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Terça-feira, 08 de Setembro de 2026
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A Cadeira da Conveniência e o Teatro das Sombras em Ibiporã

Sem candidato a "segurar rojão", prefeito de Ibiporã deve arriscar mais uma vez uma vice para tentar segurar cadeira

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
A Cadeira da Conveniência e o Teatro das Sombras em Ibiporã
📸Divulgação/NCS/PMI
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  Ibiporã assiste hoje a uma das manobras políticas mais previsíveis, e ao mesmo tempo audaciosas, de sua história recente. O prefeito José Maria Ferreira (PSD), astuto veterano da política local, desenhou um plano de sucessão que serve menos aos interesses do município e muito mais à blindagem de seu próprio espólio político e jurídico. Diante de um cenário administrativo minado por ações na Justiça, denúncias de improbidade e um rombo previdenciário de longo prazo, a escolha de sua vice-prefeita, Mari de Sá, para encabeçar a próxima disputa, carrega um cheiro forte de conveniência.
 
   Não se trata de uma súbita conversão ao progressismo ou de um reconhecimento genuíno da força das mulheres no poder executivo. O histórico do próprio prefeito desmente essa tese: o eleitorado local carrega uma crônica resistência cultural ao voto executivo feminino, um teto de vidro que o próprio José Maria tentou romper — e falhou miseravelmente — em duas ocasiões anteriores com a rejeição plena de seus projetos anteriores. Insistir nessa fórmula agora, após oito longos anos de jejum da vice no comando real da caneta, revela que o objetivo principal não é necessariamente vencer com folga, mas sim garantir que, vença quem vencer de seu grupo, os segredos de caixa fiquem trancados a sete chaves. 
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O Peso Oculto dos Tribunais
O verniz de eficiência da atual gestão esconde um rastro incômodo nos órgãos de controle. José Maria Ferreira carrega em seu currículo político condenações anteriores por improbidade administrativa, com decisões da Vara Cível de Ibiporã e do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) que já apontaram, no passado, o uso indevido de recursos públicos para promoção pessoal e irregularidades contratuais. Mais recentemente, denúncias levadas ao Ministério Público e ao Gaeco colocaram em xeque operações imobiliárias assustadoramente lucrativas envolvendo o entorno público e familiares. 
 
O Legado de Problemas em Ibiporã Impacto na Gestão e Órgãos de Controle
Histórico de Improbidade Condenações por promoção pessoal com verba pública e repasses irregulares.
Dívidas com a Previdência Necessidade de planos de amortização e parcelamentos emergenciais (como o PL 019/2026).
Gargalo Financeiro Caixa pressionado por aportes suplementares obrigatórios até o ano de 2055.
Sucessão Familiar Manobra para manter a cadeira sob controle até o desimpedimento do filho do prefeito.
 
   Paralelamente, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) acompanha de perto a engenharia financeira do município. A aprovação recente do plano de amortização do déficit atuarial do Regime Próprio de Previdência Social (através do Projeto de Lei nº 019/2026) expôs uma realidade matemática dura: o município terá de fazer aportes financeiros suplementares até o distante ano de 2055 para evitar o colapso do Ibiprev.
 
   Deixar o caixa estrangulado com compromissos de longo prazo e parcelamentos de dívidas previdenciárias passadas é a herança maldita ideal para quem precisa de alguém "da casa" para evitar auditorias devassas. 
 
O Guardador de Lugar
    O "rabo de foguete" que a vice-prefeita aceita segurar não é um prêmio de consolação, mas um fardo estratégico. O plano desenhado nos bastidores do poder em Ibiporã é cirúrgico: colocar alguém com perfil de lealdade testada para absorver o impacto das cobranças judiciais e garantir o manto do sigilo burocrático.
 
   Tudo isso, claro, enquanto o tempo passa e o verdadeiro herdeiro político da dinastia — o filho do prefeito e atual presidente da Câmara Municipal, Rafael Eik Ferreira — livra-se de eventuais impedimentos legais para, no momento certo, reivindicar o trono do executivo. 
 
   A transmissão temporária da caneta à vice funciona como um ensaio geral de um espetáculo melancólico. Ibiporã não merece ser tratada como um tabuleiro de xadrez familiar, onde o destino financeiro dos servidores e a integridade do patrimônio público são sacrificados apenas para que o poder mude de mãos sem nunca sair do mesmo sobrenome. O eleitorado precisa abrir os olhos antes que o último a sair apague a luz de um caixa severamente comprometido.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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