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Quarta-feira, 22 de Julho de 2026
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Suposta tentativa de sequestro de criança, gera discussões nas redes sociais

Fato teria ocorrido no Jardim San Rafael onde três ocupantes de um veículo Logan Prata são suspeito

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Suposta tentativa de sequestro de criança, gera discussões nas redes sociais
📸Arquivo/PMI/NCS: Reunião do prefeito com forças de segurança, não reflete na prática o que foi discutido.
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     IBIPORÃ – O fantasma da insegurança volta a assombrar os moradores de Ibiporã, transformando a rotina de pais e avós em um misto de pânico e revolta. Relatos contundentes que circulam nas redes sociais apontam para uma suposta segunda tentativa de sequestro de crianças em um intervalo de apenas duas semanas.
 
   O episódio mais recente teria ocorrido no Jardim San Rafael, envolvendo três ocupantes de um veículo Renault Logan de cor prata. O caso reacendeu um debate incômodo e urgente: afinal, para que serve a monumental rede de monitoramento por câmeras da cidade se ela falha justamente quando a vida das crianças está em risco?
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  A indignação ganhou voz forte com o ex-policial militar e ex-vereador Kleber Machado, que não poupou críticas ao cenário atual, classificando a situação com um desabafo cirúrgico: “Está virando bagunça!”. A fala de Machado ecoa o sentimento de uma população que se sente desprotegida, questionando a real eficiência do aparato tecnológico espalhado pelo município.
 
   O cidadão Douglas Campos reforçou a cobrança pública, lembrando que o município conta com uma vasta rede de filmagens públicas e privadas que deveriam, em tese, asfixiar a ação de criminosos. “Creio eu que facilita o serviço da polícia em pegar essa quadrilha”, cobrou Campos, expondo o óbvio contrassenso entre ter a tecnologia e não colher os resultados práticos dela.
 
A ilusão da "Smart City": Mais de 1,3 mil olhos que não veem o crime
   A polêmica ganha contornos de escândalo quando confrontada com os dados de investimentos do próprio município. O que começou em 2019 com um aporte de R$ 360 mil em compras diretas para instalar 380 câmeras patrimoniais em 31 prédios públicos, expandiu-se agressivamente nos últimos anos.
   Sob a promessa de transformar Ibiporã em uma moderna "Smart City", a cidade inflou seu parque tecnológico e hoje ostenta mais de 1,3 mil câmeras espalhadas por ruas e repartições. O sistema promete inclusive ferramentas de ponta, como leitura de placas (LPR) e reconhecimento facial.
 
   O paradoxo, no entanto, é alarmante. De que servem 1,3 mil lentes modernas, algoritmos de inteligência artificial e leitura de placas se as forças policiais que estão na rua continuam operando no escuro? A professora Ângela Garcia trouxe à tona uma contradição institucional grave: enquanto a Polícia Militar de Londrina tem acesso direto às câmeras de sua comarca, em Ibiporã a PM inexplicavelmente não possui essa integração em tempo real. "Infelizmente a Polícia Militar não tem acesso às câmeras públicas. Após o sequestro, não vai ajudar muito as filmagens", alertou a educadora  cujo marido também é militar. É o retrato de um sistema que apenas assiste à tragédia e registra o crime depois que ele acontece, em vez de preveni-lo ou interceptá-lo.
 
  Nas ruas e nos debates digitais, a insatisfação popular consolidou uma suspeita incisiva: o aparato de vigilância urbana, apelidado por moradores de "Big Brother municipal", parece ter olhos de lince para fiscalizar o trânsito e o bolso do trabalhador, mas sofre de cegueira crônica diante do crime organizado.
   Críticos apontam que a leitura de placas funciona com precisão cirúrgica para alimentar a chamada “indústria das multas” e monitorar infrações administrativas, mas mostra-se profundamente inoperante, burocrática e inacessível em situações de emergência que exigem pronta resposta da Polícia Militar.
 
   Enquanto a prefeitura se gaba dos números inflados de sua "cidade inteligente" e o sistema de monitoramento segue sob suspeita de ineficácia prática para a segurança pública, o medo dita o tom, especialmente nos bairros periféricos. A população de Ibiporã exige respostas: as mais de 1,3 mil câmeras servem para proteger nossas crianças ou apenas para vigiar e arrecadar com os motoristas? Com a palavra, a administração municipal.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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