O futebol do LEC, Londrina Esporte Clube é rico em histórias. Algumas delas podemos contar em detalhes porque estávamos lá. Dentro e fora de campo. Em março de 1996, no final de semana em que o Palmeiras da era Parmalat anunciava ao País que um bom marketing dava certo, ao golear por 8x0 o Botafogo de Ribeirão Preto pelo Campeonato Paulista, aqui em Londrina, o sucesso não era diferente.
Sem comparação pecuniária, mas na esnobada e ousada campanha de marketing para reerguer o Tubarão, o Londrina vivia tudo de novo. Desde a presidência até o gandula. O nome da mudança, era Marcelo Caldarelli, que de dono de cantina italiana, passou a presidente do LEC numa manobra política que o colocou na mídia nacional.

Exposição à mídia colocou Marcelo Caldarelli em saia justa. Foi acusado de ofuscar o patrocinador do LEC
Despojado e ousado, acima de tudo, não perdia o bom humor nem quando as coisas pareciam dar errada. Amado por uns, odiado por outros, assim que assumiu a diretoria, fez parceria com a CDI Futmarketing, empresa criada pelo empresário Marcelo Masso Quelho, dono da rede de escolas de Inglês/Informática e Escola de Modelos CDI.
A parceria proporcionou a contratação do ator, Nuno Leal Maia (que fazia sucesso na novela global Vereda Tropical) para ser o técnico de futebol e Romeu Evaristo (o Sací do Sítio do Pica Pau Amarelo) para ser seu auxiliar técnico. Na época, a CDI pagava pelo patrocínio estampado na camisa do Tubarão, R$ 30 mil reais mensais, além dos salário dos atores. No início foi uma lua de mel, e o Londrina ganhou destaque nacional depois que o Fantástico fez uma matéria exclusiva sobre a campanha do LEC naquele início de 96 onde a CDI levava belas modelos para animar torcida nos intervalos.

Nuno Leal Maia e Marcelo Quelho na apresentação ao clube observados por Caldarelli e o Sací
Outra curiosidade é que quando por ocasião de pagar a folha de pagamento, os bichos pelas vitórias eram pagos aos jogadores em bois, algo inédito na história do futebol. E com isto, o presidente Marcelo Caldarelli, somados aos primeiros resultados positivos do Tubarão foi conquistando cada vez mais a mídia, chegando a ofuscar o patrocinador. Foram três vitórias e dois empates seguidos. Caldareli aproveitou o sucesso de mídia com o filme “Tubarão” de Spielberg que resolveu propor a mudança da camisa do clube no terceiro uniforme, adotando a imagem do Tubarão. E a fama de Tubarão pegou até hoje tonando-se mascote oficial.

Mas a gota d'água ocorreu próximo ao final de contrato com a DCI Futmarketing, por ocasião da visita do presidente da PepsiCo- Pepsi Cola Corporation em Londrina, onde estudavam mercado para colocar aqui uma das fábricas do refrigerante. Caldarelli então mandou confeccionar uma camisa do Tubarão, com a estampa da Pepsi-Cola e presenteou o presidente da multinacional, o que irritou Quelho.
Mais uma vez, a mídia dava destaque para a ousadia de Caldarelli e o casamento com a CDI acabou.
Quelho acusou a diretoria do Londrina de não respeitar o contrato, e das mudanças repentinas de atitude do presidente Caldarelli sem consultá-lo. Por sua vez Caldarelli dizia para imprensa que não se sentia culpado se suas atitudes traziam mais “visibilidade” ao Londrina do que o patrocinador e que a intriga, era apenas ciúme do empresário.

Cds dos Mamonas para a torcida, e as animadoras dos intervalos, modelos da CDI
O presidente do LEC ainda ironizou o “desafeto” alegando que quem não cumpriu parte do contrato foi a CDI que tinha o compromisso de vender espaços publicitários no VGD e isto não aconteceu ao longo do contrato. Com a saída da CDI, o LEC passou a assumir os salários do técnico e auxiliar bem como suas despesas de viagens de ida e volta ao Rio por ocasião das gravações das novelas. Na sequencia o LEC conseguiu uma gama de patrocinadores como NET Londrina, Nóbile Hotel, Principal Vigilância, Viação Garcia e PVC Brasil. Naquele ano, em que morreram também os Mamonas Assassinas em um acidente aéreo, o Tubarão entrou em Campo com uma faixa de homenagem e os jogadores lançaram Cds da banda para o público presente.
Em 18 de março daquele ano também ficou marcado um dos jogos mais difíceis do LEC , o jogo de número 100 contra o União em Bandeirantes onde depois do jogo vencido pelo Tubarão pelo placar de 2x1, a imprensa de Londrina ficou refém sob ameaças da torcida local até amanhecer o dia. Até então era 31 vitórias para cada um e 37 empates.
Foi preciso uma tropa de choque sair de Londrina para escoltar a imprensa de volta a capital do Café. E nós, aqui da Folha Regional estávamos lá, com as equipes das rádios Cruzeiro, Brasil Sul, Paiquerê, Norte além do pessoal da RPC, e jornal Folha de Londrina, Jornal de Londrina e Correio Londrinense. Alguns companheiros de imprensa que lá estiveram conosco, hoje infelizmente, já não estão mais entre nós.
Tempo bom, que não volta mais...

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