimada em R$ 13 milhões —, o prefeito escolhe o caminho mais fácil e injusto: penalizar o servidor de carreira para cobrir o rombo que ele mesmo ajudou a cavar ao longo das últimas décadas.
E aqui cabe uma pergunta: o grupo de servidores puxa-sacos que ao longo dos anos, fizeram campanha pública para eleger o prefeito da competência, da coerência, da seriedade, da honestidade, e do cuidado com a coisa pública e outros blá-blá-blás... vão dar as caras na Audiência Pública, ou vão sentar em cima do rabo e ficarem caladinhos?
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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