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Sabado, 17 de Outubro de 2026
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A cura pela folga: o bálsamo administrativo pós-urnas em Ibiporã

Ibiporã descobre que o calendário é maleável e que a gratidão política pode ser estendida por quatro dias inteiros.

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
A cura pela folga: o bálsamo administrativo pós-urnas em Ibiporã
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   Há quem diga que a ciência política é complexa, mas na Prefeitura de Ibiporã ela opera com a precisão de um relógio suíço — ou melhor, com a maleabilidade de um feriado estendido. O recente Decreto Municipal nº 383/2026, assinado pelo prefeito José Maria Ferreira, é uma obra-prima da engenharia burocrática: transferiu o ponto facultativo do Dia do Servidor de uma insossa quarta-feira (28 de outubro) para uma estratégica sexta-feira (30 de outubro). Unindo o útil ao agradável, os servidores ganharam um "feriadão" de quatro dias, já que a segunda-feira seguinte, 2 de novembro, é Finados.
 
    Maldosas línguas da oposição — sempre prontas para enxergar chifre em cabeça de cavalo — sugerem que a canetada tem forte sabor de prêmio de consolação. Afinal, faz pouco menos de duas semanas que as urnas do primeiro turno se fecharam, sepultando o projeto da dinastia local de catapultar o filho do prefeito e presidente da Câmara, Rafael Eik Ferreira, diretamente para uma cadeira de deputado estadual na Assembleia Legislativa.
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  Durante meses, o funcionalismo público municipal foi submetido àquela tradicional e intensa "dieta de engajamento" de bastidores, suando o jaleco e a camisa para transformar o herdeiro político em unanimidade estadual. Mas, para a tristeza do clã Ferreira, a realidade das urnas foi cruel e a campanha frustrada deixou um rastro de ressaca moral e corações partidos nos corredores das secretarias municipais.
 
  Como curar a melancolia de um cabo eleitoral que viu o esforço derreter na apuração? O prefeito, com sua vasta sabedoria de cinco mandatos, sabe que nada cicatriza mais rápido uma ferida partidária do que o ócio remunerado. Substituir o luto da derrota pelo doce balanço de uma rede na praia é um remédio infalível.
 
   É claro que a justificativa oficial falará em "otimização dos serviços públicos" e "merecido descanso aos dedicados trabalhadores". E quem ousaria discordar? Esticar o descanso com o dinheiro do contribuinte é a forma mais democrática e afetuosa de dizer "obrigado pelo empenho, pessoal, na próxima a gente consegue".
 
   A população, que precisará esperar até terça-feira, 3 de novembro, para resolver qualquer pendência administrativa, certamente entenderá a urgência desse repouso. Afinal, carregar o piano de uma campanha eleitoral malsucedida é um trabalho exaustivo. No grande teatro da política de Ibiporã, o filho perdeu a vaga no legislativo, mas o servidor garantiu o passaporte para o feriado prolongado perfeito. Quem precisa de votos quando se tem a caneta do papai para decretar a felicidade geral da repartição? 
 
   Enquanto os pequenos empresários, lojistas e prestadores de serviços da cidade tentam fechar o mês de outubro no azul — equilibrando boletos, impostos e salários —, a administração municipal decidiu que o melhor para a economia é... apagar as luzes. Afinal, quem precisa de alvarás, certidões, vistorias ou qualquer atendimento burocrático em uma sexta-feira útil? O empresário que comprou estoque e precisa emitir uma guia de última hora que espere até a terça-feira, 3 de novembro. A pressa, como se sabe, é inimiga da perfeição e do funcionalismo emendado.
 
   A ironia atinge o ápice quando pensamos no destino dos salários pagos pelo contribuinte de Ibiporã durante esse hiato de quatro dias. A justificativa oficial para criar esse "megaferiado" é sempre o bem-estar e o estímulo ao descanso. Mas vamos à prática: com quatro dias livres na agenda, o servidor não vai gastar o seu rico dinheirinho na mercearia do bairro.
 
  Ele vai arrumar as malas e gastar o salário nas praias de Santa Catarina ou nos shopping centers de Londrina. É um estímulo econômico fantástico, só que para os municípios vizinhos.   Para o comércio local de Ibiporã, o que sobra é o silêncio das ruas centrais esvaziadas e o prejuízo invisível das transações que simplesmente deixam de acontecer. Enquanto o comércio patina, a prefeitura flutua na leveza de quem não precisa se preocupar com metas de faturamento para pagar a folha de pagamento no fim do mês. É ibiporã sendo Ibiporã na gestão que não deixa ninguém prá trás!
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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