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Quinta-feira, 16 de Julho de 2026
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O “Saco sem Fundo” do Natal em Ibiporã

O Ciclo Vicioso do Desperdício com Dinheiro Público

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O “Saco sem Fundo” do Natal em Ibiporã
📸smct/PMI
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   Enquanto a população de Ibiporã tenta lidar com as contas do dia a dia no meio do ano, a Prefeitura Municipal já ligou o "modo Papai Noel" — mas no pior sentido possível para o bolso do contribuinte. O lançamento do Processo Administrativo nº 84/2026 (Edital de Pregão Eletrônico nº 46/2026) escancara o início da tradicional, e altamente questionável, temporada de gastos para o Natal de 2026. Desta vez, o foco está na "aquisição de ferragens e materiais afins", com um teto estipulado em R$ 41.413,33.
 
   À primeira vista, o valor pode parecer apenas uma fração do orçamento municipal. No entanto, o verdadeiro problema reside na repetição crônica e na falta de sustentabilidade dessa prática, que se transformou em um verdadeiro ralo de dinheiro público.
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    Quem acompanha a política local sabe que o roteiro é exatamente o mesmo todos os anos. A justificativa oficial da administração para esse certame é a "confecção e manutenção de decoração para o Natal". O termo "manutenção" é a cortina de fumaça perfeita para uma realidade incômoda: a incapacidade crônica do município em reaproveitar de forma eficiente as estruturas adquiridas nos anos anteriores.
 
   Se puxarmos o histórico de arquivos municipais, Ibiporã é reincidente em pulverizar o dinheiro do cidadão em compras fragmentadas para o mesmo fim. Em 2025, o Pregão Eletrônico nº 67/2025 já havia focado na compra de ferramentas para a decoração natalina daquele ano. Indo um pouco mais para trás, em 2022, a Câmara Municipal já registrava uma verdadeira enxurrada de processos parecidos:
  • Pregão 91/2022: Aquisição de ferramentas e bolas natalinas;
  • Pregão 71/2022: Compra de ferragens e madeiras para a decoração;
  • Dispensa 38/2022: Verba exclusiva para cercados de madeira na Vila do Natal;
  • Dispensa 12/2022: Gastos adicionais para a adequação e retirada da estrutura da árvore de Natal.
   O questionamento que fica no ar, e que o cidadão de Ibiporã tem todo o direito de fazer, é: onde param todos esses materiais após o término das festividades? Ferragens e ferramentas não são itens descartáveis ou biodegradáveis. Trata-se de patrimônio público que deveria ser catalogado, conservado e reinserido no ano seguinte.
 
   O que vemos, contudo, é a necessidade sistemática de comprar tudo de novo, do zero, como se a cidade sofresse de uma amnésia logística a cada mês de janeiro.
 
Uma Farra de Editais em Pleno Julho
   O "saco sem fundo" da decoração natalina de 2026 não para nas ferragens. Simultaneamente a este processo, a prefeitura também abriu o Pregão Eletrônico nº 45/2026 (Processo Administrativo nº 1302/2026), voltado especificamente para a "aquisição de materiais de tecidos" para o mesmo Natal, somando mais R$ 39.234,08 à conta.
 
   Apenas somando os tecidos e as ferragens, a prefeitura já empenhou mais de R$ 80 mil em insumos básicos — sem contar a mão de obra especializada, as atrações artísticas e os contratos de iluminação terceirizados que inevitavelmente virão nos próximos meses, como o histórico de eventos passados (como o "Natal de Paz e Luz") costuma registrar.
 
   O acolhimento das propostas para o pregão das ferragens começará às 08h00 do dia 17/07/2026, com a disputa de lances marcada para a manhã de 29 de julho. A pressa em garantir esses contratos com quase meio ano de antecedência contrasta fortemente com a lentidão histórica em resolver demandas sociais urgentes da cidade.
 
O Contribuinte Paga a Conta da Falta de Planejamento
  Celebrar o Natal e fomentar o comércio local são justificativas legítimas, mas que perdem a força quando mascaram o desperdício crônico. Tratar materiais duráveis — como o ferro e o aço — como se fossem descartáveis é o reflexo de uma gestão que prefere o caminho mais fácil (e mais caro) de abrir novos editais a ter o trabalho de planejar, armazenar e gerir o patrimônio municipal com responsabilidade.
 
   Ibiporã não precisa de um Natal que dure 12 meses no orçamento. Precisa de uma administração que respeite o suor de quem paga os impostos, exigindo transparência sobre o destino do material que já foi comprado nos anos anteriores antes de autorizar uma nova gastança. Afinal, o dinheiro público não nasce em árvore de Natal.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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