
Ibiporã perdeu nesta quarta-feira, um de seus nomes mais ilustre. Pedro Carlos Zilli, ou Dom Pedro Zilli como era conhecido e reconhecido pela igreja, morreu em Bafatá, na Guiné Bissau na África Ocidental onde era bispo da Diocese naquele país. Dom Pedro Zilli era natural de Santa Cruz do Rio Pardo, mas seu coração estava em Ibiporã. Zilli havia sido ordenado bispo do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME) em 01 julho de 2001 aos 46 anos em Ibiporã. Cerimônia esta que reuniu 100 padres entre eles Dom Albano Cavallin, dois Bispos de Guiné Bissau e um de Milão, na Itália além de centenas de fiéis católicos de Ibiporã e região.

Dom Pedro foi ordenado padre em Ibiporã em 1985 e no mesmo ano foi enviado como missionário para a África onde permanecia até os dias de hoje. Foi vigário nas paróquias de Bafatá e Suzana, onde os cristãos são minoria entra a população. A maioria professa religiões islâmicas e animistas com manifestações próprias da religiões africanas. Em Bafatá onde exercia o episcopado, cerca de 10% dos 500 mil habitantes são católicos. Em1988 esteve de volta ao Brasil por um breve tempo onde trabalhou na formação de novos missionários no PIME em Brusque, Santa Catarina. "Ser Bispo Missionário em um dos países mais pobres do mundo não é nenhum ato de heroísmo. Vejo que aqui no Brasil, muitos enfrentam situações parecidas com muita coragem", dizia Dom Zilli. Dom Pedro Zilli, por várias vezes foi acometido por surto de malária, mas nunca se entregou. Quando estava no Brasil, sentia vontade retornar a Bafatá, e foi o que fez permanecendo lá até seu último dia de vida. A expectativa de vida em Guiné Bissau é de cerca de 50 anos. A maioria da população morre com menos disso em virtude de várias situações como a falta de assistência médica, saneamento básico e doenças tropicais agudas, como a malária, o tifo, Aids e agora o Covid-19. Para o Bispo a missão na África era um chamado. O índice de analfabetismo chega a 63% assim como o índice de mortalidade infantil. Dom Zilli enfrentou uma guerra civil entre facções de guerrilheiros e o governo embora a igreja católica convivesse em boa harmonia com as demais religiões e seitas africanas.
O anúncio do evangelho e o diálogo com as demais religiões foram o episcopado do missionário que priorizava a promoção humana em um país com graves problemas de saúde como a falta de pronto socorros e hospitais. Tinha como propósito executar um projeto junto a Caritás, órgão que coordena as obras sociais da igreja católica semelhante a Pastoral da Criança. De acordo com o Bispo, a reconciliação entre o povo guineense depois de uma "guerra fraticida" era o ponto crítico do episcopado. "Existia muito ódio e era preciso curar os corações", dizia. Com o tema, "o amor jamais passará", Dom Pedro Zilli deixa seu legado de homem experimentado nos trabalho e guardião da fé. Dividido em duas pátrias, deixa a saudade como companheira dos amigos e familiares. Como o Papa João Paulo II, não foram as doenças nem as dores que o impediram de fazer suas viagens incansáveis, por amor ao evangelho e ao próximo. Dom Pedro Zilli, parte para a eternidade porém sua última frase ao deixar o Brasil espelhou-se em Cristo. "Eis que estarei convosco"! Combateu o bom combate, terminou a carreira e guardou a fé.

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