O debate sobre a aplicação das verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) frequentemente cai em uma armadilha demagógica: a ilusão de que a existência de “sobras” de caixa ao final do ano para rateio (o famoso abono) é um indicador de valorização do magistério.
Na realidade, a história da política educacional de Ibiporã demonstra exatamente o oposto. A ausência de sobras na gestão do ex-prefeito João Toledo Coloniezi (2017–2020) não representou falta de investimento, mas sim o ápice de uma aplicação planejada, transparente e integral do dinheiro público onde ele mais deve estar: no desenvolvimento contínuo da educação e na estruturação definitiva das carreiras.
Para compreender essa dinâmica, basta olhar para as transformações estruturais da legislação federal. O Novo Fundeb, tornado permanente pela Emenda Constitucional nº 108/2020, elevou o patamar obrigatório de gastos com pessoal. Se na antiga gestão de José Maria Ferreira a lei exigia a aplicação de pelo menos 60% dos recursos no pagamento dos profissionais do magistério, a legislação atual fixa esse investimento mínimo em 70%.
Em 2026, com o fundo movimentando um recorde estimado de R$ 370,3 bilhões em todo o país — impulsionado pelo teto de 23% da complementação da União —, as regras de fiscalização e as metas finalísticas ficaram ainda mais rigorosas.
O rateio de “sobras” só ocorre legalmente quando uma administração falha em atingir esses percentuais mínimos obrigatórios ao longo do exercício financeiro. Trata-se de um mecanismo de compensação emergencial, um “remendo” jurídico para que o município não sofra sanções por incompetência de planejamento orçamentário.
Quando uma gestão investe massivamente desde o primeiro mês do ano — concedendo reajustes salariais fixos na folha, contratando professores efetivos por meio de concursos públicos, adquirindo materiais pedagógicos de excelência e realizando grandes reformas sem aditivos absurdos —, o orçamento é executado de forma equilibrada.
O recurso é esgotado em benefício de toda a rede municipal, sem margem para que o dinheiro sobre e seja utilizado como ferramenta de politicagem para agradar a pequenos grupos em detrimento do ecossistema escolar como um todo.
Essa divergência entre a visão assistencialista e o compromisso técnico-estrutural ficou evidente em Ibiporã ainda em 2013. À época, ao assumir a Secretaria Municipal de Educação sob o comando de José Maria Ferreira, a então secretária e profissional da educação Margareth Coloniezi deparou-se com um cenário alarmante de escassez de professores e severa falta de manutenção nas escolas.
Ao defender que as verbas do Fundeb fossem integralmente direcionadas para solucionar as demandas crônicas da infraestrutura escolar e para o bem geral da comunidade educacional, Margareth enfrentou a resistência corporativista e a pressão política daqueles que priorizavam a retenção de caixa visando o rateio financeiro de final de ano.
Por recusar-se a subordinar a qualidade do ensino público a interesses eleitoreiros e individuais, prática comum do atual prefeito, a discordância técnica culminou em seu pedido de exoneração em outubro daquele mesmo ano. Ficou evidente as divergências na condução da pasta e limitações de autonomia, o que gerou grande repercussão política na cidade na época.
Esse episódio marcou o distanciamento político entre o grupo de José Maria Ferreira e João Toledo Coloniezi, que posteriormente se enfrentaram diretamente nas urnas nas eleições municipais. Arrogante, José Maria provocou Coloniezi dizendo que se quisesse, “elegia um poste”, desdenhando do então candidato. E levou uma lavada nas urnas, o que não engoliu até hoje!
O tempo provou que a tese defendida em 2013 pela professora Margareth Coloniezi e consolidada na gestão de João Toledo Coloniezi estava correta e alinhada ao futuro da educação nacional. Em 2026, o Novo Fundeb impõe novas obrigações severas aos prefeitos, como a destinação compulsória de pelo menos 4% dos recursos para a expansão de matrículas em tempo integral.
Administrar a educação exige coragem para aplicar o dinheiro público na sua totalidade e em favor do estudante, da infraestrutura e do salário real fixado na carreira do professor — que em 2026 alcançou o piso nacional de R$ 5.130,63 para 40 horas semanais após correções com ganho real. Dinheiro que “sobra” no caixa da educação é, quase sempre, o reflexo de uma sala de aula que ficou sem reforma ou de uma vaga de professor que deixou de ser aberta.
O legado em obras: Investimento real na rede de Ibiporã
Para concluir, nossa opinião, diferente do discurso puramente eleitoreiro, a transformação da rede municipal de ensino de Ibiporã na gestão de João Coloniezi foi comprovada por marcos físicos e estruturais. Em vez de reter o caixa para distribuir em abonos temporários, a administração aplicou os recursos em obras definitivas que ampliaram o patrimônio público e a capacidade de atendimento da cidade, senão vejamos:
Escola Municipal Aldivina Moreira de Paula: A entrega da aguardada nova sede, no Jardim Pérola, solucionou demandas históricas de espaço e segurança para os alunos.
CMEI Tempo de Infância: A construção da nova unidade no Jardim Miguel Petri gerou 300 novas vagas para a educação infantil, reduzindo drasticamente a fila de espera por creches no município.
Escola Municipal Sebastião Luiz de Oliveira: Localizada no Jardim John Kennedy, a instituição recebeu uma ampla reforma e ampliação em sua estrutura física.
Colégio Estadual Ulysses Guimarães: A articulação da gestão municipal junto ao Governo do Estado viabilizou a liberação e construção da nova sede da escola na Zona Sul, projetada com capacidade para atender até 1.100 alunos em dois turnos.
A mesma escola que o então prefeito José Maria Ferreira enquanto diretor da Fundepar, segurou a inauguração por dois anos por politicagem e revanchismo por ter perdido a ultima eleição para Coloniezi. O que custou caro para o estado já que a escola teve as instalações depredadas e estruturas elétricas e hidráulicas saqueadas.
Precisou ser refeito com mais demandas de dinheiro público, sem contar os efeitos nocivos sobre a comunidade escolar que amargaram desconforto por dois anos com um colégio pronto e fechado. Com seguidas sucessões de secretários de educação despreparados, a administração José Maria Ferreira viu os índices de educação no município descer morro abaixo, no ranking geral do IDEB - Índice da Educação Básica.
Para se ter uma ideia, números oficiais apontam que Ibiporã da gestão João Toledo Coloniezi consolidou-se em 1º lugar no ranking geral do IDEB com 100%. Após remar muito, em 2025, Ibiporã registrou um aumento de 14 pontos percentuais na alfabetização (79%) em comparação a 2024 (65%), conforme o Indicador Criança Alfabetizada. Porém, ainda assim uma nova administração levará de quatro a seis anos para recuperar o que foi perdido lá atrás num trabalho exemplar da ex-secretária e visionária da educação, Margareth Coloniezi.
"Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" foi dita por Jesus Cristo, conforme registrado nos evangelhos bíblicos (Mateus 22:21, Marcos 12:17 e Lucas 20:25). Ela representa a distinção entre obrigações civis (impostos ao governo) e espirituais (devoção a Deus). "Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado." (Mateus 23:12)

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