A disparidade financeira e estrutural em obras públicas na administração José Maria Ferreira (PSD) levanta questionamentos profundos sobre a qualidade da fiscalização municipal e o destino do dinheiro do contribuinte. Estamos assistindo a um fenômeno intrigante e financeiramente doloroso: o sumiço da imponência entre o papel do projeto e a realidade do cimento.
O cidadão ibiporaense, que paga impostos rigorosamente em dia, tem sido sistematicamente apresentado a uma versão "econômica" de obras que foram contratadas a preço de luxo. Duas intervenções recentes ilustram com perfeição essa matemática que simplesmente não fecha.
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A primeira delas salta aos olhos na reforma do prédio da sede da própria Prefeitura Municipal. Nos bastidores e nas discussões locais, o debate gira em torno de duas frentes: a cobertura e o chão. Onde o projeto previa um telhado robusto e materiais específicos, a execução final entrega alternativas questionáveis que carece atenção do Ministério Público.
Pior: o piso de granito, prometido para conferir a durabilidade e a dignidade que um prédio público central exige, deu lugar a substituições que empobrecem o patrimônio planejado. Paga-se por uma especificação técnica alta; recebe-se algo visivelmente inferior o que nos bastidores já foi assunto de alongadas e discutidas reuniões, custando inclusive, demissão de engenheiro que "ousou" posicionar-se contra o que foi entregue e aceito pelo Comissão nomeada pelo prefeito.
O segundo monumento à frustração coletiva está desenhado no trânsito. O projeto das novas rotatórias da cidade vendeu uma modernização urbana ousada. O ponto alto seria a rotatória localizada na Avenida Paraná, na confluência com as Ruas Clotário Portugal e Duque de Caxias. Os esboços iniciais que ilustraram as redes sociais, prometiam uma estrutura imponente, coroada com um chafariz que serviria como cartão-postal e marco de valorização daquela região. O resultado prático? Uma intervenção simplória, desanimadora e que passa longe de justificar os valores empenhados.

O que causa maior estranheza em todo esse cenário não é apenas a ousadia de quem executa mal a obra, mas a letargia de quem deveria fiscalizá-la. Onde estão os vereadores de Ibiporã? A Câmara Municipal, constitucionalmente desenhada para ser os olhos e os ouvidos do povo dentro do orçamento público, parece sofrer de uma cegueira conveniente.

A diferença entre a expectativa e o que foi entregue, é gritante
O papel do parlamentar vai muito além de aprovar moções de aplausos e participar de solenidades; sua função primordial é garantir que cada centavo pago pelo cidadão retorne em serviços e estruturas de idêntico valor. Essa diferença brutal entre o prometido e o entregue não parece incomodar os fiscais do legislativo, cujo silêncio ecoa como uma incômoda conivência.
Ibiporã não pode aceitar a política do "fato consumado", onde aceitar o menos pior se torna a regra. Quando a prefeitura tolera receber menos do que contratou, ela lesa o erário e desrespeita a população. É hora de o poder público explicar por que os projetos da cidade encolhem na hora de sair do papel, enquanto os custos continuam gigantescos.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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