Enquanto o cidadão comum de Ibiporã aperta os cintos para dar conta do carnê do IPTU que vence religiosamente todo início de ano, os bastidores do poder municipal operam sob uma lógica de privilégios que desafia a moralidade pública. A mais recente afronta atende pelo nome de Projeto de Lei nº 029/2026, uma proposta de permuta de imóveis entre o Município e um proprietário particular que escancara o abismo entre o discurso oficial e a realidade dos privilégios concedidos a portas fechadas.
O pretexto para a transação imobiliária é quase poético, se não fosse trágico: expandir a área de lazer ao redor do utópico e oneroso projeto do lago municipal, uma das vitrines da atual gestão. Porém, o que a prefeitura tenta vender como "desenvolvimento e bem-estar" esconde uma vergonhosa engenharia financeira.
Publicidade
A denúncia ganhou holofotes na Câmara Municipal através do vereador Hugo Furrier, que votou contra a matéria e destrinchou as engrenagens desse acordo absurdo. O ponto mais escandaloso da transação reside na canetada do prefeito que garantiu isenção total de IPTU por longos 10 anos para o particular envolvido na troca.
Dois Pesos, Duas Medidas
A disparidade no tratamento de cidadãos expõe uma flagrante quebra de isonomia que a administração municipal finge não ver. O parlamentar apontou questionamentos graves sobre a avaliação técnica das áreas envolvidas e o histórico da própria região. Em intervenções anteriores nas imediações do mesmo lago, proprietários afetados por obras públicas receberam um tratamento radicalmente diferente — leia-se: a rigidez habitual da lei, sem bônus, sem afagos fiscais e sem benesses decenais.
Por que, de repente, o critério mudou? Qual o real valor de mercado das áreas que o Município está entregando e recebendo? O silêncio técnico sobre as avaliações dos terrenos alimenta a névoa de desconfiança que paira sobre o projeto.
O Custo da Vaidade Administrativa
Conceder uma década de perdão fiscal para viabilizar um capricho estético e recreativo é, no mínimo, um escárnio com o contribuinte. Enquanto o caixa público abre mão de receitas que poderiam ir para a saúde, educação ou asfalto, o Executivo insiste em financiar sua própria utopia à custa do sacrifício coletivo.
O PL 029/2026 não é apenas um projeto de lei de permuta; é o retrato de uma gestão que prioriza o cosmético em detrimento do ético. A ampliação do lago pode até render belas fotos institucionais, mas a conta dessa "vergonhosa transação imobiliária" já tem destinatário certo: o bolso do londrinense. A sociedade exige respostas claras, critérios técnicos transparentes e o fim imediato da política de favorecimento fiscal disfarçada de interesse público. Isto é uma vergonha!
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

Comentários: