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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026
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O Safari Eletrônico e as Duas Rodas da Salvação em Ibiporã

Sorria, você está sendo multado: O protesto de duas rodas que escancarou a nova "passarela digital" do trânsito.

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O Safari Eletrônico e as Duas Rodas da Salvação em Ibiporã
📸Reprodução/Redes Sociais
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   Ibiporã virou oficialmente um parque temático da velocidade controlada.  A mais nova atração turística do município não é uma praça repaginada, mas sim a imponente selva de postes e lentes digitais. Desde as principais entradas da cidade, quem ousa dirigir um veículo motorizado é obrigado a praticar a paciência budista, rastejando sob a vigilância implacável de limites que variam entre 40 km/h e 50 km/h.
 
   Diante do cerco tecnológico, o vereador Hugo Furrier resolveu abandonar o estresse dos motores e resgatar o meio de transporte mais revolucionário do século XIX: a bicicleta. Em um vídeo que rapidamente viralizou nas redes sociais, o parlamentar passeia de "camelo" pelas vias públicas e lança a profecia irônica para os tempos modernos: "De agora em diante, só de bike".
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   [ CARRO: 40 km/h ] 🚗 ------> 📸 *FLASH* (Multa!)
   [ BIKE:  15 km/h ] 🚲 ------> 😎 (Livre, leve e solto)
   Enquanto a versão oficial do Departamento de Trânsito sempre evoca as palavras sagradas — segurança, educação e proteção à vida —, o cidadão comum, ao ver o clarão do sensor óptico, só consegue enxergar uma coisa: a engorda desenfreada dos cofres públicos.
   A suspeita popular de uma "indústria da multa" ganha força a cada novo poste fincado no asfalto. Virou um verdadeiro safari fotográfico, onde o leão é o fisco e a caça é o bolso do motorista.
 
  O paradoxo é quase poético. Se o objetivo técnico é puramente pedagógico — fazer o motorista reduzir a velocidade para preservar vidas —, a engenharia de tráfego moderna já inventou a solução definitiva há décadas. Contudo, ela tem um "defeito" gravíssimo para a arrecadação: não gera boletos.
 
O Milagre Oculto da Faixa Elevada
   Em vários dos pontos críticos colonizados pelos radares, a segurança de quem anda a pé poderia ser resolvida de forma muito mais simples, barata e permanente: com uma travessia de pedestres elevada.
A engenharia por trás da faixa elevada é infalível:
  • Física Pura: Força o motorista a desacelerar pela pura autopreservação dos amortecedores do carro.
  • Pedagógica de Verdade: Protege o pedestre 24 horas por dia, sem precisar enviar uma cartinha com código de barras trinta dias depois.
  • Custo-Benefício: Uma dose de concreto e tinta dura anos e resolve o perigo na hora.
   Mas, claro, o concreto não gera receita recorrente e nem pisca à noite fazendo pose para o motorista. No cabo de guerra entre a engenharia criativa e a arrecadação eletrônica, o radar ganhou de lavada por pontos — ou melhor, por infrações.
 
   Se a moda do vereador Hugo Furrier pegar e toda a população adotar o "pedal de protesto", a prefeitura terá um sério problema de orçamento. Até lá, resta ao motorista de Ibiporã exercitar as pernas ou preparar o limite do cartão de crédito, pois na passarela da fiscalização eletrônica, todo mundo corre o risco de sair na foto.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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