A Educação em Ibiporã alcançou a nota 6,7 nos anos iniciais do ensino fundamental no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. O balanço divulgado este mês pelo Ministério da Educação (MEC) aponta uma recuperação de 1,0 ponto em relação ao índice de 2023, além de destacar o Complexo Municipal Professora Ivanildes Gonçalves Nalim, que isolou-se na liderança municipal ao disparar 47% e cravar a nota 7,5.
Apesar do tom festivo adotado pela atual administração de José Maria Ferreira (PSD), uma análise linear sobre o histórico educacional de Ibiporã revela que a comemoração esconde um processo tardio de reparação, marcado por uma queda vertiginosa nos anos que sucederam a gestão do ex-prefeito João Coloniezi quando a educação era comandada pela professora Maria Margareth Coloniezi em gestões de diferentes períodos (como de 2013 a 2016 e novamente a partir de 2017).
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O Efeito Gangorra: A Queda Após a Gestão Coloniezi
Durante o mandato do ex-prefeito João Coloniezi, a educação de Ibiporã consolidou patamares de estabilidade técnica que colocavam o município em posição de destaque regional.
No entanto, a transição política e as escolhas pedagógicas subsequentes cobraram um preço alto. O período pós-Coloniezi foi caracterizado por um verdadeiro colapso nos indicadores básicos de fluxo e aprendizado, fazendo com que o índice local despencasse a níveis alarmantes nas avaliações seguintes (como o reflexo visto em 2021 e 2023).
Educadores avaliam a queda vertiginosa deu-se pela falta de um profissional da área, onde as ações do secretário eram apenas figurativa sob o comando e decisões tomadas exclusivamente pelo prefeito e uma comissão de agraciadas nomeadas por ele.
Enquanto cidades vizinhas estruturavam a retomada pós-pandemia com pacotes robustos de recomposição de aprendizagem, Ibiporã patinou na incompetência, na burocracia e na descontinuidade de projetos. A queda acentuada do Ideb expôs falhas severas na gestão escolar da época, privando os alunos do rendimento esperado e empurrando a média municipal para baixo, gerando duras críticas de especialistas e da própria comunidade política local.
O Fenômeno Isolado do Complexo Ivanildes Nalim
Analisando a grande "agraciada" do Ideb 2025 foi a Escola Municipal Ivanildes Gonçalves Nalim, cuja nota saltou de um patamar mediano em 2023 para impressionantes 7,5. O avanço técnico da instituição podemos dizer que apoiou-se em pilares específicos como o ensino bilingue. O projeto pioneiro de imersão em língua inglesa adotado em 2022, apesar de ter enfrentado forte resistência e preconceito inicial da comunidade, provou estimular a cognição e o processo de alfabetização.
A aplicação de oito simulados preparatórios em um único ano condicionou os estudantes ao formato de avaliação do Saeb. A parceria ativa entre a coordenação pedagógica, estagiários e o corpo docente mitigou a evasão escolar e a repetência. No entanto, sob a ótica de quem labutou por anos na educação, o sucesso do Complexo Ivanildes Nalim desenha uma realidade assimétrica.
Quando uma única escola atinge 7,5 mas a média geral do município fixa-se em 6,7, fica evidente que o avanço não é homogêneo. O resultado escancara a existência de ilhas de excelência cercadas por unidades que ainda lutam para digerir o retrocesso dos últimos anos.
Retomada Positiva ou Ilusão Estatística?
A nota de 6,7 supera a média nacional de 6,0. Contudo, celebrar o indicador atual como um "teto histórico intransponível" é um erro de perspectiva. O avanço de 1,0 ponto em relação a 2023 funciona mais como um amortecedor de danos do que como uma evolução real de vanguarda.
O Paraná, como estado, lidera o ranking nacional com média de 7,0 nos anos iniciais. Ficar com 6,7 significa que Ibiporã, outrora referência, hoje corre atrás do prejuízo para se equiparar à própria média da rede pública paranaense.
A atual gestão utiliza o recorde numérico para construir uma narrativa de eficiência, mas ignora que o ponto de partida dessa "recuperação" era artificialmente baixo devido à deterioração sofrida logo após o término do mandato de João Coloniezi e a aposentadoria da professora Maria Margareth Coloniezi.
Há, portanto, muito espaço para evolução. O desafio de Ibiporã não é criar escolas de ponta para exibições estatísticas em anos eleitorais, como estamos vendo, mas sim universalizar o padrão técnico do Complexo Ivanildes Nalim para todas as salas de aula da periferia. Até que a distância entre a pior e a melhor escola municipal seja reduzida, o Ideb de Ibiporã continuará sendo o retrato de uma rede que reage por espasmos, e não por uma política de Educação consolidada como na gestão do casal Coloniezi.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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