A Câmara dos Deputados em Brasília impôs uma grande e insperada derrota ao governo do presidente petista, Luiz Inácio Lula da Silva na tarde de ontem, quarta-feira (8), ao deixar perder a validade a medida provisória que aumentava tributos e previa impulsionar a arrecadação. Na verdade, a articulação da oposição sequer permitiu que o conteúdo da medida provisória tivesse seu mérito votado. Antes mesmo disso, a maioria dos deputados — capitaneados por partidos de Centrão — aprovou a retirada do texto da pauta da Câmara. O placar foi de 251 a 193.
O resultado foi comemorado pelo deputado federal Felipe Francisquini (União Brasil), em contato com nossa redação reafirmando seu compromisso em defesa da população do Paraná. Francisquini lembra que "o texto foi apresentado em julho como uma alternativa ao decreto presidencial que havia elevado o IOF em diversas transações, medida que gerou forte reação política e acabou sendo revogada. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) reabilitou parte do decreto, por entender que era legal. Porém buscou aumentar a arrecadação para fechar metas das contas públicas do ano publicando a medida provisória para aumentar tributos".
Assim como ao deputado paranaense, a medida provisória não convenceu a maioria do Congresso. O aumento de alíquotas é visto como resistência. "No nosso entender, o governo deve atingir metas das contas públicas administrando os exageros, cortando gastos e não aumento alíquotas dos já pesados tributos sobre o contribuinte brasileiro. Graças a Deus demos um basta nessa sanha arrecadatória do governo Lula", comemorou o deputado.
Com a derrota, Haddad e Lula ameaçam retaliações aos deputados
Tanto o presidente quanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saíram em defesa da medida ao longo desta quarta. Lula disse que era um erro misturar a votação da MP com movimentações eleitorais visando a eleição do ano que vem.
"Se alguém quer misturar isso com eleição, eu sinceramente só posso dizer que é uma pobreza de espírito extraordinária. Qualquer um pode dizer que a proposta é dele, qualquer deputado pode se vangloriar dizendo que votou favorável. Quando algumas pessoas pensam pequeno e dizem que não vão votar porque vai favorecer o Lula, não é o Lula que vai ganhar, eles não estão me prejudicando em nada", disse o presidente pouco antes da derrota se concretizar.

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