IBIPORÃ — Com a proximidade do pleito de outubro, os bastidores políticos da cidade fervem. Analistas apontam que a definição das vagas na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e na Câmara dos Deputados dependerá drasticamente do quociente eleitoral de cada legenda. A matemática das urnas dita o ritmo das campanhas e impõe um cenário de superação ou declínio para figuras tradicionais e novos postulantes da região.
No cenário federal, o Partido dos Trabalhadores aposta fichas no retorno de André Vargas. Histórico articulador na região e ex-vice-presidente da Câmara, Vargas tenta canalizar a militância progressista e as entregas habitacionais do passado. Contudo, sua principal barreira reside no teto do quociente da federação PT/PCdoB/PV e no desgaste de sua imagem pública pós-Lava Jato, o que exige uma votação expressiva fora de seu reduto tradicional para furar a fila da nominata socialista.
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Pelo mesmo cargo, a professora Angela Garcia, agora pelo Solidariedade, busca consolidar os votos obtidos em pleitos anteriores. Natural de Ibiporã, ela desponta com capilaridade local no funcionalismo público e forte engajamento digital. Todavia, o Solidariedade enfrenta dificuldades estruturais para atingir o quociente mínimo exigido para federais no estado, forçando Angela a depender diretamente das complexas "sobras" eleitorais da legenda.
Em contrapartida, candidaturas de grande estrutura partidária ameaçam sugar os votos locais. É o caso de Felipe Francisquini, influente deputado do Podemos e coordenador de alianças majoritárias de direita no Paraná. Francischini conta com uma legenda robusta e um quociente partidário historicamente favorável, o que o coloca em patamar de favoritismo. Sua incursão no eleitorado de Ibiporã acirra a disputa pelos votos conservadores da cidade.
Para a Assembleia Legislativa, o veterano Tercílio Turini joga com a experiência de quem retornou ao MDB. Médico de forte apelo regional e base consolidada na vizinha Londrina, Turini se beneficia de uma nominata emedebista equilibrada. Se o partido alcançar o quociente necessário, a tradição e o recall político do parlamentar o mantêm como um forte concorrente às primeiras vagas da legenda.
A situação mais dramática e comentada nos cafés políticos locais, no entanto, é o isolamento e o risco de bancarrota eleitoral enfrentado por Rafael Eik Ferreira. Atual vereador eleito pelo PSD em 2024, ele migrou para o Avante para tentar uma cadeira na ALEP.
A estratégia partidária, contudo, cobra um preço alto: sem uma chapa pesada para somar votos na legenda, analistas de bastidores projetam que Ferreira necessita de uma verdadeira façanha matemática, precisando cravar cerca de 13 mil votos em Ibiporã e atingir o teto de 30 mil votos no estado para ter chances reais de eleição devido às cláusulas de barreira e ao quociente do partido. Sem estrutura majoritária, a campanha mesmo desproporcional frente aos demais, caminha no fio da navalha.
Muita gente acredita que mesmo com toda a estrutura, típica para um mandato de prefeito, com apoio da máquina administrativa não deva atingir 6 mil votos na cidade. Pesa contra, sua pífia liderança no Legislativo, sua dependência direta do pai para colocá-lo na vitrine além do desgaste por colocações infelizes em seus comentários no legislativo.
Sem falar na investigada transação imobiliária milionária, entre o próprio candidato, o pai e o irmão. Denuncia esta apontada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e Ministério Público com a mágica de transformar setecentos mil reais em sete milhões em apenas sete dias. E fica a dúvida. O segredo de Justiça e a demora no julgamento da causa (quase dois anos) tem influência política? Vai acontecer somente após as eleições?
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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