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Quinta-feira, 16 de Abril de 2026
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Arvoricídio Urbano: A Triste Rotina do "Corte Preventivo" Desnecessário

O que se viu após a derrubada, não foi uma "árvore doente" e nem de risco de queda aparente, uma erradicação lamentável!

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Arvoricídio Urbano: A Triste Rotina do
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   Mais uma vez, o som da motosserra calou uma voz verde no município. A erradicação de uma árvore de grande porte, aparentemente sadia e que servia de sombreamento para moradores e pedestres, levanta questionamentos urgentes sobre a gestão de arborização pública. O que se observa, infelizmente, não é uma ação isolada, mas um padrão técnico-administrativo duvidoso, onde o "risco" é frequentemente usado como justificativa vaga para a supressão de patrimônio ambiental consolidado.

   Árvores urbanas maduras são infraestrutura verde ativa. Elas não apenas embelezam, mas filtram poluentes, reduzem a temperatura local em até 5ºC, drenam a água da chuva e abrigam a fauna. Cortar uma árvore sadia, que leva décadas para atingir seu tamanho e pleno funcionamento ecológico, é um retrocesso. Muitas vezes, a alegação de "laudo técnico" esconde a falta de perícia especializada em arborização, preferindo o corte total à poda de manejo ou tratamentos fitossanitários adequados.
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   O discurso oficial costuma mencionar a compensação ambiental: "cortamos uma, plantaremos três". No entanto, mudas jovens levam mais de uma década para oferecer a mesma sombra, captura de carbono ou conforto térmico de uma árvore adulta. A erradicação de espécimes sadias, justificada por motivos superficiais — como sujeira das folhas ou interferência em calçadas que poderiam ser adaptadas —, agrava as ilhas de calor e a seca urbana.  Indispensável dizer que a avenida Paraná teve suas arborização erradicada na aplicação dos "pavers" e a região central foi transformada num forno.
 
Inversão de Valores na Gestão Pública
   É paradoxal que, enquanto a população clama por cidades mais verdes e confortáveis, o poder público atue de forma a "desarborizar" as vias. A ausência de um plano de manejo adequado e a rapidez na supressão sugerem um descaso com o longo prazo. Árvores não devem ser vistas como inimigas da infraestrutura, mas como aliados. O corte de árvores sadias é, acima de tudo, um sintoma de uma administração que prioriza o concreto em detrimento da qualidade de vida.

   A derrubada de mais uma grande árvore sadia é uma perda irreparável para a identidade local e para o equilíbrio ambiental. O município precisa de diálogo com especialistas e com a comunidade antes de operar as motosserras, adotando uma postura de preservação e manejo, e não de supressão indiscriminada. A árvore caiu, mas a indignação da população permanece de pé.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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