O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) encerrou o primeiro semestre de 2026 com mais de R$1,8 bilhão pagos em precatórios, o equivalente a uma média diária de aproximadamente R$10,1 milhões. Segundo dados divulgados pela própria Corte, o volume representa crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Entre janeiro e junho, foram expedidos 15.644 alvarás, beneficiando 13.425 credores que aguardavam o recebimento de valores decorrentes de condenações judiciais contra o poder público. O resultado mantém a trajetória de crescimento do tribunal, que já havia alcançado, em 2025, o maior volume anual de pagamentos da história do Judiciário paranaense, R$3,41 bilhões, segundo o TJPR.
Além do crescimento no volume pago, o TJPR reduziu significativamente o tempo médio necessário para liberar os precatórios. O prazo, que era de aproximadamente 300 dias em 2024, caiu para cerca de 70 dias no último trimestre de 2025, resultado que o próprio tribunal atribui à modernização dos procedimentos internos, à revisão de fluxos e ao reforço da equipe da Secretaria de Gestão de Precatórios (Seprec).
O advogado Bruno Medeiros Durão, especialista em precatórios e presidente do Durão, Almeida & Pontes Advogados Associados, avalia que o resultado do TJPR é um indicativo de que a gestão eficiente muda a experiência concreta do credor. “O crescimento dos pagamentos mostra que, quando existe planejamento e organização administrativa, é possível reduzir filas e acelerar a entrega dos valores aos credores. Esse é um avanço importante para quem, muitas vezes, espera anos para receber um direito já reconhecido pela Justiça”, afirma Durão.
Segundo o especialista, no entanto, o avanço na velocidade dos pagamentos não dispensa cuidados por parte de quem vai receber o valor. "É fundamental que o credor acompanhe a situação do seu processo e tenha atenção às etapas posteriores à liberação do pagamento. Também é importante verificar questões tributárias e evitar golpes, que infelizmente continuam sendo frequentes envolvendo precatórios", alerta.
Durão também pondera que a experiência do Paraná pode servir de referência a outros tribunais, ainda que cada estado tenha uma realidade orçamentária distinta. “Iniciativas que aumentam a eficiência administrativa contribuem para dar maior previsibilidade ao sistema. Isso fortalece a confiança do cidadão no cumprimento das decisões judiciais e reduz o tempo de espera dos credores”, diz. “Quando a administração pública consegue dar mais previsibilidade aos pagamentos, o maior beneficiado é o cidadão, que passa a ter mais segurança sobre quando receberá um direito reconhecido pela Justiça.”, conclui.
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