A homologação do Pregão 39/2026 oficializou a aquisição de catracas com reconhecimento facial e sistema de controle de acesso pela Prefeitura de Ibiporã pela bagatela de R$ 39 mil reais. A iniciativa levanta discussões sobre a prioridade de investimentos municipais, quando grandes quantias são aplicadas na modernização administrativa em detrimento da saúde pública, por exemplo.
O contraste entre a inovação digital e a realidade da população expõe uma grave disparidade na alocação de recursos públicos. Enquanto a administração municipal celebra a instalação de tecnologia de ponta no novo prédio da prefeitura — obra que se arrasta por anos —, a base da sociedade enfrenta a dura realidade de um sistema de saúde que clama por socorro.
Dispendiosos controles de acesso e a estética do luxo não substituem a dignidade do atendimento humanizado. O verdadeiro papel do serviço público não se resume a restringir ou modernizar a entrada do paço municipal, mas em garantir infraestrutura básica e atendimento ágil a quem mais precisa. No entanto, a cidade elegeu nove fiscais para o legislativo e ninguém parece ver isso. Ou se vê, é conivente!
A sociedade, diante de tal cenário, é forçada a questionar as prioridades de seus gestores, uma vez que a tecnologia de primeiro mundo pouco significa quando a atenção primária à saúde básica continua sucateada e a população sofre nas filas de espera.
Até apor uma questão de justiça, temos que reconhecer que o prefeito José Maria mantém seus investimentos em saúde acima do mínimo constitucional de 15%, aplicando rotineiramente entre 24% e 25% das receitas próprias no setor. No entanto, os relatórios oficiais apontam uma grande diferença entre o montante total orçado e a capacidade de executar obras pendentes ou reduzir gargalos de atendimento.
Isso se chama no serviço público, má gestão ou incapacidade administrativa, (o que todo mundo já está careca de saber) mas o prefeito não mexe na estrutura. Os dados mais recentes das prestações de contas na Câmara Municipal e no Portal de Execução Orçamentária detalham o histórico recente de despesas:
Evolução Recente dos Gastos (Função Saúde)Exercício Atual de 2026 (1º Quadrimestre): O município registrou R$ 31.787.615,86 em despesas totais com saúde. O índice de aplicação de recursos próprios fechou o período em 24,67%, somando um acumulado empenhado geral de mais de R$ 18,8 milhões na Função 10 até julho.
Nas audiências públicas, a pasta reforçou bons índices de vacinação e atuação do SAMU, mas reconheceu desafios persistentes na execução de obras de saúde e consultas especializadas. Só reconhecer, não basta. É preciso ação de correção ao que não funciona no sistema.
Exercício de 2025: As despesas totais acumuladas na saúde somaram R$ 54,48 milhões. Naquele ano, o índice realizado foi de 24,31% das receitas arrecadadas aplicadas diretamente no setor. Os maiores gastos concentraram-se em folha de pagamento de pessoal médico, custeio de unidades e compra de insumos.
Histórico de Fixação Orçamentária (LOA): Para fins de comparação histórica, o orçamento previsto exclusivamente para a saúde na cidade ficava na casa dos R$ 43,9 milhões anuais em períodos anteriores (como em 2022), subindo gradativamente conforme a arrecadação e os repasses federais e estaduais cresceram.
O Gargalo Apontado pela População
Embora os relatórios contábeis comprovem o cumprimento legal das metas fiscais (aplicar mais de 15%), a crítica local concentra-se na distribuição interna desses recursos. Moradores e parlamentares questionam o fato de haver lentidão em reformas e construções de Unidades Básicas de Saúde (UBS), enquanto obras da máquina administrativa recebem aportes ágeis, com recursos significativos sem nenhuma cerimônia. E nem vamos comentar aqui, os absurdos e rotineiros aditivos...

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