Se as calçadas de Ibiporã acumulam mato e lixo, a administração municipal parece empenhada em garantir que, pelo menos no papel, o jardim da prefeitura seja digno de capa de revista. A interminável reforma do Paço Municipal arrasta-se há mais de três anos, transformando a sede do poder público em um verdadeiro buraco negro do dinheiro do contribuinte e uma vergonha urbanística a céu aberto.
O cronograma original virou piada. A obra, iniciada com base em uma concorrência de 2023, deveria ter sido entregue em novembro de 2024. Contudo, a prefeitura entrou em um labirinto infinito de justificativas estruturais e atrasos crônicos. Enquanto o prédio oficial permanece inacabado, o cidadão de Ibiporã paga a conta duas vezes: financia uma obra que já ultrapassou a marca dos R$ 10 milhões e, em paralelo, banca o ralo financeiro de aluguéis privados para abrigar as secretarias e divisões desalojadas.
Publicidade
Mas o verdadeiro escárnio contra a prioridade pública atende pelo nome de serviços supérfluos. A prefeitura sequer abriu as portas do novo prédio, mas a máquina de aditivos contratuais não para de girar, incluindo gastos absurdos com a empresa de paisagismo contratada para embelezar um canteiro de obras. É o ápice da futilidade administrativa: gasta-se com jardinagem e perfumaria estética antes mesmo de garantir o básico da engenharia civil.
O contrato (nº 167/2026), homologado e assinado pelo prefeito José Maria Ferreira, teve como objetivo a execução de paisagismo na fachada frontal da Prefeitura Municipal de Ibiporã. O valor total acordado foi de R$ 36.500,00. O prédio nem foi inaugurado e o "paisagismo" recebe aditivo para mais dois meses, o que dá a entender que a inauguração deverá ficar para dezembro.
Essa obsessão pelo "luxo visual" não é nova nessa reforma. O projeto já ostenta excentricidades inexplicáveis como:
- Um pórtico de pedra-ferro na fachada que custou R$ 600 mil.
- Uma guarita lateral cotada a R$ 70 mil, valor superior ao de muitas casas populares.
Enquanto isso, serviços essenciais que de fato atendem o trabalhador — como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e a infraestrutura básica dos bairros — enfrentam precariedade e ficam em segundo plano.
Felizmente, tamanha farra com o erário não passa totalmente impune aos olhos da justiça. O acúmulo de aditivos, a lentidão inexplicável e os custos inflados com elementos decorativos já colocaram a reforma milionária na mira do Ministério Público do Paraná (MPPR) e do GEPATRIA.
Investigado por supostas irregularidades após denúncias apresentadas ao MP, o Executivo de Ibiporã terá que explicar aos promotores como uma reforma de manutenção predial virou um poço sem fundo de aditivos supérfluos.
O contribuinte de Ibiporã não quer uma prefeitura com fachada de grife e jardim impecável paga à custa de impostos elevados; o cidadão exige respeito aos prazos, transparência e o fim do desperdício de dinheiro público com caprichos visuais em uma obra que parece não ter data para terminar.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

Comentários: