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Sabado, 16 de Maio de 2026
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Feira livre de Ibiporã, lugar de contos, crimes, encantos e abandono

Lugar aprazível de histórias incontáveis, um lugar que merece mais respeito do poder público

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Feira livre de Ibiporã, lugar de contos, crimes, encantos e abandono
Folha Portal/Arquivo/Google
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    Se você pensa que a feira é só um espaço a céu aberto com barracas que vendem produtos hortifrutigranjeiros, está na hora de ampliar as ideias. Ela é muito mais que isso. Especialmente quando se trata de um local, fadado ao abandono do poder público. Muito diferente das que ocorrem nas ruas nordestinas, como a Feira Livre do Bugio, na periferia de Aracaju. Lá o poder público valoriza o feirante a ponto de tornar a feira livre numa atração turística sem precedentes. O espaço ocupado por esse comércio é tão grande que, olhando do início da feira, não se vê seu final. São mais de 250 metros, com cerca de 320 barracas, organizadas em três filas paralelas.  E com segurança!
   A feira livre, em qualquer lugar que seja, é mais do que um simples comércio de varejo.  Trata-se de um ponto rico da cultura popular. Além de vendedores de frutas, verduras, legumes e peixes, tem raizeiros que comercializam raízes, sementes e folhas medicinais e até cantores”, como se encontra na feira do Cincão em Londrina.

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    Apesar que algumas “dondocas” só aparecem na feira de quatro em quatro anos, (como deputados por exemplo) ou quando os maridos são candidatos, algumas tem certo preconceito em frequentar. Que dirá trabalhar no local. Acham que só gente pobre compra os produtos de lá.           Como diria o personagem “Caco Antibes”, representado por Miguel Falabela, “Eu tenho horror a pobre”. Lembra uma certa candidata em Ibiporã, que chegou a passar mal ao visitar a periferia da cidade durante sua campanha para prefeita. Há quem diga que chegou a vomitar ao entrar na casa de um pobre.
    O assunto da semana, foi a feira. Um assunto que ficou como o “trem de turismo” de Sandra Moya e Elza Correia. Vem não se sabe de onde e vai para lugar nenhum.  “Por que existem feiras até hoje?” Uma das hipóteses é o “folclore” de que o preço é menor que o dos supermercados, o que leva algumas  pessoas a preferirem comprar ali. Outros vão a feira para a resenha tradicional depois da missa, além de tomar um café e comer um pastel. Ir a feira e não comer um pastel é como ir a Roma e não ver o papa. É tradição!
     A feira por tradição, teve início na Europa em países como Portugal e Itália onde algumas famílias se reuniam em pequenas barracas ao longo das praças apenas para negociação. Era a troca de produtos como o que ocorre até nos dias de hoje na feira do Bugio em Aracajú.

Feira livre de Ibiporã na Av. Souza Naves. Proibido resenha política depois da missa

    Em São Paulo, por exemplo, a feira do Parque Don Pedro, cresceu tanto que acabou sendo acomodado em prédio inaugurado em 25 de janeiro de 1933 tornando-se hoje, a maior feira de produtos da América do Sul. Antes ocupava o chamado “Largo do Glicério”, a céu aberto, como a maioria das feiras pelo país. Muitos não sabiam que teve início na rua, na década de 1920. 
    Para ampliar a discussão, a feira livre de Ibiporã sempre foi fruto de má vontade política. Tem prefeito que perseguia feirantes que eram seus desafetos na política. Um desnaturado desse (para não usar uma metáfora pitoresca), chegou a caçar o alvará de uma feirante, porque um grupo de pessoas que “faziam oposição a sua gestão” se reuniam ali, para discutir sobre os problemas da cidade. A família toda foi alvo de perseguição a ponto de mudarem-se da cidade.
    Logo a feira é um lugar muito importante para a comunidade. Já teve vereador que levou um bofetão na feira, e tem outro que mamãe diz que tem que andar com dois seguranças. Um deles vive caindo de bêbado, mas está lá, firme como um palanque no banhado. Palco de brigas e até furto de veículos.
    Na feira livre, também é comum ver crianças ajudando nas barracas ou “fazendo carrego”, expressão que significa vender produtos no carrinho de mão.  Um assunto que contraria os conceitos europeus, especialmente em Portugal onde a criança aprende valores e responsabilidades.

 

Feira livre. Lugar onde você só vê político passeando de quatro em quatro anos 

   A expressão de origem portuguesa “é de pequenino que se torce o pepino” aparece em livros do século XVII. Para o autor da frase, o escritor português, Luís da Câmara Cascudo, significa que “na infância é que se educa, eliminando os despropósitos juvenis, as exaltações temperamentais, as tendências bravias e dispensáveis”. Assunto este que a Constituição Brasileira e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) trata como crime.      É delicado tratar disso, pois é algo tão anormal que a criança pode vir a feira roubar, acharcar, promover vandalismo, mas não pode aprender ofício, trabalhar... como o exemplo que temos aqui, com o Cezinha da Feira, que desde criança já puxava o carrinho com quatro vezes o seu peso, ou mais. E não morreu...está aí, como exemplo de empresário e uma família de bom testemunho!

    Isto chama-se educação, que vem da escola da vida! O estigma de que crianças que iniciam trabalho cedo e acabam não estudando, não cola. É desculpa de quem não sabe educar. A feira livre é tão importante que já foi ponto de dissertação e tema de vestibular.
    E, sem dúvida a iniciativa de discutir a feira-livre de Ibiporã é necessário. Embora alguns que deveriam estar interessados, estão acomodados com a situação. E há até aqueles que criticam iniciativas de mudanças, como o local, por exemplo. A feira de Ibiporã está fadada ao abandono. Até crime já ocorreu ali. Falta segurança, e os próprios consumidores estão desaparecendo aos poucos, graças ao espaço para estacionamento estar sob o comando do acharque de "noiados". 

    Não pagou tem o carro riscado, pneu furado, retrovisores quebrados e vai por aí.
   As feiras livres, enquanto espaços complexos de trabalho, passa despercebida como constituídas de beleza, de brincadeira e movem-se num mundo ritual de monta e desmonta. Valem-se de uma dinâmica de trabalho ressaltada pela cooperação, mas também pela competição, estabelecendo, nessa trama, uma rede de relações sociais em que os feirantes constroem seus respectivos sistemas de trabalho, ainda que por vezes, até atrapalhada e abandonada pelo poder público! Autoridades de Ibiporã! Mais respeito com esta categoria de trabalhadores!

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Arquivo/Google
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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