A debandada de capacitados e responsáveis engenheiros e técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ibiporã acendeu um sinal de alerta sobre as dinâmicas internas e o cumprimento das leis na gestão do prefeito José Maria Ferreira (PSD). A recente saída, a pedido, do Diretor de Departamento da pasta, Amauri Bianchini, oficializada pelo Decreto Municipal nº 257/2026, traz à tona fortes questionamentos na opinião pública: o que realmente está acontecendo nos bastidores da administração municipal para que profissionais de perfil estritamente técnico prefiram abrir mão de seus cargos?
O mesmo ocorreu com o engenheiro ambiental e Secretário Municipal, Alberto Baccarim que deixou o cargo acerca de três meses. O esvaziamento técnico da pasta coincide com um momento crítico na infraestrutura de Ibiporã. O município tem enfrentado recomendações do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) para a melhoria e retomada na gestão de obras públicas, além de embates jurídicos de grande repercussão que resultaram na suspensão parcial e interrupção de intervenções urbanas e rurais devido a inconformidades ambientais.
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O Choque entre Rigor Técnico e Pressão Política
A aparente resistência da equipe técnica em flexibilizar os requisitos do licenciamento ambiental levanta suspeitas de um conflito ético crônico. Não é uma situação inédita na história recente da cidade ver engenheiros e diretores se afastarem do Executivo sob rumores de que se recusavam a "atropelar" os trâmites legais para acelerar o cronograma de obras.
Em outro recente caso, encaminhado ao Ministério Público, outro engenheiro foi convidado a demitir-se por não compactuar com supostas irregularidades de conivência do Secretario de Obras Junior Frederico Aliano e do próprio prefeito na recente reforma do prédio da prefeitura municipal que custou mais de R$ 11 milhões de reais.
O pano de fundo desse cenário é composto por pressões severas do Ministério Público do Paraná (MPPR). Recentemente, a Justiça do Paraná concedeu liminares cruciais determinando a interrupção de intervenções e a recuperação de áreas degradadas no município devido a graves danos ecológicos e ocupações que atingiram diretamente Áreas de Preservação Permanente (APP).
Paralisações e Riscos Jurídicos: O Reflexo nas Ruas
A ausência de um acompanhamento ambiental blindado de interferências políticas traz prejuízos diretos ao desenvolvimento e aos cofres municipais. Atualmente, obras que dependem fundamentalmente de conformidade com a legislação — como serviços de drenagem profunda executados às margens de corpos d'água essenciais, a exemplo do Rio Tibagi — exigem autorizações ambientais específicas que não admitem atalhos.
- Prejuízo financeiro: Projetos paralisados por inadequação técnica geram desperdício de dinheiro público e aditivos contratuais.
- Insegurança para a população: A falta de rigor e a pressa na liberação de loteamentos forçaram intervenções judiciais drásticas da 1ª Promotoria de Justiça da comarca para suspender vendas e obras irregulares.
- Risco de improbidade: A insistência em ignorar pareceres técnicos deságua diretamente em ações na Vara da Fazenda Pública de Ibiporã por improbidade administrativa.
A Pergunta que a Sociedade Exige Resposta
Diante desse histórico de substituições abruptas em cargos de comando, a sociedade civil e os órgãos de fiscalização têm o direito de exigir total transparência da administração de José Maria Ferreira. Afinal, a Secretaria de Meio Ambiente — reestruturada para dar atenção rigorosa ao ecossistema e à crise climática global — deve funcionar como uma agência reguladora e protetora do patrimônio natural de Ibiporã, e não como um balcão de homologações imediatistas.
Este é o cenário lógico que de fato, vem justificar a debandada de profissionais compromissados com a ética e com a responsabilidade que lhes foram confiados. Se os engenheiros e profissionais renomados estão deixando seus postos para salvaguardar seus registros profissionais e suas reputações, fica evidente que o rito legal está sob ameaça. Resta saber até quando o progresso da cidade continuará travado pelo "coronelismo" em supostas tentativas espúrias de contornar leis fundamentais de preservação a seu bel prazer.
Resta saber se a nova nomeada, pelo decreto nº 195/2026, Sandra Cleia da Silva, vai rezar a cartilha do chefe, ou se vai preservar sua reputação pós-graduada em automação industrial, e gestão e análise ambiental. Ser profissional é prezar pelos valores éticos e morais, atributos que políticos profissionais geralmente não sabem o que é. O último que sair, por favor, apague a luz porque a conta é o povo que paga!
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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