Quando três parlamentares — Hugo Furrier (MDB), Rafael da Farmácia (PSD) e, agora, o Professor Mohamed (PL) — levantam vozes em uníssono contra a morosidade do Executivo, o que se vê não é um caso isolado, mas um sintoma de desrespeito institucional.
A função de um vereador vai muito além de ocupar uma cadeira nas sessões ordinárias; ele é o para-choque da comunidade, o primeiro a ouvir a queixa sobre o buraco na rua, a falta de medicamentos ou a precariedade de uma escola.
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Quando o prefeito José Maria Ferreira (PSD) ignora as indicações e requerimentos do Legislativo, ele não está apenas ignorando um político, mas silenciando a voz da própria população que ali depositou suas demandas.
A recente manifestação do Professor Mohamed, somada às queixas de Hugo Furrier e Rafael da Farmácia, revela um cenário preocupante de "engessamento" democrático. A morosidade nas respostas e o descumprimento dos trâmites da Lei Orgânica e do Regimento Interno não são apenas falhas burocráticas; são afrontas diretas ao equilíbrio entre os poderes.
Toda esta inércia tem um custo. Indicações legislativas não são meras sugestões casuais; são documentos protocolares que apontam necessidades reais. Quando o Executivo retém respostas ou deixa de dar encaminhamento prático às demandas, aumenta o descrédito público e o cidadão sente que o sistema "não funciona".
Esta situação agrava os problemas. Uma manutenção simples, se ignorada por meses, torna-se uma obra emergencial e mais cara ferindo a Lei. O descumprimento de prazos regimentais pode configurar, em última instância, omissão administrativa. Falta celeridade e transparência.
Ibiporã não pode ser gerida sob a lógica do "quando der". A administração pública exige dinamismo. É imperativo que a prefeitura modernize seu fluxo de comunicação com a Câmara, tratando cada questionamento como uma prioridade de gestão e não como um incômodo político.
A harmonia entre os poderes, prevista na Constituição, depende de reciprocidade. O Legislativo fiscaliza e aponta; o Executivo executa e responde. Se essa engrenagem trava, a cidade para. É hora de o Executivo deixar a postura defensiva e adotar uma postura resolutiva, honrando o compromisso de servir ao povo com a eficiência que a lei exige e a sociedade merece.
Ponto de Reflexão: A eficiência de um governo não é medida pelo que ele promete no papel, mas pela rapidez com que resolve os problemas apontados por quem vive o dia a dia da cidade.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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