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Terça-feira, 08 de Setembro de 2026
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Ibiporã adia ordem no trânsito para salvar palanques eleitorais

A justificativa técnica de que as "Comissões precisam blindar juridicamente o texto", não convence

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Ibiporã adia ordem no trânsito para salvar palanques eleitorais
📸Reprodução/TV Câmara
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    Nas coxias da Câmara Municipal de Ibiporã, o tempo parece correr de forma diferente do mundo real, especialmente quando o calendário se aproxima de outubro. A prorrogação por mais 30 dias do Projeto de Lei Substitutivo nº 007/2026-LE — sob a confortável cortina de fumaça de que as comissões de Justiça e Finanças precisam de mais tempo para "análise jurídica e financeira" — é um acinte à inteligência do cidadão. 
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   Não se trata de zelo técnico; cheira, na verdade, ao mais puro e calculado oportunismo eleitoral. Em tempos de campanha, a regra de ouro da velha política é clara: não se criam regras que possam aborrecer o eleitor.
 
   Aprovar uma lei que impõe ordem, exige capacete, limita velocidade e tira adolescentes infratores das calçadas significa, inevitavelmente, mexer no bolso e no conforto de muitas famílias. Significa criar uma "medida impopular". E em Ibiporã, o momento exige que o ambiente esteja o mais pacífico e sem atritos possível.
 
   Afinal, a prioridade nos bastidores não parece ser a segurança viária, mas sim pavimentar o caminho para a candidatura de Rafael Ferreira (presidente da Câmara e filho do atual prefeito José Maria Ferreira) rumo a uma vaga na Assembleia Legislativa nas Eleições 2026
 
   Para que fiscalizar? Para que sancionar restrições agora, se o preço político pode ser cobrado nas urnas? É muito mais cômodo para o grupo político governista e para os vereadores aliados empurrarem o problema com a barriga, em um pacto silencioso de mútua proteção. Enquanto o trânsito da cidade vira uma "terra sem lei" colonizada por autopropelidos em alta velocidade, o balcão de negócios eleitorais garante que ninguém seja multado ou incomodado até que o último voto seja computado.
 
Calçadas perigosas, urnas protegidas
   Enquanto o Departamento de Trânsito finge que resolve a crise emitindo meras "recomendações" educativas — que na prática têm a utilidade de um pedaço de papel ao vento —, a população é obrigada a desviar de menores na contramão e crianças sem proteção na garupa. 
 
   O projeto do Professor Mohamed (PL), que deveria trazer o mínimo de civilidade, virou refém do compadrio político. A mensagem que a Câmara e a Prefeitura passam é vergonhosa: até as eleições, pode tudo. Se a integridade física dos pedestres e dos próprios jovens está em risco, isso é um detalhe menor para quem está ocupado demais contando votos e protegendo o herdeiro político do Executivo municipal o que escancara que interesses políticos se sobrepõe ao grau de instrução de alguns pares.  É uma vergonha que parece não incomodar ninguém!
 
    Analisar o histórico de votações da 19ª Legislatura (2025-2028) na Câmara MUnicipal de Ibiporã revela uma clara dinâmica de forças onde o alinhamento político dita o ritmo e a aprovação de projetos.  Vamos analisar juntos o mapeamento de como ocorrem as votações em plenário destacando o "rolo compressor" do prefeito na atual composição da Casa.
 
1. A Hegemonia Governamental (A base do Prefeito)
   A principal característica desta legislatura é a ampla base de apoio que o prefeito José Maria Ferreira (PSD) mantém no plenário. Dos 9 vereadores eleitos, a maioria expressiva, ou seja 8 vereadores caminham alinhado com as diretrizes do Executivo.  Vereadores como Rafael Eik Ferreira (PSD) (filho do prefeito e atual presidente da Casa), Dieguinho da Furgão (PSD) e Ilseu Zapelini (PSD) garantem que projetos de interesse da prefeitura tenham tramitação acelerada e votações tranquilas.
 
    Basta levantar o histórico de votação e colocá-los numa planilha para dissipar qualquer dúvida. Dados do próprio legislativo mostram que projetos enviados pelo Executivo (como orçamentos, aberturas de crédito e reajustes) raramente enfrentam resistência real. A oposição numérica é minúscula, o que transforma o plenário em uma extensão homologatória das decisões do gabinete do prefeito. Isto é fato, e contra fatos, não há argumentos.
 
2. O Perfil das Votações Históricas: O que passa e o que travado
Ao observar o comportamento dos vereadores nas Sessões Plenárias, nota-se um padrão claro de prioridades.
Tipo de Matéria Comportamento Histórico de Votação Ritmo de Tramitação
Projetos do Executivo Aprovação unânime ou por esmagadora maioria. Urgência e Celeridade
Pautas Corporativas / Internas Alta convergência (como o histórico aumento de subsídios (salários) aprovado na transição de legislatura). Rápido / Consensual
Projetos de Autoria Parlamentar Dependem do alinhamento. Propostas da oposição ou independentes enfrentam pedidos de vista e manobras regimentais. Lento / Travado nas Comissões
Requerimentos de Fiscalização Pedidos de informação mais ácidos à prefeitura costumam ser rejeitados ou esvaziados pela base governista.

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3. O Fenômeno das Comissões Permanentes como Filtro Político
   O caso do projeto dos veículos autopropelidos do Professor Mohamed (PL) expõe o modus operandi da Casa. As comissões de Justiça e Redação e de Finanças e Orçamento funcionam como verdadeiros "pedágios políticos".
 
   Quando um projeto de autoria individual de um vereador independente ou de oposição ganha tração popular, mas mexe com interesses sensíveis (ou pode gerar desgaste eleitoral para o grupo governista), o histórico da legislatura mostra o uso recorrente de pedidos de prorrogação de prazo e pareceres técnicos infindáveis.   Isso permite "esfriar" a matéria sem a necessidade de rejeitá-la diretamente no voto em plenário, o que geraria desgaste público aos vereadores.
 
4. O Peso das Eleições de 2026 no Plenário
  Atualmente, as votações estão completamente blindadas pelo cálculo eleitoral. Com o presidente da Câmara, Rafael Eik Ferreira, despontando como peça-chave do grupo político familiar para voos mais altos no estado, o histórico recente de votações reflete um pacto de não agressão.
 
   Projetos polêmicos de iniciativa da própria câmara que possam gerar atrito com parcelas do eleitorado são sistematicamente empurrados para as gavetas através de manobras regimentais legítimas, mas politicamente convenientes. Este modelo de política aborrece qualquer cidadão esclarecido. É uma afronta a nossa inteligência!
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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